sexta-feira, 20 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Na fila
Junto a um balcão de carnes em um supermercado, uma senhora reclamava da demora no atendimento. Dizia ela a um funcionário com características de supervisor: “ Estou aqui há quase vinte minutos e a fila não andou. O senhor precisa colocar mais funcionários no atendimento.”
A observação chamou a minha atenção, e comentei: “Quem sabe uma maquininha de senhas possa resolver o problema? O cliente retira sua senha, vai escolher outros produtos enquanto será anunciada a sua vez de atendimento... assim ninguém fica esperando na fila.”
Ela retrucou: “Nada disso, eles precisam é colocar mais funcionários no atendimento.”
Pensei em falar: Se o supermercado proceder desta forma, o filé que está sendo vendido por R$17,99, certamente, será majorado, contudo, percebi que a impaciência pela demora no atendimento não a deixaria entender o que eu tentaria explicar. Afinal, todo aumento de custo é repassado ao consumidor e as pessoas só ouvem quando querem.
Em casa, continuei pensando no que tinha presenciado e me veio algumas questões:
1- A senhora reclamante possui quantos empregados em casa?
2- Se for uma funcionária pública, ela tem a mesma presteza exigida no supermercado, ao atender o cidadão brasileiro?
3- Ela sabe que, no Brasil, um funcionário custa para a empresa mais do dobro do seu salário bruto?
4- Quando ela pede favor a um filho, o faz com a mesma exigência de prontidão?
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Eleições no Chile
Enquanto no Brasil estão costurando uma candidatura feminina para a presidência da república, no Chile Michelle Bachelet será substituída por um homem. A dúvida é se o futuro homem a governar o país será o ricaço e sorridente Sebastián Piñera, o velho conhecido ex-presidente Eduardo Frei ou o jovem de 36 anos, deputado de esquerda, Marco Enríquez, filho de guerrilheiro morto durante a sangrenta ditadura de Augusto Pinochet.
Piñera segue liderando as pesquisas mesmo com o apoio de Bachelet dado a Frei.
É bom lembrar que a presidenta possui 70% de aprovação do governo, apesar da crise mundial ter impactado negativamente, com intensidade, a economia chilena.
Caso a situação permaneça com se encontra, possivelmente Piñera será o mais votado no primeiro turno e disputará o segundo com Frei ou Marco, já que os dois últimos, segundo as pesquisas, aparecem empatados em segundo lugar.
Que leitura se pode fazer das pesquisas de intenção de votos?
1 – O chileno de maior poder aquisitivo prefere Piñera;
2 – O chileno que sente mais os efeitos da crise mundial prefere Marco;
3 – O chileno que aprova as políticas públicas de Bachelet e reage a mudanças radicais prefere Frei.
Quem votar no candidato independente Marco Enríquez Ominami estará optando por uma reforma tributária que prevê aumento de impostos às empresas e diminuição das regalias oferecidas às mineradoras de cobre; maior impulso na política educacional; mais dinheiro para programas sociais; e legalização de matrimônio homossexual.
Quanto ao matrimônio homossexual, não sabemos qual será a reação da tradicional e machista sociedade chilena. Marco Enriquéz poderá pedir ajuda aos organizadores das paradas gay no Brasil: com amor e arco-íres tudo se resolve...
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sábado, 24 de outubro de 2009
Brasil e Uruguai fecham acordo
Os exportadores brasileiros e uruguaios vão poder fazer transações comerciais sem a utilização do dólar como moeda de troca.
Os custos das operações comerciais serão diminuídos e deixarão, a princípio, de sofrer as oscilações de humor em relação ao dólar, em momento que a moeda americana sofre significativa desvalorização no mundo.
Assim, como ocorre com a Argentina, Brasil e Uruguai tentam abrir uma relação comercial sem interferência nas reservas cambiais dos dois países, apesar do Brasil dispor de dólares como nunca na sua história.
O aumento das reservas cambiais brasileiras ocorreu não devido ao volume das exportações, mas pelo bom desempenho dos fundamentos econômicos que estimularam remessas de investidores estrangeiros para o Brasil, já que ainda fazemos parte na lista dos três países que pagam os maiores juros do mundo. Este fato é esclarecido devido à necessidade de se financiar a dívida interna astronômica feita para sustentar a imensa máquina pública.
É assim: poucos pagam muito para muitos receberem muito e trabalharem pouco...
Enquanto a reforma fiscal não acontecer, teremos que amargar este cenário.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Entrevista desastrosa
Lula declarou segundo o Jornal Folha de São Paulo:
"Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão"
Ora, independente da religiosidade de cada indivíduo, afirmar que Jesus faria algo tão desastroso é no mínimo falta de noção da importância do maior líder que habitou nosso planeta.
Afirmar tamanha asneira, beira à irresponsabilidade e falta de cultura. Nem os filósofos mais excêntricos que não acreditavam ou acreditam na existência de Deus deixaram de reconhecer a importância de Jesus para o mundo.
A afirmação do presidente deixa margem a se concluir que caráter, ética e moral são valores que não transitam no governo.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Cueca vermelha
A cueca vermelha, exposta pelo senador é para confirmar o seu pensamento esquerdista ou simplesmente para indicar ao palácio que ele está colocando a cor do partido “nos fundos”?
Isolado pelo planalto por ter idéias próprias, em algumas oportunidades, a memória não ajuda no que tem por falar nas seções do senado.
Apesar das exposições em programas de humor, o senador é uma pessoa do bem, diferente daqueles que usam as cuecas para carregarem dinheiro sujo...
DisseJean-Paul Sartre: "O inferno são os outros"
Neste caso o senador não se imagina no inferno. Os "outros" que se f....
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Seis bilhões a mais na dívida pública
Fala-se que o governo pretende injetar seis bilhões de reais na Caixa Econômica Federal para manter programas habitacionais nos próximos dois anos.
Para que isto ocorra o governo precisará emitir títulos públicos que serão comprados por investidores em troca de juros.
São três as perguntas que eu gostaria encontrar as respostas:
1 - Por que o governo quer cobrar Imposto de Renda sobre aplicações em cadernetas de poupança com o objetivo de desestimular aplicações que até o momento serviram de lastro para financiar programas habitacionais?
2 – Por que o governo prefere emitir títulos públicos, aumentando a dívida interna, e pagar juros superiores aos da poupança?
3 - Os reflexos dos incentivos para reverter a marolinha da crise começaram a aparecer, e o governo utiliza o argumento dos programas habitacionais para capitalizar a Caixa Econômica?
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domingo, 4 de outubro de 2009
Como un Pájaro Libre
Assim, “como um pássaro livre” a cantora argentina Mercedes Sosa morre aos 74 anos.
A “La Negra”, apelido que ganhou por ter, à época, longos cabelos lisos, foi exilada do seu país em 1979 por combater, através de suas canções, a ditadura militar dos anos 70/80 na Argentina.
Muitos cantores brasileiros dividiram o mesmo palco com Mercedes e canções a exemplo de “Gracias a La Vida” da cantora chilena Violeta Parra foi imortalizada na voz desta espetacular interprete.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Os foguetinhos de Chaves
O discurso socialista do presidente venezuelano Hugo Chaves durante sua recente viagem pelo Oriente Médio e Europa, é visto por alguns dos países visitados como alternativa para o fortalecimento de suas economias.
O candidato a “sucessão ideológica” de Fidel Castro procura aliados para ajudarem opor-se à política imperialista americana.
Apesar de não denegrir a imagem de Obama, continua falando horrores do ex-presidente americano George Bush.
Ora, o desastre que foi Bush para o mundo, mantê-lo na mira não passa de falta de imaginação. É carta conhecida. Como disse Tancredo Neves, é mais importante escolher o inimigo do que o amigo. A escolha errada não dá Ibope.
Hugo precisa arrumar outro inimigo para se manter combativo e esconder o fracasso do seu governo. Termina batendo na Colômbia, em Honduras e nos Estados Unidos para manter a população ocupada e encobrir as carências sociais do seu povo.
A Rússia se interessa pelo petróleo venezuelano e ajuda Hugo a armar-se com mísseis. Será que Chaves pensa lançar foguetinhos contra os Estados Unidos ou os artefatos servirão para sua defesa? Que defesa? Obama via invadir a Venezuela? Vai nada, o Bush que é o Bush não deu a menor importância a Chaves, quanto mais Obama que tem tanta coisa por fazer...
Na parecida rota de Chaves, Lula faz marolinha dizendo assinar acordo com a França para comprar aviões e submarinos, objetivando agradar as Forças Armadas em defesa da decadente candidatura da Dilma.
Salve-me DEUS, será que eu vou ver uma guerra?
Cuba não lançou foguete, Chaves vai lançar?
E os nossos submarinos, o que vai ser deles? Ficarão parados juntos às plataformas do pré-sal? Serão suficientes para defender a nossa riqueza energética? Defender contra quem? Chaves, Estados Unidos, Rússia?
Acuda-me, DEUS!
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Vacas no Senado
Conta a história, que uma esposa reclamava ao marido sobre o tamanho da casa na qual moravam. Ela considerava a residência muito pequena para abrigar toda a família.
Sem condições financeiras para ampliar o imóvel, o marido resolveu tomar por empréstimo, de um fazendeiro, uma vaca e a colocou na sala. Logo, o espaço pequeno ficou ainda mais diminuto.
O marido tentou convencer a mulher dizendo que a vaca estava produzindo leite, e que a economia a ser feita serviria para, futuramente, ampliar o imóvel.
Na primeira semana o marido ouviu quase tudo que um ser humano pode agüentar. Na segunda, as reclamações diminuíram, porque a família já estava se acostumando a dividir o espaço com a vaca. Na terceira semana, pararam as reclamações.
O marido satisfeito com o que aconteceu tirou a vaca da sala.
A mulher contente com a decisão falou para o marido:
- Agora sim, meu querido, a sala ficou grande novamente. Podemos assistir televisão com mais conforto.
A história serve para comparar o que está acontecendo com o Senado Federal.
Em vez da extinção do Senado, como muitos defendem, vale analisar a proposta de se colocar em cada gabinete de senador uma vaca, porque, neste caso, a maioria dos senadores teria mais o que fazer. Em vez de se alimentarem com o leite roubado dos pobres, fariam diretamente nas tetas das vaquinhas.
O risco é se no dia do “Juízo Final” os bandoleiros forem rechaçados por São Pedro, por recomendação de São Francisco, defensor dos animais, e tiverem que retornarem a terra, para pagarem os seus pecados.
Se isto acontecer, São Francisco estará sendo justo. Afinal, quem votou nos larápios é que tem que alimentá-los, e não o pobre do São Pedro...
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Itaipú
Quando Lula cede aos caprichos do bispo Lugo, presidente do Paraguai, aceitando mudanças no critério de pagamento da energia binacional, no mínimo, ensaia destratar um Tratado assinado na década de setenta, com vencimento em 2023.
Afirmar que o consumidor não vai pagar o aumento do custo da energia comprada do Paraguai, é história para boi dormir. Quando não se paga a conta através do consumo, paga-se através da contribuição de impostos.
À época da construção da hidroelétrica, o BNDES emprestou recursos ao Paraguai para ser sócio do Brasil no empreendimento. O pagamento do empréstimo é feito com recurso pago pelo Brasil quando compra energia do Paraguai, já que este não consome o total do que lhe cabe no acordo.
É como se o Paraguai tivesse casado com uma mulher rica. O Brasil fez o projeto, emprestou o dinheiro, e paga pela energia que excede à necessidade de consumo daquele país.
Nada do que Lula e Lugo negociaram tem valor, até que os Congressos, dos dois países, autorizem as mudanças.
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sábado, 25 de julho de 2009
O jipe branco de Zelaya
Não se pode comparar a aventura de Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, e Nicolás Amadurecido, chanceler venezuelano, ao tentarem, ontem, entrar dirigindo um jipe branco no território hondurenho, com as trapalhadas de Dom Quixote e Sancho Pança.
Aos dois primeiros falta a ingenuidade de Dom Quixote e Sancho Pança, que lutaram contra o inimigo imaginário, na defesa de Dulcinéia de Tobroso.
A aventura do presidente deposto e do chanceler venezuelano, mais parece às trapalhadas do sargento Garcia ao perseguir Zorro, o herói da capa preta.
Até um estudante secundarista, que tenha participado de movimentos estudantis na época do golpe militar de 1964, no Brasil, saberia que, entrar em Honduras através da Nicarágua é historia para boi dormir. Não passa de propaganda política. De prático, não teve nada!
Interessa a muitos a defesa da democracia, e a outros a polêmica do fato.
Enquanto isto, a “República das Bananas” continua colhendo a pacova que plantou...
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
Honduras de Zelaya
Os regimes totalitários devem ser rechaçados sejam eles de direita ou de esquerda. Sem dúvida, a democracia é o regime mais aceito no mundo. Nele, se pode expressar o descontentamento da população, e sinalizar os governantes para mudanças no rumo da gestão pública.A história de um país não muda na velocidade desejada pelo seu povo, depara-se com forças externas que equilibram as ações e remete para uma tendência globalizada. As situações esdrúxulas que permeiam nos países latino-americanos remetem o olhar em direção à Venezuela, onde seu mandatário se veste de salvador da pátria e tenta se perpetuar no poder.
A ele, Evo Marales e Zelaya tentam imitá-lo, impregnados com verborréias totalitárias, financiadas pelo petróleo abundante naquele país.
O Brasil que poderia exercer o papel de líder da América Latina se curva aos argumentos e a truculência de Chaves. Colocar o Zelaya no front, acompanhado pelo chanceler venezuelano, Nicolás Amadurecido, e pelo ex-guerrilheiro sandinista Éden Pastora não passa de uma aventura grotesca e irresponsável.
Hoje, não se faz revolução invadindo fronteiras. É uma atitude de governante burro e irresponsável. Quando não há argumento e credibilidade mundial, o fim é o combate.
Honduras, o país que, no passado, deu origem ao título de “República das Bananas”, por ter se submetido aos interesses de empresas americanas, hoje se curva aos interesses da “República Chaveana”.
Se Zelaya carrega nas costas quinze delitos, ou cometeu atos que feriram o artigo 239 da Constituição daquele país, como argumentam os golpistas hondurenhos, é coisa para ser ponderado dentro da legalidade. O seu sucessor legal não seria um golpista.
Por aqui, no Brasil, o povo é mais complacente: Fernando Henrique Cardoso mudou a constituição para se reeleger, Lula ensaiou várias vezes fazer o mesmo, e Sarney ficou mudo frente às denuncias de corrupção, enquanto o presidente do Conselho de Ética do Senado, sem ética, diz que o acusado é quem deve cortar a própria goela...
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Outra foto para a história do Brasil
Eu queria saber o que leva um homem com 80% de popularidade aliar-se à oligarquia política retrógrada e corrupta...
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sábado, 18 de julho de 2009
Uma foto para a história do Brasil
Eu queria saber o que leva um homem com 80% de popularidade curvar-se a uma recente história perdulária e corrupta...
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Reforma Previdenciária
Há meses Lula autorizou o líder do governo e o ministro da previdência, negociar alternativa às reformas previdenciárias aprovadas no Senado, atualmente em andamento na Câmara dos Deputados.
Na opinião do Lula as reformas não devem passar apesar de ele declarar que a previdência é superavitária. Não quer a tarefa de vetar por ser impopular, e prejudicar a eleição da Dilma a presidência da república.
Os deputados por sua vez, precisam aprovar os projetos de lei em tramitação porque também precisam do voto para reeleição.
A alternativa política encontrada foi “negociar” incluindo as centrais sindicais, que estão nas mãos do Lula, já que ele aprovou a manutenção do imposto sindical, que serve para financiar as campanhas de políticos do PT e de outros partidos ligados a sindicatos.
Estamos com um governo que não sabe o que é ética, usando o Estado para proteger interesses de políticos corruptos, capaz de acobertar ladrões dos cofres públicos para ter apoio político.
É uma tristeza!
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Moral e Ética
As cabeças corruptas em Brasília estão fervendo para conseguir uma solução “moral” para evitar que os beneficiados dos chamados “Atos Secretos do Senado” não devolvam o dinheiro roubado do povo.
Estão tentando justificar que o Estado não pode enriquecer a custa do trabalho de uma pessoa, sem que haja o devido pagamento.
Justificativa jurídica pode até aparecer. Quando há interesse, se consegue tangenciar o cerne do problema, com justificativa que possam parecer moral, apesar de nada ética.
Assim, o Brasil continua oferecendo um péssimo exemplo ao mundo e envergonhando o seu povo como Nação...
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terça-feira, 23 de junho de 2009
SoliJão
Estou só!
Restam as lembranças: do chapéu de palha, da camisa quadriculada, da calça costurada com remendos, do cheiro horrível de fumaça, da laranja bahia, do milho e amendoim cozidos, dos bolos de aipim e puba, do lenço no pescoço, do licor de jenipapo, e do saquinho com fogos.
Estou só!
Com a lembrança da expectativa do forró na casa de Otávio, ao som da vitrola tocando discos de Gonzaga e do Trio Nordestino.
Estou só!
Com a lembrança do calor no rosto, provocado pela fogueira ao ascender bombas no tição.
Estou só, mas, acho que João chegou, disseram-me que ele existe. Veio me fazer companhia...
Viva a São João!
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sexta-feira, 22 de maio de 2009
Vinho
Certa vez, escutei uma ministra brasileira dizer que a solução para o desenvolvimento da vinicultura no Brasil era deixar de considerar o vinho como bebida alcoólica. É certo que em alguns países tradicionais produtores de vinho isto já ocorre. O consideram como alimento.
Como aprecio a degustação da bebida, sempre que me encontro no Chile - com agora - percorro os supermercados à procura de marcas de qualidade que não são vendidas facilmente no Brasil, ou se encontradas os preços não estimulam o consumo.
Em muitos restaurantes em Santiago, pode-se escolher no almoço para acompanhar um prato comercial, água, refrigerante ou uma copa (taça) de vinho, e até eleger a cepa que quer beber.
É evidente que estou falando de vinhos básicos.
Por aqui, o vinho é tão comum, que se bebe até misturado com coca-cola.
Vinhos usados no Brasil algumas vezes para degustação, ocupam as prateleiras mais baixas nos supermercados chilenos. Para os pouco familiarizados, este é um sinal de vinhos considerados comuns, e de baixa qualidade. Não vou citar nomes das marcas por uma questão ética.
Um fato, contudo, me fez lembra a ex-ministra da indústria e do comércio: Em prateleiras fora do setor de vinhos são expostos algumas marcas em embalagem Tetra Pek, as do tipo que são acondicionados suco e leite. Neste caso, diferente do setor de vinhos, apesar de marcas menos apreciadas, os produtos são colocadas nas gôndolas de alimentos ao alcance dos olhos do consumidor. Ou seja, em prateleiras cuja altura chama a atenção.
É comum se encontrar velhinhas aposentadas colocando as citadas embalagens nos carrinhos. Os preços são muito convidativos comparados aos do Brasil.
Para degustar, é outra coisa... Existem bons vinhos na faixa de preço entre R$ 20,00 a R$ 25,00, a exemplo de Reserva Santa Ema, Reserva Viu Manet, Haras, Gran Reserva Tierra del Fuego, Tamaya, o Equus Carmenère, MontGras Reserva, Casa Silva Reserva, e até o Adobbe Syrah, cujo custo benefício compensa. Por falar em Syrah, trata-se de um cepa com paladar muito agradável e pouco consumida no Brasil.
Para paladares mais exigentes, existem vinhos de de ótima qualidade na faixa de R$ 40,00, a exemplo do Marques de Casa Concha.
Agora, para matar a sua curiosidade, o preço do litro do vinho acondicionado em embalagem Tetra Pek constante na foto deste post, custa R$ 4,34 o litro. No Brasil, em embalagem de vidro, ele custa em torno de R$ 20,00.
!Salud!
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sábado, 16 de maio de 2009
"O que mão me mata me fortalece"
Esta história se assemelha às outras que aconteceram na política brasileira.
CPI da Petrobras, não passa de um golpe bem articulado das oposições para enfraquecer o Palácio do Planalto. Pode-se afirmar que os que por lá passam, inclusive o próprio PSDB, utilizam a margem de manobra das estatais para promoverem benefícios.
Desta vez, o governo imaginou que o PMDB, partido que o apóia, impediria a abertura da CPI, contudo, a raposa velha José Sarney, que preside o senado, saiu de baixo e deixou a plataforma petrolífera tombar em alto mar.
O governo sabia que o PSDB tinha interesse em investigar as denuncias de sonegação fiscal e a participação da empresa do irmão do ministro Franklin Martins na intermediação de distribuição irregular de royalties, da Petrobras.
Faltou perceber que seus aliados tinham interesse que um fato novo acontecesse para desviar a atenção da imprensa e da opinião pública, já que os senadores e deputados não sabem mais o que fazer para melhorar a imagem do legislativo.
Deu no que deu. Em vez de Sarney deixar o povo trucidar o Congresso para ajudar a moralizá-lo, preferiu facilitar a criação da CPI. Desta forma, o Palácio do Planalto continuará refém do PMDB na defesa dos interesses da Petrobras na Comissão Parlamentar de Inquérito e a atenção da imprensa será desviada para o novo fato.
Conclusão: quem estava na berlinda passou a ditar o jogo, e todos, inclusive o governo, sairão ilesos dos males causados ao país. Ter esperança? Sim! Segundo o filósofo Nietzsche: “O que não me mata me fortalece.”
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quinta-feira, 14 de maio de 2009
Ouro na pílula
Tive um amigo que morreu aos 26 anos de cirrose hepática sem nunca ter ingerido uma dose de álcool. Morreu, simplesmente, por usar amostras grátis de medicamentos sem a devida orientação médica.
Este fato me faz ter cuidado com a ingestão de medicamentos, até quando deles preciso. Muitas são as vezes que prefiro curtir as enfermidades esperando que o corpo desenvolva proteção, e, por si só, combata os meus achaques.
O Banco Central dourou a pílula ao encaminhar proposta de cobrança de imposto para a Caderneta de Poupança, com o apoio dos sindicatos. Aliás, depois das benesses criadas no governo Lula, e o apoio a dirigentes sindicais que atuaram com falcatruas junto ao BNDES, não há sindicato de oposição no país.
Dizer que quem aplica em Caderneta de Poupança é pobre não passa de conversa para boi dormir.
O limite de cinqüenta mil reais definido pelo governo para cobrança de imposto sobre aplicação em poupança, teve o objetivo de desmotivar transferências de recursos de Fundos de Investimentos para aquela finalidade, já que os fundos são os responsáveis por financiar o rombo orçamentário do governo.
Douraram bem a pílula, e parece que o povo ficou satisfeito, mesmo sem perceber a droga que nela existe.
Rogo que amigos de meus amigos não tenham amigos que tampouco se deixem levar por pílulas douradas. Foi por causa delas que o meu jovem amigo nos deixou.
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
O turismo no México
O vírus AH1N1 terminou provocando um efeito devastador no setor turístico mexicano, que representa 8% do Produto Interno Bruto - PIB.
Mesmo com o plano de ação, lançado pelo governo mexicano para minimizar os efeitos da crise, espera-se que haja redução de no mínimo 50% no volume dos ganhos no setor.
Basicamente, são três as medidas definidas no plano: manter produtiva a estrutura e o emprego; manter os fluxos operacionais; e reposicionar o país como uma boa opção turística.
As ações serão dirigidas através de créditos para as empresas, apoio a destinos turísticos considerados de maiores importâncias, e recomposição da imagem do país como interessante destino turístico.
O México que já era conhecido com país inseguro e poluído, agora se acrescenta a pecha de lugar insalubre.
Para reverter o processo não bastam às medidas divulgadas, tem-se que aguardar maior transparência sobre os efeitos da gripe, e, principalmente, abrandar as imagens veiculadas no mundo.
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Exercícios para cérebros enferrujados
de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as
Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que
a piremria e útmlia Lteras etejasm
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
uma bçguana ttaol, que vcoê
anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos
cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa
cmoo um tdoo..
Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.
35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!
Consegues encontrar 2 letras B abaixo?
Não desistas senão o teu desejo não se realizará...
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRBRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRBRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
Uma vez que encontrares os B
Encontra o 1
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIII1IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
Uma vez o 1 encontrado.
Encontra o 6
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
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9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999699999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
9999999999999999999999999999999999
Uma vez o 6 encontrado ...
Encontra o N (É díficil!)
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMNMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMM
Uma vez o N encontrado...
Encontra o Q...
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOQOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Pra onde foi a reforma fiscal?
São três os mecanismos de política economica: fiscal, monetário e cambial.
Os economistas e os operadores de mercado - profissionais que trabalham no sistema financeiro – vivem opinando sobre tudo o que acontece no mundo econômico globalizado.
Muitas das opiniões divulgadas são especulações recheadas de interesses pessoais ou setoriais.
Por exemplo: quando o presidente do Banco Central diz que a queda da taxa SELIC (taxa que remunera os títulos públicos emitidos pelo governo para financiar a sua dívida interna) é um problema, na realidade ele não está preocupado com o aumento dos depósitos na Caderneta de Poupança, mas, em manter o interesse de grandes investidores (fundos de pensão e bancos) por títulos do governo.
Se o interesse por títulos públicos cair, onde o governo vai buscar recursos para financiar a máquina pública? Lá fora? Não!
Ora, as nossas reservas internacionais não são tão folgadas assim... Bastou ocorrer uma retração na oferta de recursos para empresas e bancos brasileiros no exterior, para que o Banco Central brasileiro se preocupasse com a redução das nossas reservas internacionais.
Segundo o nosso presidente, é chique para o Brasil tornar-se credor do Fundo Monetário Internacional.
Por que ele não acha chique trabalhar para viabilizar uma reforma fiscal, de forma que possibilite uma política monetária menos ativa?
A resposta é simples: a campanha já está nas ruas. Os governadores, e prefeitos não podem ser incomodados com cortes nos orçamentos.
Enquanto isso, apesar de não existir pressão inflacionária que justifique taxa de juros elevadas, teremos que continuar pagando mais impostos e amargar uma política monetária agressiva, com a SELIC remunerando 10,25% ao ano.
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sexta-feira, 8 de maio de 2009
História mal contada.
Dizer que a queda de juros no Brasil é enfrentar problemas com as Cadernetas de Poupança, conforme declarou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é torcer para que o governo continue financiando a dívida interna com juros elevados.
Esta história parece discurso de banqueiro privado, que não quer reduzir as taxas de administração dos Fundos de Investimentos, para compensar perdas de investidores com a redução da SELIC.
A redução da taxa SELIC, juros que remuneram os títulos públicos, pode fazer migrar parte destes recursos para a Caderneta de Poupança. Não há interesse dos bancos que o volume de poupança se eleve. Eles não querem correm o risco de ficarem com o ‘macaco no colo’.
O crescimento dos depósitos na Caderneta de Poupança aumentará a exigibilidade para os bancos aplicarem no segmento imobiliário, em momento que as construtoras estão andando para o lado, e os trabalhadores não se sente seguros para adquirirem imóveis novos.
Redução de juros não é problema, porque no caso específico ocorre devido os sinais de redução de pressão inflacionária. Cabe ao Banco Central ser criativo para não perder o interesse dos grandes investidores pelos títulos públicos, sem reduzir a rentabilidade do pequeno investidor que tem a Caderneta como única aplicação capaz de corrigir a sua Poupança.
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segunda-feira, 4 de maio de 2009
Petrobas no Chile
A Petrobras adquiriu do grupo ExxonMobil, no Chile, a rede de 230 postos de gasolina Esso, mais os serviços de distribuição e venda em 11 aeroportos, e seis terminais de distribuição.
Pagará pela aquisição nada menos que quatrocentos milhões de dólares e se tornará a terceira maior rede de distribuição no país, atrás da chilena Copec, que domina o mercado com 55,1%. Disputará a segunda posição com a anglo-holandesa Shell que detém 16% do mercado.
A companhia pretende investir mais noventa milhões de dólares, no Chile, nos próximos cinco anos.
Apesar do tamanho e da importância da empresa brasileira, a Petrobras terá que aprender com a Copec, como oferecer conforto aos clientes chilenos nas suas unidades distribuídas em las carreteiras.
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sábado, 2 de maio de 2009
Mirando las ventanas
Acostumado no litoral da Bahia, no Brasil, onde a brisa que acaricia o corpo sopra do Nordeste, despertei às 07h30 de hoje em Santiago, no Chile, com o cenário da foto.
Já havia visto este clima ao sul, quando habitei há dois anos uma cabana às margens do Villarica, na cidade de Pucon.
Aqui foi diferente, não consegui identificar las ventanas dos edifícios em frente.
É lógico, se não miro las ventanas como serei capaz de mirar las Cordilheiras dos Andes?
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domingo, 26 de abril de 2009
Terremoto
Acordei às 04h05 de hoje com a minha cama trepidando.
Imaginei que fosse um sonho ou ressaca provocada por duas doses de uísque, resultado da comemoração pelos nascimentos de meus netos Felipe e Vicente.
Ainda despertando, senti o meu corpo balançar sobre a cama e em seguida ela bater sucessivamente na parede do quarto.
No décimo segundo andar de um prédio situado no bairro da Providencia, percebi que se tratava de um pequeno terremoto.
Aqui, em Santiago do Chile, chamado isto de temblor.
Pesquisei no site oficial e verifiquei que praticamente, todos os dias, em alguma região do Chile ocorrem temblores, em maiores ou menores intensidades.
Voltei a dormir e só acordei às 07h00.
Durante o dia, se eu não comentasse o assunto, nenhum chileno o faria.
É impressionante como o ser humano se adapta às condições da natureza, inclusive eu!
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sexta-feira, 24 de abril de 2009
Felipe e Vicente
Costumo dizer que a morte, o amor e o nascimento, são acontecimentos que mudam o sentido da vida.
Muitas vezes quando imaginamos que as transformações impulsionadas pelos acontecimentos citados estão em sentidos contrários, somos surpreendidos por eventos que nos guiam em direções opostas. Queiramos ou não, interagir contra ou a favor, pouco vai influenciar nos acontecimentos. É como se “algo” tivesse que acontecer independente de nossa vontade.
Não passa de um processo necessário e importante para que possamos notar fatos, que apesar de claros não conseguimos enxergá-los em situações normais, porque estávamos anuviados.
As energias que nos guia nas diferentes direções promovem oportunidades de crescimento. Crescer ou não é opção de cada individuo e depende do ambiente por ele construído.
Este é um momento que a minha mente está desanuviada, tenho consciência de que ajudei de alguma forma construí-lo. Se algo de bom e prazeroso está acontecendo, foi porque aproveitei os sinais energéticos da natureza e não atrapalhei os movimentos em rumo da felicidade.
Certa vez, uma vizinha carregando um bebê, seu neto, falou-me:
- Veja como João é inteligente! Cadê a lua – perguntou ao neto?
João, sem ainda falar, olhou para o céu sinalizando que havia identificado o satélite da terra.
Em seguida ela continuou:
- João, cadê a lâmpada?
João, sem hesitar, olhou e apontou a lâmpada acesa em um poste.
Ao fim da demonstração da sapiência, eu, em tom de gozação, disse:
- Realmente este menino é muuuuuito inteligente...
Falei desta forma, porque, praticamente todas as crianças naquela idade aprendem com facilidade o que é lua e luz.
Agora, com os nascimentos dos meus inteligentes e lindos netos Felipe e Vicente encontro-me ansioso para colocá-los nos braços, e tão logo percebam o que é lua e luz, chamarei a minha amiga e lhe direi:
- Veja que meninos inteligentíssimos, já sabem o que é lua e luz...
É assim, avós se parecem...
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
Cadê a ética?
A falta de ética, mais do que a de moral, será memorizada pelos eleitores, e se tivermos sorte poderá interferir nas próximas eleições.
O presidente da Câmara, deputado Michel Temer, e outros com caras de moralistas titubeiam na ética. Pego de “calça curta”, juntamente com o outro menos moralista Fernando Gabeira, tentam ludibriar o povo com propostas de mudanças nos critérios de uso de passagens aéreas dos parlamentares.
Reduzir em 20% ou em 50% a verba atual é um argumento simplesmente moralista. Não há nada de ético na proposta.
Atrelada a esta proposição podemos aguardar, em breve, o reajuste dos salários dos parlamentares para míseros R$ 24.000,00. Assim, o que é imoral poderá passar a ser ético só na concepção dos parlamentares.
Enquanto inúmeros projetos estão nas prateleiras do Congresso para serem votados, o povo aguarda p a c i e n t e m e n t e, feito cordeiros de Deus, a boa vontade dos malandros congressistas resolverem um problema que nem se quer deveria existir.
Disse-me um amigo: “Um grande erro do Juscelino Kubitschek foi construir Brasília, assim, como nos presídios, os malandros ficam juntos e podem melhor articular as falcatruas contra o povo brasileiro.”
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
Muchas gracias
A primeira vez que estive no Chile coincidiu com a liberação do cambio no governo Fernando Henrique Cardoso. Lembro-me que saí do Brasil com a paridade do dólar perto de um para um do real e ao retornar o dólar valia 1,92 reais. Ou seja, a nossa moeda havia perdido quase 50% do valor de compra comparada ao dólar.
As outras vezes que vim ao Chile, a exemplo do que aconteceu na primeira viagem, eu trouxe dólares para cambiar por pesos chilenos.
Agora, não precisei mais adquirir dólares. Trouxe reais e os troquei em casas de cambio por pesos chilenos.
A integração latino-americana e o “real forte” permitem economia a quem viaja do Brasil para o Chile. Ao fazer o cambio de real para peso chileno, evita-se que se proceda duas trocas de moedas. Ou seja: No Brasil (real para dólar), no Chile (dólar para peso).
Isto ocorre, porque o Brasil conseguiu em curto espaço de tempo fortalecer a sua moeda.
Em uma loja de departamento, aqui em Santiago, após a compra de um produto falei para a atendente: muchas gracias!
Ela respondeu: Obrigada!
Integração é isso.
Pensei: Seria bom que pelo menos um canal de TV aberta no Brasil transmitisse em espanhol e outros canais, na América Latina, transmitissem em português.
Poderíamos falar “obrigado” ou hablar “muchas gracias”. Todos entenderiam que estamos gratos...
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
Torcedor de torcida
- Você vai passar algum tempo aqui no Chile, já escolheu o time de futebol que vai torcer? – falou-me Juan.
- Ainda não. – respondi.
- Aceitas o convite para assistirmos a partida de futebol entre o Universid do Chile e Grêmio, pela Copa Santander Libertadores? – voltou Juan a argumentar.
- Sim – respondi.
Horas depois recebi um e-mail enviado por Juan contendo duas tabelas. Uma com a posição do Unviversid do Chile na Copa Santander Libertadores, e outra do Torneio de Clausura.
Em seguida outro e-mail, desta vez do nosso amigo Gonçalo dizendo: Olá, Don Eduardo! Bem-vindo ao Chile, de novo. E bem-vindo à maior torcida do país. Até mais, a gente se vê logo, logo… Um abraço, Gonzalo.
A eficácia dos dois foi impressionante. No início da noite eu já estava de posse do ingresso número 867 e logo partimos para o grande espetáculo.
Ao chegarmos ao estádio ouvi a torcida cantar: “Sale León / sale sale sale León / sale sale sale León / sale sale sale León”.
Após a entrada da equipe no gramado ouvi: “Porque te quiero tanto te vine a ver / porque te quiero tanto te vine a alentar / dale Bulla tu eres mi pasión / te llevo adentro de mi corazón”.
Disse-me Juan: é com ir a um espetáculo de canto massivo!
Eu não sabia se olhava o que estava acontecendo no gramado ou a torcida. Mais de 45 mil torcedores cantando durante os noventa minutos do jogo.
Gonzalo sai no intervalo para comprar um rico sanduíche enquanto Juan chamava a minha atenção para duas crianças próximas. Falou-me: quando Felipe e Vicente estiverem próximos daquelas idades, certamente, estarão comigo aqui torcendo. As camisas azuis já foram compradas e ficarão expostas na porta do apartamento na clinica onde irão nascer.
O jogo entre o Universid do Chile e Grêmio terminou.
Outros, mais importantes, serão vistos por esta dupla de atacantes: Felipe e Vicente.
É assim: pai é pai e avô é avô!
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
O Sol
É assim, por traz das Cordilheiras dos Andes os primeiros sinais de luz.
A cidade se banha delicadamente com diversos matizes que confunde a visão.
Em seguida surge ele forte, imponente e altivo. Seus raios mandam-nos acordar e cuidar da vida.
Levanto-me, acompanho Felipe e Vicente na barriga de minha filha até a clínica, e ouço doutor Valdivia falar: ¡Están perfectos! Vamos a aguardar hasta la póxima semana.
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
O milagre da vida
Hoje, fechei a mala que seguirá comigo para uma nova aventura.
Desta vez a expectativa é maior.
É assim: o amor, a morte e o nascimento, são responsáveis pelas grandes transformações.
Para meu encanto, a minha será instigada pelos nascimentos de Felipe e Vicente, que abrigarão nos seus genótipos alguma filigrana do meu DNA.
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quinta-feira, 19 de março de 2009
Contraditório
Franz Kafka cita em um dos seus livros que “As opiniões muitas vezes são apenas expressão do desespero”. Diz mais: “A compreensão correta de uma coisa e a má compreensão desta mesma coisa não se excluem de todo”.
Se ficarmos atentos às nossas expressões e as das pessoas com quem nos relacionamos, a primeira citação de Kafka está correta.
Considerando que o mundo é um só, o que modifica é o olhar de cada individuo a respeito do mesmo tema. Neste caso, Franz Kafka continua dando um banho filosófico a respeito do comportamento humano.
Aqui pra nós, o estilista e apresentador de TV Clodovil Hernandes precisava tornar-se deputado federal só para ganhar mais dinheiro e manter o glamour? Certamente se contradisse mostrando a humildade que não possuía.
Afinal, Clodovil perdeu oportunidades de frear a língua como recomenda o Evangelho, e a primeira expressão de Kafka.
Quanto a mim, poderia frear os meus dedos que digitam este post, já que a citação bíblica é figurada e distorcida, vez que a língua e os dedos agem através do comando cerebral.
Neste caso, por não frear a minha mente desviando o pensamento para coisas mais interessantes, procuro me encaixar na segunda expressão de Kafka: “A compreensão correta de uma coisa e a má compreensão desta mesma coisa não se excluem de todo”.
Tanto Clodovil quanto eu, segundo Kafka, estamos certos e errados.
Nossas opiniões são fruto das experiências. No caso específico foram bem diferentes.
Ainda bem que foram!...
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Quem disse que ela não fala?
Ontem, a primeira-dama respondeu uma pergunta ao repórter, durante os desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro.
O que a teria motivado para deixar o presidente no camarote e descido até a pista do sambódromo?
Possivelmente, ela se irritou com o excesso de puxa-saquismo dos políticos locais que acompanhavam o presidente.
Depois que o ex-presidente Itamar Franco foi fotografado no sambódromo em companhia de uma modelo com a genitália à vista, possivelmente o atual pensou duas vezes antes de comparecer ao evento.
Não vi nenhum mestre-sala deixar de dar atenção a porta-bandeira para se curvar ao mandatário ou à primeira dama.
Alguém comentou que a primeira-dama não fala.
Enganou-se: a primeira-dama fala e, eu ouvi!
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
O mineirin do castelo.
Vinte e cinco milhões de reais é o que dizem valer um castelo erguido no interior das Minas Gerais.
Naquelas bandas do Brasil já se produziu muito ouro, enviado para Portugal e Inglaterra. Possivelmente algum filão foi deixado esquecido, e um cidadão, muito trabalhador, honesto e ético descobriu a riqueza.
Resolveu construir algo inusitado, a ser usado por sua prole, pagando salários justos, e recolhendo encargos sociais.
Não poderia ser diferente, até porque, é um dos que estudam as justas reformas da previdência que tramitam na Câmara dos Deputados.
Que coisa fantástica! Um complexo arquitetônico encravado nas entranhas das antigas minas de ouro.
Caso a intenção de quem o construiu fosse esconder de alguém ou de alguma instituição, certamente teria encomendado um projeto subterrâneo, aproveitando os buracos deixados por nossos colonizadores.
Assim, esta coisa primorosa não seria facilmente fotografa e divulgada.
Tenho a impressão que além de Ouro Preto, e Tiradentes, “O Castelo” será incluído nos roteiros turísticos, a exemplo do que se faz na Europa.
Será que pobres deputados acostumados a aprovarem “Bolsa Família” não se sentem constrangidos ao se sentarem ao lado de um castelão? Ou, será que a defesa do senhor feudal é tão eficaz ao ponto de convencê-los a tirarem férias em um dos aposentos de sua obra?
Que partidinho desinformado é este DEM... Só soube desta virtuosidade agora?
Ah MST frouxo de uma peste!
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
O curioso caso de Benjamim Button
O que se pode tirar de um filme cujo protagonista nasce com oitenta anos e morre bebê, no colo da sua velha esposa?
Parece-me que esta questão move o espectador a refletir sobre a trajetória da vida.
Inverter os processos para reordenar cronologicamente os momentos, e possibilitar a formação de parcerias ou relações amorosas, como se fosse possível decidir quando se quer ficar criança, jovem, experiente, ou velho, é o “X” da questão.
A duração de mais que duas horas e meia, para alguns espectadores pode parecer excessivo, para outros o período é insuficiente para refletir sobre as respostas às questões sutilmente colocadas no enredo.
O curso da vida é inevitável, mesmo quando é rodado ao contrário, fruto de uma ficção. Quando os momentos mentais são apresentados em fenótipos ou roupagens divergentes, quem vive perde o entusiasmo e quem observa a satisfação.
À criança dar-se o direito de brincar e ao idoso o compromisso de nortear.
Quando as posições se invertem o estranho aflora aos olhos de quem aprecia e ao sentimento de quem vive. É anormal uma criança idosa, assim como um velho criança.
O filme aborda o repúdio de um pai ao filho feio e esdrúxulo, e exalta a caridade feminina representadas nas figuras das duas mães de Benjamim.
Outro fato que pode passar despercebido é o valor da escrita. O filme é desenvolvido com apoio em um Diário escrito por Benjamim, sem o qual seria impossível o relato, já que os dois protagonistas estavam trilhando idades opostos.
Tem a direção de David Fincher, e roteiro de Eric Roth e Robin Swicord. Sete atores fazem o papel de Benjamim, inclusive Bred Pitt. O papel de Daisy é representado pela atraente Cate Blanchett que já contracenou com Pitt em outro interessante filme, Babel. Trara-se de uma adaptação do conto do escritor e roteirista americano Francis Scott Fitzgerald.
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domingo, 1 de fevereiro de 2009
Nada de novo.
Depois de falar que não seria candidato à presidência do Senado, o Sarney surge com a história que resolveu concorrer ao cobiçado posto devido à crise mundial.
Ora, Sarney quando presidente da república deu calote na dívida externa e o país, com a fama de caloteiro, teve que amargar custos elevadíssimos de captação de recursos externos comparados a de outros países.
Aqui é assim, o sujeito que faz tudo errado tem emprego garantido. É só ver os ex-ministros, ex- presidentes e ex-diretores do Banco Central e BNDES. Estão todos em bancos particulares ou com consultorias pagas por empresas que foram beneficiados por eles quando estavam no governo.
Como a política é a ciência do possível, o PSDB, maior partido de oposição ao governo Lula, achou pouco os cargos prometidos por Sarney em troca do seu apoio e surpreenderam os mais experientes analistas políticos: aderindo à campanha do Tião (PT).
Aliás, depois do resultado das eleições de Belo Horizonte, onde o PSDB apoiou o candidato indicado pelo PT, aderir ao Tião Viana não é nada difícil. Até porque, a briga entre PT e PSDB é para decidir quem comanda a embarcação com mais de cento e noventa milhões de passageiros, e arranjar emprego para seus correligionários.
Sendo assim, seria melhor para o país colocar o Serra e a Dilma na mesma chapa à presidência da república e dividir o bolo como sempre fazem.
Entre a oligarquia do Sarney e o populismo de Tião prefiro o atual presidente do Senado Garibaldi Alves. Pelo menos, o Garibaldi me faz escarnecer ao ouvir as justificativas sobre as maluquices da casa nas entrevistas por ele concedidas.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009
O que poderá acontecer?
O mundo não mudou!
Contudo, existe esperança de que algo novo possa acontecer.
Há sessenta anos o pai do atual presidente dos Estados Unidos não tinha licença para ser servido em restaurantes naquele país devido à cor de sua pele.
Hoje, o homem mais importante do mundo proferiu discurso de posse dando sinais da disposição conciliatória, sem deixar de registrar a importância que os antepassados tiveram nas conquistas da potência mundial, abalada atualmente pelas crises econômicas e de credibilidade.
Para cada vida americana tombada em combate, outras indefesas foram cruelmente dizimadas e com elas as suas culturas, justificadas na defesa de modelos políticos, interesses energéticos e econômicos.
Povos indígenas e comunidades tribais sumiram da face da terra para facilitar a retirada do ouro e da prata.
Traições foram estimuladas, e ditaduras financiadas para viabilizarem a implantação de modelos agrários convenientes ao abastecimento.
Incorporações de territórios de nações vizinhas serviram para consolidar o que hoje se reconhece como a nação mais importante do mundo.
Mudança não é só pensar diferente, é agir diferente!
Entre o discurso de Obama e as ações haverá um espaço que será percebido com o desenrolar do tempo.
Tomara que o combate, desta vez, seja fiel à preleção em defesa dos pobres, do meio ambiente, da escolha religiosa, e da paz, se contrapondo ao imperialismo e a favor do diálogo.
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Faixa de Gaza à brasileira
Meu amigo Marcos, quando estudante de química, resolveu por em prática o que havia imaginado ter aprendido na universidade.
Construiu um foguete, na sua própria casa, e decidiu colocá-lo no ar. Para comemorar o lançamento, convidou amigos para assistirem o evento.
Sem espaço adequado para a geringonça de aproximadamente um metro e meio, aproveitou o momento que os pais não estavam em casa, e decidiu lançá-lo do quintal da própria casa onde morava.
Com a ajuda dos companheiros equilibrou o foguete, de forma que pudesse alcançar a altura desejada. Sem saber ao certo o que aspirava.
Encheu o tubo de combustível e tocou fogo!
Não deu outra: o foguete subiu sem o equilíbrio necessário, já que a quantidade de combustível não estava adequada ao peso da geringonça, e logo se virou em direção ao telhado da casa vizinha. Ao atingir o alvo indesejado, explodiu!
Ao perceberem o estrago, os autores da façanha decidiram fugir, sem destino, em um velho fusca. Em seguida à fuga, a rua estava totalmente tomada por policiais, que investigavam o ocorrido.
Curiosidade científica? Brincadeira de jovens? Ação terrorista? Não se sabia ao certo o que havia acontecido. Todos os envolvidos estavam foragidos! Para a polícia não era um bom sinal, apesar de não ter havido vítima.
Por pouco o Marco não foi preso pela polícia do exercito já que à época imperava o regime militar no país.
Ao ver as reportagens sobre as ações terroristas do Hamas na Faixa de Gaza, lembro-me deste fato, ocorrido há anos.
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Nas mãos dos velhinhos
As empresas costumam planejar olhando o desempenho econômico e as tendências do mercado. Muitas informações se baseiam em fatos ocorridos, outras nas intenções dos consumidores.
Pesquisas recentes indicaram que 50% dos brasileiros pretendem diminuir os gastos e 29% dos trabalhadores crêem que poderão perder o emprego este ano. Estas informações são importantes porque apontam para o futuro.
Há esforço do governo brasileiro de manter elevado o consumo, para evitar a queda de oferta de emprego. Por outro lado, apesar da valorização do dólar, a inflação mantém tendência próxima à meta e o Banco Central dá sinais para a redução dos juros.
Contudo, se as pesquisas de intenção divulgadas não forem revertidas durante os próximos meses, o crescimento econômico poderá ser prejudicado, apesar das medidas de redução de impostos, já divulgadas pelo governo, e da redução dos juros prevista para a próxima reunião do COPOM -Comitê de Política Monetária.
As inseguranças dos trabalhadores que refletem nas indicações das pesquisas divulgadas, citada anteriormente, se contrapõe às medidas governamentais, possivelmente devido à faixa etária e baixa qualificação.
Uma saída para aumentar o consumo é disponibilizar mais recursos para os aposentados. Estes, além de receberem do INSS valores inferiores às suas necessidades básicas, terminam assumindo despesas de filhos e neto desempregados.
Para isto, basta o governo deixe que sejam aprovadas, no Congresso, as reformas previdenciárias em andamento.
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Ano Novo
Quantos encontros ocorreram ao fecharmos a porta do Ano Velho em busca do Novo?
A linguagem que flui nos encontros através dos contatos físicos, sonoros e visuais, que o nosso sistema nervoso sente e reflexiona, prepara mudanças em cada indivíduo, desde que ele aproveite da imensa plasticidade humana, e se situe melhor no contexto das relações pessoais.
A idéia de que ao homem não lhe é permitido mudança é ultrapassada. Somos capazes de tudo. Pensar desta forma é acreditar na possibilidade de ser feliz.
Precisamos acreditar que somos capazes de enfrentar as deficiências e romper os bloqueios impostos, como armadilha ou senha, à nossa felicidade.
A linguagem que abre espaço para o consenso modela a conduta, e se incorpora na prática do ser, dirigindo a vida, a exemplo de uma lança arremessada, sem retorno ao Velho Ano que passou...
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Inimigos imaginários
A habilidade política do presidente da república o fez alcançar a maior popularidade, segundo pesquisas divulgadas.
Ter um presidente popular, alcançar sucesso nas políticas econômicas e sociais é bom para o país. Porém, quando o presidente diz que “eles querem que o Brasil dê errado” sem citar quem são “eles”, estrategicamente coloca o povo contra inimigos imaginários.
Coisa parecida faz Hugo Chaves ao dizer que o inimigo da Venezuela é Bush. Chaves estimula ódio do seu povo contra um inimigo distante, imaginado por ele, e consegue desviar a atenção da população das suas necessidades.
Lula, por sua vez, prepara seus eleitores para arruinar qualquer um que se oponha a seu governo, dizendo ser qualquer opositor “inimigo do Brasil”.
Lembro-me ter ouvido, quando criança, que os comunistas arrancavam as unhas e os olhos das criancinhas. Minha mãe falava: Saia da rua! Estão dizendo que têm comunistas circulando por aí...
Coitada, ela achava que os comunistas iam arrancar os meus olhos e as minhas unhas ao me encontrarem jogando futebol ou bolas de gude nas ruas.
As unhas e olhos dos pais das criancinhas não foram arrancados pelos opositores à democracia. À época, eles sonhavam com isso e transformaram os sonhos na realidade da tortura.
Todo cuidado é pouco quando se propõe mudanças na Constituição para obter um novo mandato para o presidente ou até mesmo prorrogação do atual. A democracia brasileira poderá se tornar frágil e desacreditada pelo casuísmo.
É prudente relembrar a história do Brasil e da América Latina.
Terceiro mandato poderá ser mais um golpe, respaldado na popularidade. Desta vez, diferente do terror das unhas e dos olhos das criancinhas em 1964. Parecido como o caudilho Getúlio Vargas!
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
O monsenhor e o iluminado
Um amigo contou-me que nas férias do seminário, por não ter dinheiro para viajar para sua casa, era mandado para paróquias próximas.
Certa vez, ao chegar a uma das paróquias para “curtir” alguns dias de férias foi surpreendido com a notícia da morte do monsenhor.
Após velar o corpo do mais ilustre religioso municipal o seminarista foi dormir. Pouco tempo depois acordou imaginando ver o monsenhor próximo à sua cama. A imagem não saia da sua frente.
Ele, o seminarista, colocou o lençol sobre o rosto na tentativa de se desvencilhar da imagem. Foi quando sentiu a mão do monsenhor acariciar a sua cabeça.
Foi o estopim para que o caos fosse criado. Literalmente borrado de medo, deu um grito suficientemente alto para acordar o padre, que dormia no mesmo quarto, e a maioria dos vizinhos de rua.
Não satisfeito, abriu a porta da casa paroquial e saiu pelas ruas gritando, acordando quem ainda dormia na pequena cidade, para que o acudissem.
As carolas o seguiam, na madrugada, pelas ruas, louvando ao iluminado que havia conseguido ver o saudoso monsenhor. Abriram as portas da igreja e oraram, oraram, e oraram... E, só não foi posto no altar porque o padre interferiu no processo.
Ao amanhecer por completo, o padre o enviou de volta ao seminário, com receio de perder o controle da situação.
Ele teve suas férias antecipadas e foi impedido de saborear os doces de caju em calda e ambrosia, os pernis de porcos e frangos assados, os ensopados de carneiro e de galinhas caipira, os queijos, e as manteigas caseiras recebidas de presentes na casa paroquial.
Voltou famoso à rotina do seminário por ter se tornado o único a ver a alma de um monsenhor.
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
O inusitado
Cada ser humano descobre a melhor forma de se comunicar.
Certamente, a escolha condiz com a sua personalidade, principalmente quando ela ocorre por diletantismo.
Há os que escrevem; os que falam; os que gesticulam; os que cantam; os que dançam; e ainda os que se calam. Porém, nenhuma das formas citadas é tão eficaz quanto à comunicação visual. Esta chama a atenção das pessoas, justamente porque a mente humana consegue gravar muito mais o que ver do que o que ler, e o que ouve.
Felizmente, o meu amigo blogueiro Chulapa, pratica isto com maestria.
Por que digo maestria? Porque só ele consegue buscar no universo virtual da internet o exótico, o esdrúxulo, e por que não dizer o inusitado.
Todas as vezes que visito o blog deste catarinense de Blumenau, me surpreendo. Lá tem de tudo. Tem o que você não espera que exista, e o que existe lá está diferente.
Apesar das tormentas na sua linda terra, a esperança de reconstrução está na renovação e na criatividade de pessoas da estirpe deste meu amigo blogueiro, cuja história eu acompanho há mais de um ano.
Os últimos temporais farão um Natal diferente. O levarão a intuir as semelhanças humanas sem perder a capacidade criativa de quem quer mudar o mundo, e pode fazê-lo!
Anti Gravidade
- Retirado do Blog Chulapa -

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Os lençois molhados de Fátima
A minha amiga Fátima, resolveu conversar com sua “matriz consciente” a respeito de eventuais prejuízos emocionais causados pelo rigor de padrões educacionais e culturais na sua infância.
Pensar sobre isso e principalmente falar abertamente sobre as questões, jogando ao vento para qualquer um se utilizar do texto e comentar, já se deduz que ela está curada!
Nada disso me surpreende, até porque os textos do seu blog “O Pensar”, que tenho o prezar de acessar há mais de um ano, reflete a personalidade firme de uma pessoa que não se deixou impressionar com as malvadezas do medo, da censura, e do preconceito.
Hoje, o sangue pulsa nas artérias da vida com facilidade, e os nervos, antes tensos, estão sob controle e a deixa dormir.
Enquanto isso o lúdico papai Noel continuará existindo com valores atuais e com diferentes barreiras dos lençóis molhados daquela época.
Que venha o Natal, e com ele o velho gordo vestido de vermelho e faça muitas crianças felizes...
- Texto do blog “O Pensar” -
Pensando o quanto se engana criança, o quanto se mente, é para ficar de orelha em pé com uma vontade danada de dizer que danação de criança é apenas uma resposta ao medo que se faz. Fui uma menina extremamente medrosa. O escuro, as folhas das árvores balançando ao vento, uma batida não identificada faziam o meu sangue pulsar com mais rapidez e os nervos tensos não me permitiam dormir.
Ser ingênuo, portanto, seria o trouxa? Não me aceito assim. Fui criança censurada, num tempo em que menino não ficava na sala para ouvir conversa de adultos; que não podia pedir mais um pedaço de bolo por ser falta de educação; e, muito menos, responder aos pais. Tinha que engolir até o choro. Que tipo de adulto é o resultado dessa pressão?”
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Eduardo Andrade
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domingo, 30 de novembro de 2008
Os sonhos do professor Ronie
O meu amigo professor Ronie escreveu uma história em seu blog relatando sonhos que teve com antigos professores.
Não sei se a criatividade que lhe é peculiar o induziu a criação de sonhos fictícios, ou se, pelo menos, parte deles aconteceram.
Partindo do princípio de que os sonhos tenham ocorrido, possivelmente ele precisará vasculhar em seu baú citações da filosofia Jungiana, para ajudá-lo a interpretá-los.
Há, sem dúvida, muitos “símbolos” nos sonhos relatados, cujos significados, só o meu amigo Ronie poderá saber. Assim pensava o psicanalista Carl G. Jung.
Por exemplo, as citações que assinalo em itálico e negrito no texto a seguir, que me permito transcrever devido à afinidade que tenho com o companheiro blogueiro, tem muito a dizer, já que o sonho é uma expressão pessoal do incosciente de cada indivíduo e tão real como qualquer fenômeno vinculado ao ser humano.
No fim do texto o amigo deixa transparecer que não quer mais dormir para não ter que sonhar, pelo menos com antigos professores.
Deixa o inconsciente falar meu caro amigo, Ronie...
-Texto do blog do professor Ronie -
- Espeeeeeeeeeeeeeera!
Também comentei do seu péssimo aspecto, todo deteriorado, sem aquela prepotência dos velhos tempos. Seu guarda-pó estava acabado, todo comido e cheio de furos. Ele apenas disse que professor sofre até na morte, não haverá paz nunca. Os alunos do céu, os anjos, são bem piores que o Zequinha, aquele "capeta" que desafiava todos os professores.
Depois de uma longa despedida - bem de longe, obviamente - acordei e concluí que tudo era uma grande bobagem, nunca aconteceu nem aconteceria. Mas, na noite seguinte, o primeiro professor apareceu. Era a Olga "Veneno", que já era feia na vida, e estava bem pior na morte. Lembrei-me, na hora, da musiquinha que cantávamos para ela: "Olga Veneno, você tem um jeito sereno de ser, e em toda cama que eu durmo só dá você, só dá você..."
Como ela conseguia ler meus pensamentos, praguejou minhas próximas oito gerações e me disse que ela representava o professor do passado e que eu nunca deveria ter escolhido essa profissão.
- Você não aprendeu, Ronie? Não via como eu era feia e infeliz? Não percebia como eu os tratava mal e descarregava minha frustração em vocês? O que eu ganhava não dava nem pro meu cigarro, aquele mata-rato barato, por isso que eu tinha aquele bafo de foca.
Com a Olga não teve nem despedida. A mulher estava com a agenda cheia. Não tinha aulas vagas no céu e teve que voltar rapidinho. Quando acordei, fiquei pensando naquilo tudo e uma pulguinha ficou atrás da minha orelha: será que escolhi a profissão certa?
Dois dias depois, enquanto eu dormia o sono dos justos, uma outra professora apareceu em meus sonhos. Logo reconheci: era Ivete, a "Gorda", cem quilos de pura estupidez e frustração."
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sábado, 22 de novembro de 2008
O calote do Equador
Deixar de pagar quando é ilegal, é legal, agora receber o dinheiro para fazer o investimento e não reconhecer a dívida é calote e roubo.
Digo roubo porque se trata do dinheiro do Orçamento da União e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O recurso da União vem da arrecadação de impostos e o do FAT tem sua origem nas contribuições das empresas feitas através do PIS, que no final das contas, também é repassado aos consumidores. Para se ter idéia, quando se paga uma conta de luz, também está se pagando PIS, CONFINS e ICMS.
Ora, a construtora brasileira Odebrecht, envolvida em suborno em governos anteriores, construiu a usina San Francisco no Equador cujo empréstimo para financiar a obra foi concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Ou seja: por ser uma empresa brasileira, o banco de desenvolvimento brasileiro, que deveria financiar obras de infra-estrutura no Brasil, o fez no Equador, por interesse dela e de simpatizantes políticos esquerdistas.
O presidente do Equador, Rafael Correa, informou, na última quinta-feira, que não vai pagar a dívida que tem com o Brasil (BNDES) por considerá-la ilegítima.
Denuncia-se uma dívida quando ela não existe, ou foi construída em bases falsas... Houve superfaturamento da obra, para justificar o não pagamento? Caso tenha ocorrido, a história é outra, precisa ser investigado pelo Ministério Público.
Se o governo brasileiro resolver deixar o dito por não dito, a luz vermelha precisa ser acesa, porque embaixo deste pirão pode ter carne...
Não é a primeira vez que o Equador deixou de pagar o que deve. Sendo assim, no mínimo, faltou segurança na análise da concessão do empréstimo àquele país.
O certo é que o povo brasileiro que pagou os impostos e os encargos sociais para fomentar o orçamento do BNDES, não pode ficar conformado com o calote de US$ 320 milhões.
O ministro das relações exteriores Celso Amorim, que costuma falar muito e agir pouco, desta vez, mandou chamar o embaixador brasileiro para uma conversa. Caso o nosso embaixador retorne ao seu posto, no Equador, sem uma solução formal sobre o pagamento, será mais uma demonstração de fraqueza, falta de liderança, excesso de tolerância, ou quem sabe de medo de aparecer o que está por traz da operação.
Vamos aguardar para ver o que acontece...
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Incoerência política
O governo apregoou que as empresas que especularam e sofreram os efeitos financeiros da crise mundial não teriam apoio. Pelo menos isso foi que eu ouvi em várias oportunidades do nosso presidente.
Algumas grandes empresas nacionais fizeram operações financeiras de risco para auferirem lucros fora da atividade operacional.
Só para reavivar a memória, na época que a inflação no Brasil era elevada, os supermercados compravam os produtos a prazo por um preço, vendiam à vista por um preço inferior ao da aquisição, e aplicavam os recursos da venda no mercado financeiro auferindo mais lucro na transação financeira do que na operacional.
Antes da crise, as empresas exportadoras tomavam empréstimos através de Contrato de Adiantamento a Exportação (que é uma linha de recursos utilizada para financiar a preparação de produtos a serem exportados) em valores bem superiores ao necessário para o custeio da atividade. A sobra de caixa era aplicada em produtos do mercado financeiro com rentabilidade superior ao custo dos empréstimos, inclusive em títulos do governo federal.
Ocorre que a surpresa da desvalorização da moeda “Real” perante o “Dólar” deixou estas empresas de calças curtas, já que os citados empréstimos são feitos na moeda americana.
Nesta semana está sendo noticiado que o congresso autorizou, a pedido do governo, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal comprarem bancos e construtoras falidas.
Fala-se, que já está negociado o salvamento do Banco Votorantim, com a compra de 49% das suas ações.
Ora, quem compra 49%, pode comprar 51%. Por que não o faz?
Não o faz porque 51% darão ao governo o direito a decidir os destinos da instituição, por se tronar o sócio majoritário do Banco Votorantim. Neste caso, não convêm ao grupo que domina o cartel do cimento no país...
Caso a transação venha a se confirmar, a incoerência entre o discurso de Lula e a prática é gritante, já que o sufoco do grupo Votorantim ocorre, não pela falta de demanda de cimento, mas pelas aventuras feitas no mercado financeiro através dos ACC’s.
O que pode estar por traz da decisão: o governo, como declarou não socorrer empresas que tivessem praticado aventuras financeiras, injetará dinheiro no Banco Votorantim, e através deste, que será sócio do Banco do Brasil derrama mais dinheiro nos cofres das indústrias de cimento pertencentes ao grupo.
Enquanto isto, a imprensa foi requisitada pelo governo para ajudar a convencer a população que os aposentados não merecem ganhar valores equivalentes para os quais contribuíram em toda sua vida.
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sábado, 8 de novembro de 2008
Obama e a esquerda sul-americana.
A queda do preço do petróleo e a falta de alternativas econômicas dos governos truculentos de países sul-americanos estão forçando mudanças nos discursos esquerdistas estatizantes.
A reaproximação com os Estados Unidos devido a vitória de Obama para a presidência pode ser um divisor de águas conveniente a Hugo Chaves, a Evo Morales, e a Raul Castro.
Aliás, os dois primeiros não perderam tempo e fizeram pronunciamentos de congratulações, enquanto o cubano Raul Castro, irmão de Fidel, teve o presidente Lula como seu padrinho.
Sabem os Castro’s cubanos que ter como protetor Hugo Caves não é conveniente para a imagem de Obama, já que poderia parecer para os americanos que o eleito estaria disposto a compartilhar idéias socialistas e estatizantes.
O Lula adiantou-se de forma deselegante e inconveniente, sugerindo o fim do bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba. Este assunto não é para mandar recado. Ficou parecendo Hugo Chaves insinuando retaliações a Bush.
O tratamento diplomático e habilidoso certamente será mais eficiente, para não parecer imposição.
No pronunciamento, Lula deixou transparecer que sem a quebra do bloqueio econômico a Cuba, não se pode acreditar nas promessas de campanha de Obama. Não cabe a Lula, se quer ter boas relações com o norte-americano, colocá-lo na parede como o fez.
Esquece-se que apesar de ser um governante com elevadíssimo índice de popularidade e aceitação por parte dos brasileiros, ele o tem no seu país, enquanto o Obama conseguiu a imensa popularidade em praticamente todas as nações do mundo.
Enquanto os governos expressam votos de sucesso ao futuro homem mais poderoso do mundo, o Lula defende os vizinhos reacionários, sem pensar na possibilidade de estar dando um tiro no pé da cana-de-açúcar que produz o etanol brasileiro...
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Conversa com o meu anjo – II
Ao acordar, antes mesmo de me dedicar à higiene pessoal, resolvi ter mais uma conversa com o meu anjo. Afinal, na última (12.10.08), ele informou que acompanha os meus passos sem considerar as condições que me encontre.
Perguntei:
- Por que eu nasci com o nervo ótico do olho esquerdo atrofiado? Não seria mais lógico, em se tratando de natureza, que o nervo ótico de um olho fosse tão eficaz quanto o do outro?
- Lá vem você com esta mania egocêntrica! Quem lhe falou que a natureza não é perfeita? Ela é tão perfeita que fez o seu olho esquerdo diferente do direito...
- Perfeição para mim é quando há equilíbrio, eqüidistância, justiça, etc. Afinal, sabe como o meu olho esquerdo se sente em relação ao direito? Certamente você por ser anjo não sabe!
- Você, mais uma vez, está enganado. Primeiro quem sente ou não sente não é o seu olho e sim a sua mente; segundo, ele é parte integrante do teu corpo igualzinho a todos os seus outros órgãos. Caso você fosse uma pessoa imperfeita, talvez merecesse os dois olhos iguais, porém só o fato de um olho ser diferente do outro você já se tornou uma imperfeição? Por favor, tente compreender para o diálogo ficar mais proveitoso...
- Está bem! Você quer me dizer que antes do meu nascimento a natureza já sabia que eu não teria os dois olhos perfeitos?
- Partindo do seu raciocínio sobre perfeição onde tudo funciona sem dificuldade está correto, porém não é bem assim. Para que ocorresse a origem e a evolução da natureza foi necessário variações, que você define como outra coisa.
- Agora você está tentando me convencer que perfeição, também é quando as coisas não funcionam corretamente...
- Às vezes sim. As imperfeições não passam de processos para a perfeição. Contudo, você precisa ajustar o seu entendimento.
- Desisto! Esta de dizer que a imperfeição é o caminho para a perfeição está me deixando mais imperfeito do que eu sou!
- Calma, não é porque você tem um probleminha no nervo ótico do olho esquerdo que pode ser considerado imperfeito. Afinal, a sua considerada imperfeição serve para que o seu oftalmologista esteja no grupo dos perfeitos, já que ele descobriu a sua chamada imperfeição.
- Claro que ele não é perfeito. Ele usa óculos! Não agüento mais falar com você. Sempre que lhe procuro para entender alguma coisa em vez de soluções você enche a minha cabeça de dúvidas!
- Antes de me despedir quero lembrar que sou apenas o anjo que te guarda...
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sábado, 1 de novembro de 2008
Iceberg
O que aconteceu de novidade após a crise econômica mundial foi a troca de reais por trinta bilhões de dólares entre os Bancos Centrais Americano e Brasileiro.
Bom seria se as reservas brasileiras, hoje superiores a duzentos bilhões de dólares, fossem ampliadas através de exportações, contudo devido os sinais de recessão mundial (alguns dirigentes afirmam que não vai acontecer no Brasil) à possibilidade de expansão ou até mesmo manutenção do nível das exportações brasileira é improvável que ocorra. Basta ver a decisão da Vale do Rio Doce de reduzir a produção, anunciada ontem.
Os trinta bilhões de dólares enviados pelos Estados Unidos chegarão ao Brasil na forma de empréstimo, sem exigências de cumprimento de condições estabelecidas a não ser devolvê-los em 2009. A outra vantagem é que a moeda brasileira “Real” serviu para garantir o empréstimo.
Sendo esta a forma, difere dos empréstimos feitos pelo FMI e Banco Mundial que firmam condições a serem cumpridas.
Apesar das críticas das oposições, teve um senador empresário cearense (PSDB) que elogiou o governo, fazendo rápida referencia ao assunto quando o Meireles e o Guido foram ao Congresso pedir apoio.
O engraçado é que Lula e o ministro do planejamento falam que as oposições querem ver o Brasil na pior...
Enquanto as cabeças fervem buscando soluções para que os efeitos da crise sejam diminuídos, os discursos populistas de Lula e as idéias do ministro Lobão (PMDB) se calam em relação à fortuna do petróleo e do gás existentes na camada pré-sal.
O que vimos até agora é só a ponta do iceberg...
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
Choro certo no lugar errado
A minha amiga saiu apressada para um velório. Ao chegar, acompanhada do filho, ao cemitério Jardim da Saudade decidiu ir diretamente para o setor de cremação, por entender que o defunto não se encontrava mais na capela devido o atraso.
Ao adentrarem no setor foi alertada pelo filho para a possibilidade de estarem participando da cerimônia do defunto errado. Ela, irredutível, insistiu que a cerimônia que estavam participando era a do seu amigo, já que a família havia decidido cremá-lo, e pelo decorrer do tempo não pairavam dúvidas.
O fato do ambiente se encontrar superlotado, ficou difícil a localização dos familiares do morto e eles terminaram permanecendo no local. O tempo foi passando e a emoção tomou conta da minha amiga. As lágrimas forma muitas e rolaram copiosamente no rosto ao ponto da maquiagem se desfazer, apesar da boa qualidade dos produtos.
O seu filho ensaiou consolá-la, porém, desconfiado que a cerimônia que participavam estava errada voltou a chamar a atenção da mãe:
- Minha mãe, as pessoas que estão aqui são bem diferentes dos amigos do nosso defunto!
Logo após a observação, iniciou-se uma avalanche de discursos em homenagens ao morto, enaltecendo seus feitos e valores, que normalmente são citados nestes momentos. Elogiaram de tudo um pouco, inclusive sobre o desempenho nos palcos dos teatros e as atuações em filmes.
Só quando estes comentários começaram a ser ouvidos, já que ela sabia que o amigo não havia atuado na área teatral, foi que reconheceu o erro: havia chorado pelo defunto certo no lugar errado.
O que estava no setor de cremação era o corpo da inesquecível atriz Nilda Spencer.
Saíram da cerimônia discretamente, como se o filho estivesse retirando a mãe por não suportar mais a perda, e dirigiram-se à capela do defunto certo, sem saber se riam ou choravam, até porque o riso, neste caso, também fez parte da vida de Nilda Spencer.
Esta minha amiga é hilária! Relatou a história, apesar de muito sentida com as mortes. Tomara que o engano se torne inesquecível para que no meu velório ela não incorra no mesmo erro, apesar de faltarem muitos, e muitos anos...
À Nilda, as nossas merecidas homenagens!
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Sugestão hipnótica ao senhor Nino
Desde que Napoleão Bonaparte botou Dom João VI e sua corte para correrem de Portugal, resultando em uma viagem apressada e desastrosa até Salvador, e logo em seguida ao Rio de Janeiro, os que aqui viviam passaram a conhecer uma forma de fazer as coisas acontecerem até hoje usada no país.
O próprio Dom João ao chegar a Salvador divulgou a abertura dos portos para as “nações amigas”, ato eminentemente político, que teve o objetivo de iludir os que aqui habitavam, já que o efeito prático da medida foi diminuto.
É só lembrar que à época, Portugal só tinha de aliado (país amigo) a Inglaterra. Conclui-se facilmente que os navios que poderiam aportar no Brasil eram os calhambeques portugueses e a rica e imponente frota inglesa, que inclusive ajudou à corte portuguesa na fuga.
O único jornal que circulava no país era impresso na Inglaterra, já que no Brasil era proibida a impressão de documentos, para evitar conspirações contra Portugal.
Ao chegar ao Rio de Janeiro o monarca se preocupou em corromper o jornalista Hipólito da Costa proprietário do Jornal Correio Braziliense, impresso na Inglaterra, pagando-lhe um salário mensal, com o compromisso de não ser divulgada nenhuma notícia que desmerecesse a corte.
A impressora que havia sido importada da Inglaterra pelos portugueses foi abandonada no cais do porto de Lisboa, devido a apressada fuga que dificultou o planejamento da viagem da corte para o Brasil.
Quando a geringonça chegou ao Rio de Janeiro, ainda embalada com havia saído da Inglaterra para Portugal, depois de passados mais de seis meses da vinda da corte portuguesa para o Brasil, foi que a Gazeta do Rio de Janeiro começou a ser impresso no país. Tornou-se o primeiro jornal genuinamente brasileiro.
Já naquela época, há duzentos anos, o brasileiro não tinha liberdade de expressão. E quando tinha, era corrompido por interesses políticos e comerciais.
Tenho a impressão que até hoje pessoas menos avisados ainda se privam de expressar opiniões com liberdade intelectual. É uma tristeza, que o provincianismo ainda esteja incrustado na mente de alguns desavisados, não só em relação aos portugueses, mas também às "Americanas"...
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008
O xixi de MD
O meu amigo MD foi a Vitória do Espírito Santo para um seminário. No encerramento participou de uma confraternização no próprio hotel. Serviu-se de fartas doses de uísque, jogou muita conversa fora, e foi ao quarto dormir.
Ao acordar assustado no meio da noite para fazer xixi, em vez de abrir a porta do sanitário abriu a do apartamento. De cueca transitou no corredor do andar sem saber o que fazer na esperança que alguém aparecesse para ajudá-lo a encontrar o vaso sanitário e também o apartamento, já que não se lembrava do número. Terminou entrando no único apartamento cuja porta se encontrava entreaberta e por pura sorte era o dele, caso contrário já estava decidido ir à recepção do hotel, de cueca, pedir ajuda.
Já na habitação, sem se lembrar como tudo havia acontecido, a história foi confirmada por Alberto que se encontrava no local, dividindo as acomodações. Alberto o surpreendeu encostado em um canto do quarto assustado. Ele não sabe dizer onde MD fez xixi.
No dia seguinte, discretamente, pagaram as contas e pegaram o avião de volta.
Este meu amigo, segundo sua esposa, já urinou em ar condicionado, em geladeira, em tênis, e em guarda roupas. Para ele, basta exagerar um pouco na dose e tudo se parece com um vaso sanitário.
Ainda bem que MD só acorda à noite com vontade de fazer xixi, você já imaginou se fosse com diarréia...
Ao ser questionado pela esposa, MD disse que se descuidou porque estava hospedado no local do evento e não se preocupou com a Lei Seca.
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
O fio do bigode
Não bastou a injeção de muito dinheiro no sistema financeiro para amenizar os efeitos da crise mundial. O sistema, desde a época dos nossos tataravôs funciona na base da credibilidade. Naquela época, bastava o fio do bigode do banqueiro ou do devedor para garantir respectivamente o depósito ou o pagamento da dívida. Hoje é diferente, o sistema financeiro não espera fio de bigode crescer, funciona com base em informações divulgadas a cada minuto e com velocidade virtual. Não estamos mais a falar da crise de 1929, época em que até o telefone funcionava com dificuldade.
Para acalmar o mercado foi necessário o primeiro ministro inglês Gordon Brown anunciar a disposição de comprar as ações dos bancos em dificuldades, atitude acompanhada por outros chefes de governos da Europa.
É lógico que se o anuncio tivesse sido feito por Bush o efeito não teria sido o mesmo, porque lhe falta credibilidade, não só nos Estados Unidos, mas, principalmente no resto do mundo envolvido na crise americana.
As velhinhas americanas que pouparam suas economias investindo em ações, diretamente ou através de Fundos de Pensões, estão a ver navios sem saber o que fazer. Enquanto isto a Cristina Kirchner, presidenta da Argentina quer estatizar os Fundos de Pensões, argumentando que a carteira das Administradoras de Recursos de Aposentadorias e Pensões, os maiores investidores institucionais do país, está composta em quase 70 por cento de ações, acarretando perdas de até 45% dos patrimônios. Ou seja; quem possuía R$100.000,00 aplicados em um Fundo de Pensão antes da crise hoje só possui R$68.500,00. Aproximadamente R$31.500,00 viraram éter.
Há oposição à presidenta Cristina com relação à intenção de estatizar os recursos, não só pela ex-candidata à presidência Elisa Carrió, mas, também pelo próprio sistema financeiro que deixará de ganhar a “taxa de administração” sobre aproximadamente trinta bilhões de dólares destes fundos.
O que está em discussão no caso argentino é se a opção pela estatização foi colocada como parte da preocupação do governo em relação às aposentadorias ou se trata de uma oportunidade para gerir recursos com o objetivo de tapar o buraco das contas do governo.
Esperamos que o governo brasileiro não proponha medida parecida com a da Argentina, apesar de alguns fundos de pensões ligados a empresas estatais terem sido pegos, pela crise, de calças curtas. No caso brasileiro o problema não é diferente da Argentina, tem fundo de pensão de empresa estatal com patrimônio atolado em ações.
Vale lembrar que se alguma medida for tomada neste sentido quem vai sofrer as conseqüências serão os contribuintes, muitos dos quais sequer são segurados do INSS.
Não custa lembrar que aproximadamente dois terços do patrimônio destes fundos foram recursos retirados dos contribuintes. Não é justo que estes mesmos contribuintes venham a ser chamados a tapar o rombo da má gestão e das concessões especiais feitas pela Secretaria de Previdência Privada.
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quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Leo Kret
Este site fez uma enquete a respeito da eleição do vereador Leo Kret, para a Câmara de Vereadores de Salvador, com o intuito de tentar entender a expressiva votação conseguida por uma pessoa sem tradição política e as reações de eleitores a respeito do resultado.
A provocação foi feita com base em declarações do vereador a respeito da intenção de uso dos sanitários reservados para as mulheres e quanto ao uso de roupas femininas na Câmara.
Sessenta e oito por cento dos que responderam à pesquisa votaram contra o travesti usar roupas femininas na Câmara e utilizar-se dos sanitários destinados às vereadoras da casa.
Em reuniões sociais que participei no período da pesquisa, provoquei o debate sobre o assunto e obtive os seguintes depoimentos:
- “Ele tem que cumprir o regimento da câmara. Vestir roupa masculina.”
- “A câmara precisa fazer um sanitário para gays.”
- “Caso eu fosse vereador eu não me sentiria bem em tê-lo ao lado fazendo xixi.”
- “Sanitário de mulher é para mulher.”
- “Aquele cara tem que tomar vergonha e parar com estas frescuras, ele já começou mal.”
- “O voto a ele concedido foi de protesto, porque nem a comunidade gay o apoiou.”
- “O que é que ele sabe de política para ser vereador? Não está vendo que o povo não sabe votar?”
- “Você acha que ele vai saber discutir propostas para a cidade?”
- “Acho que ele tem que ser discreto. Assim dá para tolerar. Agora se ficar fazendo frescuras ninguém agüenta...”
Por último, provoquei o Junior enquanto cortava o meu cabelo:
- Você viu Junior, a renovação da câmara foi grande e Leo Kret foi um dos vereadores mais votados...
Para que eu fiz isto. Junior parou de cortar o meu cabelo, começou a sacudir com ênfase os braços com a tesoura grudada nos dedos, e disse:
- É por isso que eu sou a favor da ditadura! Como é que pode um cara daquele se eleito?
- Junior, você é um rapaz jovem e não sabe o que é ditadura.
- É, fica neguinho com som de carro nas alturas, mijando na rua, e não acontece nada! Eu queria ver acontecer isto na ditadura...
- Junior, na época da ditadura também se urinava nas ruas. Não queira vivenciar um regime totalitário porque não é bom pra ninguém.
Percebi que era melhor me calar, para que o cabelo terminasse de ser cortado. Afinal, ele já anda contrariado com a campanha do seu time. Foi o que fiz. Tentei mudar de assunto quando outro cliente que se encontrava no salão falou:
- Vocês viram, as pesquisas de intenção de votos estão mostrando que o Barack Obama está com 14% na frente do John McCain. O cara vai ser eleito!
Pensei em falar que o candidato citado está gastando uma fortuna em segurança devido ao preconceito que existe nos Estados Unidos em relação a negros. Ainda bem que me lembrei que o Junior é negro. Ele poderia novamente parar de cortar o meu cabelo, sacudir os braços e começar a falar sobre a conveniência das ditaduras. Por cautela, mantive-me calado.
O preconceito referente a homossexuais é dissimulado. Muitos não declaram para parecerem “politicamente corretos”. Quando se trata de ter homossexuais e negros como representantes rechaçam a idéia, apesar de viverem em regime democrático que tem como filosofia o respeito às opiniões divergentes e a aceitação das minorias.
Ao ouvir um negro brasileiro discriminar um homossexual, nos remete aos assassinatos de John Kennedy e de Martin Luther King, e à apreensão com o futuro de Obama, apesar da sólida democracia americana.
Quanto a Leo, é uma questão de tempo. Uma solução será dada, e chegará o momento que as questões municipais sobreporão as “frescuras” do Kret. Afinal, Salvador é uma cidade eclética e multifacetada.
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domingo, 12 de outubro de 2008
Conversa com o meu Anjo - I
Para conversar de forma proveitosa com um anjo, que é um mensageiro de Deus, imaginei ser necessário haver preparação. Foi o que fiz. Tomei banho, sentei em uma poltrona e aproveitei para descansar os meus braços sobre os dela, e esvaziei a mente.
Senti que havia chegado o momento do diálogo. Perguntei ao meu Anjo:
- Preciso me exorcizar com água benta ou o que fiz basta?
- Não. Eu lhe acompanho, sem que percebas, mesmo quando você está sujo, suado, e mal vestido.
- Então por que não me fala quando percebe que necessito?
- Falar o que? É você quem tem que descobrir os seus caminhos...
- Se é assim, para que eu quero um Anjo me acompanhando? Imaginei que fosse para me orientar.
- Enganou-se, anjo é para guardar a pessoa e não par dizer o que tem que ser feito. Siga a sua a consciência.
- Por isso às vezes fico perdido. Em vez de consultar a minha consciência fico aguardando você me conduzir. Por todos estes anos pensei assim... Veja quanto tempo eu já perdi!
- Ora, você perdeu tempo por presunção. Deveria ter consultado sobre o meu papel. Não lhe falei isso antes porque anjo não fala enquanto não é procurado.
- Pelo visto você quer inverter os papéis. Quer dizer que a culpa é minha. Eu me preparei para uma conversa com você e tudo o que ouço é isso: ”siga a sua consciência”!
- Você acha isso pouco? Estou chegando à conclusão que você é realmente muito presunçoso.
- Realmente eu acho muito pouco você me dizer “siga a sua consciência”. A minha mãe, quando viva, também dizia a mesma coisa.
- Agora, entenda porque sou eu o seu Anjo.
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Tirem o doente de lá!
Quando o doente se encontra em fase terminal, não adianta levá-lo para uma UTI e submetê-lo a aplicações desordenadas de medicamentos.
A crise financeira que o mundo atravessa apesar de previsível, suas conseqüências foram avolumadas devido os governos dos Estados Unidos e da Europa não terem conseguido sensibilizar, no momento oportuno, os poderes legislativos e a população para implantar medidas necessárias ao enfrentamento.
O dinheiro que ainda não virou pó em instituições falidas e nas bolsas de valores em todo o mundo está empossado em bancos que não mostram disposição para repassá-los aos clientes, até que o vento comesse a soprar favorável e limpe as nuvens que impede visualiza-se o horizonte.
Por mais que os governos coloquem recursos no mercado o efeito sobre a economia real tem sido tímido para não dizer nenhum. Com isso a recessão na Europa, nos Estados Unidos, e na Ásia já deu sinais. A população já parou de consumir.
A quebra do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos, induzido pelo próprio tesouro americano para justificar que já existia um defunto no armário e, portanto, precisava que o congresso aprovasse o pacote enviado por Bush, terminou sacudindo a credibilidade bancária. O tiro saiu pela culatra.
É bom que se diga que sem credibilidade o mercado financeiro não voltará a funcionar com normalidade, e o descuido de Bush com o doente Lehman Brothers terminou atrapalhando a credibilidade esperada, após a divulgação da injeção de recursos.
Não é difícil ouvir citações de economistas que a crise já chegou ao Brasil. Fico em dúvida se o presidente, ao fazer declarações otimistas, ainda não tomou consciência do fato; se quer enganar o povo; se está impregnado com o sucesso econômico dos últimos anos e a ficha ainda não caiu; ou se ainda não desceu do palanque das campanhas? Quero acreditar que ele consegue entender tecnicamente o que está ocorrendo, porque negar esta crença é reconhecer o risco que estamos corremos. Dizer que o Natal será muito bom e o Ano Novo será excelente é afirmação insensata.
O Brasil tem a vantagem de produzir produtos agrícolas que continuarão sendo necessários aos povos e ao consumo interno, contudo os preços destas commodities no mercado externo estão despencando e as contas públicas certamente ficarão no vermelho este ano e também em 2009, apesar da carne, da soja e de outros produtos brasileiros continuarem com mercado externo garantido.
Um fato que ajuda a America Latina na crise é a redução do índice de pobreza ocorrido nos últimos anos. Terminou por incluir parte da população no mercado consumidor, especialmente o de alimentos aqui produzidos.
Neste caso a depreciação do valor do real ajudará a compensar parte das perdas dos preços futuros, porém poderá impactar no aumento dos custos já que alguns dos insumos usados na produção agropecuária são importados e depende da variação do dólar.
As dívidas existentes no mundo dos negócios, feitas através de contratos em dólares faz com que a moeda americana se mantenha apreciada, e não perca importância no fluxo dos negócios comerciais, apesar dos recentes acontecimentos.
A taxa de juros Selic mantida no patamar atual possivelmente favorece a queda dos preços das ações na BOVESPA. Não está havendo interesse dos investidores em aproveitar os baixos preços das ações para ampliar suas carteiras. É mais fácil e seguro ganhar menos dinheiro, agora, com CDB e títulos do governo federal do que aventurar comprar ações para arriscar ganhos futuros.
Enquanto os investidores externos vendem suas ações para pagar compromissos no exterior os brasileiros mantêm as posições para não realizar prejuízos.
Enganam-se os que se consideram fora da crise, porque de alguma forma serão atingidos.
O doente está na UTI e os governos não sabem como tirá-lo de lá! É bem provável que surja uma nova ordem mundial...
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Eduardo Andrade
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
O carteiro e o poeta
Um dos mais importantes poetas do século vinte serviu de enredo para o filme “O carteiro e o poeta” dirigido por Michael Radford.
Trata-se do chileno Pablo Neruda, que passou a sua infância em Temuco, cidade ao sul do Chile, ladeada pelo oceano Pacífico e pelas cordilheiras dos Andes.
Nobel de literatura em 1971 o poeta Neftalí Ricardo Reyes, logo cedo, adotou o pseudônimo de Pablo Neruda em homenagem a outro também poeta tcheco, nascido em 1904, que tinha o nome de Jan Neruda.
Quando foi cônsul do Chile na Espanha, na época da guerra civil espanhola, se envolveu com movimentos de esquerda e aderiu ao marxismo, no qual se inspirou para dedicar sua obra aos interesses sociais.
Foi senador pelo partido comunista e teve o mandato cassado após o governo colocar o partido na ilegalidade. Exilado, abandonou o país e ao retornar ao Chile com sua terceira mulher Matilde Urrutia fixou residência em Isla Negra banhada pelo Pacífico.
No filme “O carteiro e o poeta”, Neruda é representado pelo excelente ator francês Philippe Noiret. Mantém um diálogo permanente, inteligente, e respeitoso com o único carteiro da ilha, contratado exclusivamente para servi-lo enquanto lá estava ao lado da mulher Matilde (Anna Bonaiuto).
O ator Massimo Troisi dá um show de interpretação no papel do carteiro Mário Ruoppolo. Na história ele se apaixona por Beatrice Russo (Maria Grazia Cucinotta).
Apesar de ingênuo, Mário era dotado de extrema sensibilidade, a qual foi aguçada após o convívio com Neruda, e consegue despertar interesse sobre os sentimentos humanos ao ponto de desejar tornar-se também poeta. Para chamar a atenção da Beatrice, usa o prestígio do poeta e também um dos seus poemas, e termina criando uma grande confusão.
Após o retorno de Neruda para o Chile, Beatrice fica grávida e Mário se envolve em movimentos socialistas na Itália, culminando com sua morte em um comício, no qual foi convocado para ler uma poesia feita por ele próprio.
Neruda retorna a Ilha para visitar Mário e teve a desagradável surpresa da sua prematura morte.
O filme tem uma bela mensagem, inclusive no que se refere ao cuidado que os intelectuais devem ter ao tratar com pessoas de pouca formação.
No caso específico o envolvimento foi tão grande que em uma das últimas cenas Neruda deixa transparecer o seu arrependimento no que se refere à falta de cuidado que teve em relação a Mário.
Na vida real, Neruda foi novamente nomeado embaixador em Paris em 1971, e após o golpe que derrubou Salvador Allende e deu início à ditadura no Chile o poeta morre (1973) deixando uma magnífica obra literária.
O filme foi exibido recentemente pela ECOS, em mais uma das suas promoções culturais para os associados.
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Se correr o bicho pega, se parar o bicho come
É claro que não foram as eleições ocorridas ontem no Brasil que fizeram com que a Bovespa hoje vazasse semelhante a uma hemorragia incontrolada.
Com o propósito de diminuir o efeito “Maria vai com as outras” as operações foram suspensas em dois momentos, porém os donos dos bois continuaram mantendo as porteiras abertas para aliviarem as pastagens.
Em 1890 a bolsa de valores Nikkei do Japão sofreu algo parecido com o que está acontecendo no Brasil. O mesmo aconteceu com a bolsa de valores de tecnologia Nasdaq dos Estados Unidos em 2000 quando estourou a “bolha”.
Nenhumas das citadas retornaram ao patamar de pontos daqueles anos. Logo, não se pode esperar que o Ibovespa, no Brasil, venha recuperar os mais de trinta mil pontos perdidos depois da crise.
As constantes valorizações do dólar americano no mercado brasileiro tem acarretado preocupação do governo, já que o cobertor é curto.
Os economistas opositores à política econômica que manteve reservas “elevadas” em dólares, agora, com a crise, estão todos calados.
Os mais de duzentos bilhões de dólares existentes no cofre do tesouro poderão não ser insuficientes para suprir as necessidades do país. Neste momento as políticas monetária e cambial terão que ser operadas com sabedoria.
Vejamos:
. Se o governo oferta dólares ao mercado, a cotação da moeda tende a baixar e poderá favorecer aos bancos, aos importadores de máquinas e insumos, aos exportadores, e favorecer o equilíbrio das contas externas;
. Se o governo obtiver, com a medida, valorização do real, possivelmente poderá diminuir os efeitos da variação do dólar sobre a inflação, impedindo a elevação dos preços no atacado;
. Se o governo oferta dólares ao mercado através de operações chamadas swap, alugando os dólares que possui, e por algum motivo a recompra não ocorrer, certamente as reservas cambiais não serão repostas, o que não é bom para o país;
. Se o governo oferta dólares além do que o mercado demanda, o valor da moeda poderá cair a patamares que incitará os especuladores a compras para ganharem com a valorização futura no momento que as reservas estiveram no patamar atual.
Enquanto isso, o que fazer com a taxa de juros Selic usada como política monetária pelo governo? Economistas renomados e o próprio vice-presidente da república criticam o patamar em que ela se encontra. Dizem que taxa de juros elevada não controla a demanda por se tratar de inflação importada.
Agora que as eleições já ocorreram, algumas obras do PAC serão colocadas no compasso de espera, e a decisão de criação de uma empresa para explorar o petróleo da camada pré-sal poderá ser adiada.
O que ninguém vai ouvir falar é sobre o enxugamento da máquina pública, para viabilizar, de forma menos danosa, o superávit orçamentário, tampouco sobre a disposição do governo em encaminhar uma reforma tributária decente.
Enquanto isso Leo Kret (clik aqui para ver video) está satisfeitíssima(o) por ter sido a quarta(o) mais votada(o) para vereadora(o) em Salvador.
Nota - O masculino e o feminino foram usados na composição da frase anterior por não saber como me referir à pessoa citada. Desde já afirmo que não há nenhum preconceito ou intenção discriminatória.
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Depois do salto alto, pé no chão.
Precisou a terra tremer para o nosso presidente colocar os pés no chão!
Antes do dia vinte e nove de setembro, dia que o congresso americano rechaçou o plano de Bush para salvar a economia mundial, Lula apregoava em alto e bom som, que a economia brasileira não seria afetada pela crise mundial. Falou até que havia telefonado para o Bush e dito para ele resolver o “pepino” que ele havia criado.
A decisão de liberar os depósitos compulsórios para cem bancos brasileiros no mês de setembro foi anunciada pelo governo como forma de manter a economia interna com pujança, e não por necessidade de reforçar as tesourarias destes bancos.
Este “salto alto” político, em véspera de eleição, já foi visto pelo povo brasileiro na época da reeleição do FHC. Naquele momento, FHC dizia que a economia estava bem, e logo após a sua reeleição o povo, iludido, sentiu o arrocho.
Agora, a diferença para o que aconteceu no passado é que naquela época quem estava concorrendo à reeleição era o próprio FHC. Lula quer fazer a base de prefeitos e vereadores para garantir a eleição de Dilma à presidência.
Ocorre que o bebê é tão grande que não deu para continuar escondendo com uma cinta elástica por mais uma semana, até as eleições. Ele nasceu antes do casamento, marcado para o próximo domingo...
O engraçado da história foi o reconhecimento da crise, por Lula, ao lado do ditadorzinho Hugo Chaves, que é o maior opositor na América do Sul ao governo Bush.
Até o Hugo Chaves está com medo. O petróleo produzido em seu país poderá ficar encalhado, já que a maior parte do produto exportado tem como destino os Estados Unidos.
Para aumentar a sua preocupação, a Rússia que é um país simpático às loucuras do Chaves, também é grande produtora de petróleo e pode, em menor escala sofrer conseqüências.
O governo brasileiro, só agora, promete planejar ações para defender a sociedade da crise. Lamentável, porque o chamado "time" já passou. Só restam as ações, porque só houve interesse em planejar as eleições...
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
O dia que a terra tremeu
A família reúne-se e aguardar a visita do futuro genro, com a certeza que durante a reunião ocorra o pedido do casamento, já que a noiva esta grávida.
A situação financeira da família possivelmente será resolvida após o evento.
Ocorre que o momento político impede o noivo de fazer o pedido e termina sugerindo que a noiva faça um aborto, para não prejudicá-lo na sua campanha à reeleição.
Foi mais ou menos o que ocorreu hoje nos Estados Unidos.
O mercado mundial apostou que o pacote de setecentos bilhões de dólares enviado ao Congresso pelo presidente Bush seria aprovado, e os congressistas que são companheiros republicanos do presidente negaram o apoio. Ou seja; deixaram o bebê no colo do Bush e defenderam suas reeleições, já que os eleitores americanos estão contra o pacote.
Hoje o mercado financeiro derreteu, após o resultado da votação.
As Bolsas de Valores mundiais apresentaram fortes baixas com quedas expressivas de ações de grandes bancos, de empresas do setor de consumo, e de commodities.
Apesar de o presidente Lula apregoar que o Brasil estava imune à crise americana, incentivando os brasileiros a continuarem se endividando e consumindo de forma atabalhoada, a Bolsa de Valores no Brasil teve que interromper suas operações para não despencar ainda mais.
O epicentro do terremoto começou no território americano, contudo a sua economia por ser a maior do mundo continua com suas construções na vertical. Enquanto isso o resto do mundo deseja que elas se mantenham de pé, caso contrário as pequenas economias, a exemplo da brasileira, irá à bancarrota.
Caso não haja uma solução para o problema, pode-se aguardar inflação, redução de crédito, recessão, e desemprego.
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sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Dulcinéia
Trin, trin, trin...
- Alôôô...
- Meu pai, eu estou grávida.
- Ótimo, meus parabéns! É homem, ou mulher?
- Ainda não sei.
- Precisa ver para decidir o nome! Se for homem poderá chamá-lo Wilton. Sendo mulher acho que podemos chamá-la Dulcinéia.
- Dulcinéia meu pai? Que nome!...
- Não chega a ser bonito..., porém sua dona motivou as aventuras do Cavaleiro da Triste Figura, também conhecido como Cavaleiro dos Leões. Lembra-se de quem estamos falando? Da amada de Dom Quixote de la Mancha. O herói de grandes proezas gostava tanto deste nome que chegou a trocar o verdadeiro nome de Aldonça Lourenço para Dulcinéia de Toboso. Se bem que Aldonça também não é um nome bonito.
- Sei, mas será que não poderá ser um nome mais bonitinho?
- Poderá, contudo temos que pensar em um nome sugestivo, cuja dona possa vir a ser amada com a mesma intensidade que Dom Quixote amou Dulcinéia! O risco que ela corre é o seu futuro admirador arranjar um fiel escudeiro parecido com o Sancho Pança...
- Ainda bem que você lembrou-se de Sancho. Já pensou a minha Dulcinéia conquistar um cavaleiro andante que tenha um fiel escudeiro parecido com Sancho Pança? Decididamente, precisamos pensar em outras opções.
- Está bem, concordo. Afinal ainda não sabemos se vai ser homem ou mulher... Porém se for homem, em vez de Wilton que é nome de hotel, pode colocar Robinho.
- Robinho, meu pai, não é nome. É apelido de jogador de futebol!...
- Tá, falaremos sobre isto depois. Você está bem?
- Sim.
- Ótimo! Beijos para você e para Dulcinéia...
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quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Sinais dos tempos
Quanto maior o risco maior o lucro.
É assim nas atividades ilegais e também nas legalizadas.
Quando um banco fica sem caixa no fim do dia, recorre à outra instituição financeira que tem sobra de caixa e faz um empréstimo por um dia.
Quando esta prática começa a se repetir sucessivamente, é sinal que a instituição requerente não está conseguindo captar recursos no mercado para cumprir suas obrigações.
Logo, a instituição que emprestou acende uma “luz amarela” e procura sair de baixo.
Neste caso a comunicação entre as tesourarias das instituições financeira é rápida e sem emoções, levando outras instituições também fecharem os cofres.
Para sair da crise a instituição recorre às operações de redesconto do Banco Central e supre as suas necessidades. Neste caso, também, o Banco Central acende uma “luz amarela”.
Esta semana o Banco Central divulgou medidas para reduzir os depósitos compulsórios (recursos captados pelos bancos e recolhidos ao Banco Central) de aproximadamente cem instituições financeiras, com o objetivo de diminuir a pressão de demanda por recursos entre elas.
Quando a “luz vermelha” vai começar a aparecer?
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domingo, 21 de setembro de 2008
Caim e Abel
O livro Caim e Abel escrito por Jeniffer Archer descreve, entre outras ocorrências históricas, a situação de desespero que tanto Caim como Abel foram submetidos quando a Bolsa de Valores americana quebrou no ano de 1929.
Naquela época não existia a economia globalizada. Mesmo assim os efeitos forma sentidos em outros países, e no Brasil chegou a prejudicando as exportações do café que representava o maior percentual da nossa balança comercial.
Atualmente, quando a economia americana - a maior do mundo - tem dificuldade de respirar, os demais países ficam gripados.
Bancos Centrais de países de economias fortes a exemplo do Japão, Inglaterra, Comunidade Européia, etc. correram para ajudar a salvar a economia globalizada devido à falta de regulamentação financeira praticada na terra do Tio Sam.
Fala-se que este “meteorito” é maior que o da crise de 29, e se não for, os efeitos estão sendo sentidos mais rapidamente devido à velocidade das informações.
A internet tem sido uma ferramenta importante nas transferências financeira internacionais.
A falência de uma instituição financeira nos Estados Unidos que demoraria meses para ser decidida, na semana passada a justiça surpreendeu os investidores. O juiz James Peck sensibilizado com a crise, autorizou a venda dos ativos do banco Lehman Brothers para o banco inglês Barclays, logo após o pedido.
Na interessante história escrita por Jeniffer Archer, Abel que era um imigrante polonês montou a rede mundial de Hotéis Barão a partir dos Estados Unidos, enquanto Caim filho de um banqueiro americano ajudou a recuperação de Abel, sem que ele soubesse, porém terminou sofrendo as conseqüências impostas pelos solavancos das crises políticas e econômicas americanas.
No caso brasileiro, quando o governo FHC fez o chamado Proer, para socorrer o sistema financeiro brasileiro as oposições reclamaram que o dinheiro público estava sendo usado para salvar banqueiros quebrados. Agora, o próprio Lula diz que o Bush precisa dar uma solução para a crise. Sabendo ele que ela passa pelo uso do dinheiro público americano.
Além dos recursos do contribuinte americano o resto do mundo correu para socorrer o Bush, enquanto no Brasil a conta foi paga pelos tupiniquins.
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Ensaio sobre a cegueira
O filme Ensaio Sobre a Cegueira dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles consegue retratar com fidelidade os questionamentos do livro de José Saramago que lhe serviu de roteiro.
Quem leu o livro antes de ver o filme, certamente aproveita melhor a história.
Enquanto a leitura permite a interrupção conveniente para saborear alguns momentos de reflexão sobre o texto, o filme envolve o expectador conforme a visão do diretor.
Para ser justo, o Meirelles consegue dar fidelidade à história, contudo o livro permite imaginar e divagar conforme as experiências, os valores éticos, e os momentos emocionais de cada leitor.
A linguagem do filme é mais leve que a do livro, até porque estamos a falar de José Saramago. Contudo, Fernando Meirelles consegue com maestria transformar em imagens o intrigante e reflexivo texto de Saramago.
A cidade hipotética criada pelo autor, cuja população foi tomada por uma cegueira epidêmica e misteriosa, mostra a capacidade do ser humano de adaptar-se a situações adversas; a pouca importância dada pelos governantes às minorias; a formação de grupos para defender interesses comuns; a prática do oportunismo; o afloramento do egoísmo; e o quão degradante pode ser o mundo com a ausência de serviços aparentemente simples com a energia elétrica, o abastecimento de produtos alimentícios, e a água tratada.
A mulher do médico, personagem representada pela atriz Julianne Moore, única pessoa da cidade que dribla a cegueira, certamente foi salva da peste pelo autor Saramago para que, através dos seus olhos, poder descrever os acontecimentos.
Fora o relato dado, como tarefa, à mulher do médico age em determinados momentos com emoções naturais de um ser humano em situações adversas, cujos valores morais e sociais são mudados rapidamente de acordo com as situações, a exemplo do que acontece nas catástrofes e nas guerras.
Possivelmente, na personagem está incorporado o próprio autor José Saramago.
A experiência de ter lido o livro e visto o filme é sem dúvida enriquecedora.
Proporciona uma visão da não visão, e quanto o ser humano está vulnerável aos ensinamentos, para não dizer castigos, da natureza.
O filme tem no seu elenco além de Julianne Moore no papel da "mulher do médico", o conhecido Mark Ruffalo como "médico", a brasileira Alice Braga, que já atuou em mais de dez filmes inclusive em Cidade Baixa e Cidade de Deus, no papel da prostituta "Mulher dos Óculos Escuros", o experiente Danny Glover no papel do "Velho da Venda Preta", além de Gael García Bernal que atuou como Che Guevara no filme Diários de Motocicleta no papel de "Rei da Ala 3", e o outro experiente ator Maury Chaykin, que já trabalhou em mais de cento e quarenta filmes, inclusive Dança com Lobos, no papel do "Contador".
Observe que nenhum dos personagens possui nome.
O filme merece ser visto e discutido, assim como o livro que lhe deu origem.
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terça-feira, 16 de setembro de 2008
Mi Buenos Aires querido
Desta vez só faltaram Piazzola e Gardel.
Encontrei-me algumas vezes, na semana passada, com o poeta maranhense Ferreira Gullar que também estava em Buenos Aires para lançar um livro na Embaixada do Brasil.
Foi grande o prazer de ter me hospedado no mesmo hotel que o carismático brasileiro.
Não bastasse à oportunidade de compartilhar o restaurante, o elevador, e trocar algumas palavras com o maranhense, em determinado momento ouvi de Gullar a observação que apesar de ter feito a troca de dólares por pesos em uma casa de cambio, ao usar uma nota de cem para pagar o ingresso a um teatro, foi surpreendido com a informação de que a mesma era falsa.
Aproveitei para comentar que em todos os lugares que paguei despesas com cédulas, pesos ou dólares, quem os recebia tinha o cuidado de verificar se o dinheiro era falso. Na dúvida, receber notas de cem pesos ou dólares eram evitadas com receio de maiores prejuízos.
Rui Gregório, um dos amigos que se encontrava no nosso grupo, recebeu em troco, vinte pesos, na loja da rede Disco de Supermercado. Ao tentar pagar uma corrida de taxi o motorista rechaçou, de forma elegante, dizendo que a cédula estava com anotações em caneta. Posteriormente ele tentou pagar uma conta, com a mesma nota, em um café e lhe foi informado que ela era falsa.
Ali, aprendemos como identificar notas de pesos falsas, e nos habituamos a conferir as recebidas em troco.
Os pagamentos feitos em dólares ou em reais também são tateados e colocados contra a luz, para conferir suas veracidades.
A alternativa para não receber troco ou não passar por constrangimento de ser considerado “possível passador de notas falsas” é usar cartões de crédito. Neste caso o risco também existe.
Em dezembro do ano passado ao comprar em um free shopping no aeroporto de São Paulo eu tive a surpresa de ter um cartão clonado. Em conseqüência a quadrilha realizou compras superiores a três mil reais. Tive a sorte das compras terem sido feitas por internet as quais forma autorizadas pelo próprio cartão. Facilitou a minha defesa, contudo tive que enviar uma serie de justificativas à operadora.
Em resumo, não só o poeta Ferreira Gullar e Rui Gregório passou por constrangimento, eu também, no aeroporto ao pagar a taxa de embarque com uma nota de cem dólares tive que suportar a senhora responsável pela cobrança apalpá-la, não menos de três vezes, antes de passar o troco. Ainda bem que os dólares que possuía foram adquiridos no Brasil e tive o cuidado de levar comigo os comprovantes da troca. Caso fossem falsos poderia ter amargado o constrangimento de responder questionamentos à polícia federal local.
Vai uma recomendação: quem for à capital portenha, além de se divertir, precisa ficar atento ao receber troco em pesos. Os argentinos aproveitam turistas para desovarem as notas falsas.
Desta vez só faltaram Nertor Piazzola e Carlos Gardel, porque de tudo vi um pouco nos sete dias que lá passei inclusive as homenagens feitas a eles na casa de show “Señor Tango”.
Quanto ao nosso poeta Gullar segue um link para quem quiser tragar um pouco do famoso “Poema Sujo” escrito em Buenos Aires no ano de 1975.
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Eduardo Andrade
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Quero ver Cuba lançar...
Ninguém fala com clareza em Cuba, porém a decisão do governo de reajustar em 60% os preços dos combustíveis induz a conclui-se que a Venezuela, seu principal parceiro político, começou a retirar o apoio ao regime cubano, após a saída de Fidel Castro do centro do poder.
Cuba tem dependência energética e importa diariamente noventa e dois mil barris de petróleo da Venezuela.
Ocorre que a inflação no país exportador do ditadorzinho do petróleo Hugo Chaves tem dado sinais de alta e sem perspectiva de controle.
A medida divulgada pela ditadura cubana de reajustar os preços dos derivados de petróleo deixa transparecer que houve algum sinal de Hugo Chaves para o Raul Castro, de Cuba, da disposição de tratar o país com menos consideração, até porque a popularidade do Hugo não está lá estas coisas, devido à inflação.
Ora, Fidel irmão do Raul, e Hugo declararam recentemente serem contra a utilização da cana-de-açúcar como matéria prima para a produção de etanol.
Agora parece que pelo menos o Fidel terá que engolir o que falou, até porque com o preço do petróleo está em queda, e as divisas internacionais venezuelanas tendendo a cair, prejudica ainda mais o combate à inflação local. Não bastassem os sinais de apreciação do dólar na última semana.
Cuba dispõe de cana-de-açúcar que poderá servir de matéria prima para o etanol, e certamente não terá problema em receber um presente de Lula: a tecnologia brasileira. Até porque o Brasil e Cuba estão unidos desde a música composta por Caroço e Azeitona:
“O Brasil vai lançar um foguete,
Cuba também vai lançar
Quero ver se "Cuba lança"
Quero ver "Cuba lançar".
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Evo, e o gás nosso de cada dia
A oposição ao governo de Evo Morais na Colômbia posiciona-se contrária a mudança na constituição daquele país, que direciona o estado para políticas socialistas e indigenistas.
Quem poderá sofrer com os movimentos oposicionistas do chamado Conselho Nacional Democrático será o Brasil e a Argentina, que dependem da importação do gás boliviano para movimentar muitas plantas industriais.
Foi anunciado na cidade de Santa Cruz por prefeitos e líderes de departamentos bolivianos o interesse da autonomia regional, e o possível corte no fornecimento de hidrocarbonetos ao exterior, através do bloqueio de gasodutos que diariamente fornecem aproximadamente trinta milhões de metros cúbicos de gás natural ao Brasil e a Argentina, devido às propostas de mudança constitucional.
Outro fato que as oposições rechaçam é a cobrança do “imposto petroleiro” para lastrear o pagamento de uma “renda universal a anciões”.
De qualquer forma a nova Carta Magna aprovada em dezembro que reconhece mais poder às minorias indígenas e proíbe a existência de latifúndios, tenta consolidar o controle econômico pelo Estado.
Enquanto o Evo reforça a segurança nas estruturas de fornecimento do gás ao Brasil e Argentina, as oposições se movimentam, abertamente, contra o Estado centralizador, a exemplo do que já acontece na Venezuela do ditadorzinho Hugo Chaves.
O referendo à nova Carta Magna que deverá ocorrer no próximo dia sete de dezembro tropeça na necessidade de aprovação de uma lei convocatória ao referendo, e a aprovação dependerá também da oposição.
Pelo visto, o gás que o governo brasileiro diz existir sob a camada pré-sal será importante para a economia e tranqüilidade do país, já que se tornará independente de vizinhos que insistem em modelos de governos superados e esquisitos.
Só pra lembrar: Cuba dava “certo” enquanto a União Soviética mandava dinheiro.
Agora, que a inflação na Venezuela continua alta e o preço do petróleo vem dando sinais de estabilidade em trono de cem dólares, Hugo Chaves perde força e possivelmente ao arrotar futuras arrogâncias desmedidas colocará a mão na boca para diminuir o efeito da pouca educação.
Não se faz necessário um regime socialista para se praticar ações sociais em benefícios da população. Depende da vontade política e de geração de riquezas.
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Eduardo Andrade
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sábado, 30 de agosto de 2008
Também quero roer!
Quando algum dinheiro cai do céu é uma surpresa. Mesmo que não haja projetos para usá-lo, eles começam a ser elucubrados.
É o que está acontecendo com o petróleo que foi descoberto na camada pré-sal.
A diferença é que em vez da riqueza cair do céu, como raramente acontece, ela está nas profundezas do mar.
Os recursos previstos da futura exploração do petróleo na camada pré-sal, deixa o governante eufórico. Imagina dar solução para a maioria dos problemas estruturais e sociais, e tornar-se o verdadeiro “salvador da pátria”. A cada dia muda a opinião, e surgem justificativas para por a mão na fortuna.
Enquanto aguarda receber as recomendações da comissão interministerial, encarregada de analisar a situação, a boa nova continuará sendo usada nos palanques políticos, informando aos eleitores que o futuro é promissor.
A solução pode parecer fácil, contudo possui nuances que não devem ser deixadas pro lado.
Não basta analisar a capacidade técnica do país para realizar investimentos necessários à exploração. É preciso observar a sua conveniência e oportunidade.
O país, quem sabe, poderá deixar de ser credor internacional e voltar a demandar crédito externo, em momento cuja economia global não se mostra favorável, face os problemas econômicos criados pelo governo americano ao estimular a concessão de créditos sem os devidos cuidados, para movimentar a sua economia, após o fatídico onze de setembro da história americana.
Este fato teve como conseqüência a liquidações de grandes e importantes instituições financeiras nos Estados Unidos, e inquieta, sem prazo para acabar, a economia mundial.
O custo do dinheiro externo, certamente será elevado e a oferta diminuída.
A depender do modelo escolhido, pelo governo, para a exploração do pré-sal, a elevação da dívida interna, que já passa dos trilhões de reais, não está fora de cogitação.
Caso a comissão que estuda o assunto sugira a criação de uma nova empresa estatal para gerir os contratos de exploração do petróleo e do gás existentes a sete mil metros sob o nível do mar, a análise da capacidade de investimento do Estado e o que fazer com o dinheiro da venda do produto merece um debate público, que deve extrapolar as quatro paredes de uma sala de reunião em Brasília.
A conveniência de uso do tema nos palanques de campanhas populistas também precisa ser revista.
Este assunto não é para ser aprovado com ovação em praças públicas. Senão o país estará fadado a amargar o mesmo que alguns ganhadores de prêmios de loterias: o prêmio vira éter por incapacidade de gestão.
Esta história que os recursos podem ser a solução para resolver as carências sociais e educacionais do país, é conversa de político. Corre-se o risco, com a injeção exagerada de dinheiro na economia, provenientes da receita do pré-sal, haver descontrole da inflação. Neste caso, em vez de solução como muitos imaginam, será um desastre para as classes sociais carentes. É só ver o que está acontecendo na Venezuela.
Na Noruega, conforme foi divulgado, a estatal que administra a exploração do petróleo possui apenas seis funcionários.
No Brasil, caso uma estatal venha a ser criada com o objetivo de administrar o pré-sal, certamente, pelo histórico político, não serão seis funcionários a exemplo da Noruega, mas seis terceirizados para cada mil funcionários que comporão a nova empresa.
Exagero na citação? Não!
É só lembrar o número de assessores que cada senador possui. Existe servidor que tem como atividade servir água ao que se dirige à tribuna para proferir discursos grotescos, inexpressivos, e sem nexo. Quer tirar a dúvida? Assista à TV Senado para ver o que acontece.
É só lembrar a recente proposta do executivo de contratar centenas de servidores, sem concurso, para inchar o parco e inoperante ministério da pesca.
É só lembrar o número de funcionários que o governo quer contratar no próximo ano, conforme a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enviada ao legislativo. São mais de setenta mil novos funcionários.
É só assistir à TV Justiça e observar alguns dos assessores dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Lá tem funcionário até para puxar as cadeiras e ajeitar as becas dos ministros. Perderam a capacidade de sentar e levantar sozinhos. Enquanto isso os índios da “Raposa Serra do Sol” continuam aguardando definição sobre a demarcação das reservas, apesar do assunto estar transparente na Constituição.
Enquanto a proposta do governo para o salário mínimo a vigorar no próximo ano não chega a R$500,00, o presidente do STF requer R$24.000,00 de salário para seus ministros, e se não bastasse sugere a equivalência com o legislativo.
Não há objeção a se obter renda igual ou superior à sugerida, desde que os recursos não sejam oriundos de impostos pagos pelos que recebem o salário mínimo, sem considerar que muitos outros superiores a R$500,00 também são mínimos.
Antes mesmo de se definir o modelo que será usado para explorar o petróleo do pré-sal, as elites dos poderes, inquietas, tentam tirar as suas lasquinhas, e os desinformados se contentam com o palmear frente aos palanques nas campanhas populistas.
É assim, o dinheiro dirigido ao povo sempre chega roído no destino, e os aposentados que contribuíram integralmente com a previdência pública assistem a manutenção do larápio “Fator Previdenciário”.
Já que as elites roem, eu também quero roer...
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quinta-feira, 21 de agosto de 2008
República das Bananas e o pré-sal
A citação “República das Bananas” foi criada para se referir a Honduras na época que companhias americanas instaladas naquele país exploravam a exportação de bananas.
Elas se rebelaram contra o pagamento de impostos definidos pelo governo. Resolveram interferir substituído o governante, e obtiveram o benefício da isenção de impostos por mais vinte e cinco anos.
A partir daí, o país que aceitava ingerência externa ou tinha algum caudilho como governante, representando interesses de classes tradicionais e dominadoras, terminavam batizados pelo nome de “República das Bananas”, graças à facilidade de mudar o que havia sido acertado. Bastavam interesses das classes dominantes.
Por incrível que pareça, o conhecido caudilho brasileiro Getúlio Vargas, foi quem criou a Petrobras.
Caso haja uma consulta popular para o terceiro mandato de Lula, certamente a população dará aprovação para que se faça mudança na Constituição e permita a ele concorrer.
Observe que os caudilhos terminam descobrindo situações que envolam o povo. Foi assim com Getúlio.
Recentemente, o Lula foi ao encontro da UNE-União Nacional dos Estudantes buscar apoio para mudança na lei do petróleo, justificando que parte dos recursos obtidos com a exploração da reserva pré-sal, devem ser usados para a educação, e também diminuir a miséria do povo brasileiro. Diga-se mais claramente: “bolsa pré-sal”, que garanta a sua perpetuação no poder.
Coincidentemente, o vice-presidente da república concedeu entrevista à revista Veja e a rede Globo, declarando simpatia a mais uma reeleição de Lula.
Ora, o país já mudou a Constituição para reeleger Fernando Henrique Cardoso, agora, se houver nova mudança da Carta Magna para reeleger o Lula, fica claro que não passamos de uma “República de Bananas” que foi governada por um caudilho que criou a Petrobrás, Getúlio Vargas, e outro que pretende se perpetuar com o argumento de querer destruí-la.
É só verificar o que está havendo na Rússia: o ex-presidente Vladimir Putin é quem continua mandando!
No Brasil, sendo Dilma a eleita governará o Lula?
Por se tratar de um assunto que envolve a reserva pré-sal, no mar, e o esforço dos funcionários para fazer a Petrobras o que é, lembrei-me do poeta português Fernando Pessoa quando disse:
"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu à pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena. (...)"
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terça-feira, 12 de agosto de 2008
O cocô do cachorro
Tenho o hábito de caminhar para agradar meu corpo e a minha mente. Contudo, confesso que em alguns momentos questiono fazer em locais públicos, não pelas intempéries do clima, mas porque termino me irritando ao ver o cocô do cachorro espalhado nas calçadas e praças da cidade, impregnando de odor fétido o ar que deveria ser puro ao alcance dos meus pulmões.
O péssimo hábito que os criadores e tratadores de cães têm de levarem os animais para fazerem suas necessidades fisiológicas na rua, sem o cuidado de carregarem consigo sacos plásticos para recolherem os dejetos e colocarem adequadamente nos cestos de lixo, faz com que a cada dia a irritação aumente.
O que seria bom para os caminhantes e criadores de cães acaba se tornando uma questão de saúde pública.
Já me referir anteriormente a duas nauseabundas que brigavam em um das calçadas de outra praça porque um cão atacou outro, incomodando a todos com o bate-boca histérico.
Até aí tudo bem, agora não ter cestos para lixo na Praça dos Eucaliptos no bairro do Caminho das Árvores é um simples descaso da administração pública e falta de cidadania dos moradores daquele local.
Falar nisso, os moradores do local, além de permitirem e contribuírem com o depósito do cocô do cachorro na calçada joga poda de plantas e entulho na área verde, onde deveria ser um local aprazível para lazer da população.
Resta jogarem os próprios dejetos como fazia a corte brasileira por volta de 1808.
É uma tristeza ser assim!
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Atentado na China
Dezesseis policiais morreram e outros ficaram feridos após um atentado na cidade de Kashgar, distante quatro mil quilômetros de Pequim.
O governo chinês diverge de grupos mulçumanos que querem a independência da província que abriga a cidade de Kashgar.
Divergir é um direito humano. A forma é questionável!
No livro “O Atentado" escrito por Yasmina Khadra ele cita: “Podem te tirar tudo, teus bens, teus mais belos anos, todas as tuas alegrias e todos os teus méritos, até tua última roupa – sempre restarão teus sonhos para reinventar o mundo que te confiscaram”.
Amin, o personagem que narra à história, foi surpreendido com a esposa envolvida em um atentado, que resultou na morte de dezenove pessoas, três a mais do ocorrido hoje na China.
Shiem, esposa do médico Amin amarrou bombas na cintura, tornando-se um kamikaze, e levou consigo um monte de jovens inocentes que festejavam um aniversário em um restaurante, por simples envolvimento com terroristas fundamentalistas.
Sabe-se que ao colhermos uma rosa podemos estar enfeitando uma sala, contudo estamos ajudando a destruir um jardim...
No caso de um kamikase a rosa não continua rosa, tampouco o jardim retoma a sua beleza. Todos são destruídos: os que vão e os que ficam.
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sábado, 2 de agosto de 2008
Faltou o plano “B”
Ao decidir ignorar a possibilidade de acordos bilaterais com a União Européia e com os Estados Unidos, o Brasil jogou todas as suas fichas em Doha para tentar diminuir as barreiras do comércio mundial e se deu mal.
Em vez de paquerar os blocos mais ricos do planeta optou por tentar liderar países em desenvolvimento, e aproximar-se de outos da America Latina com pouca representação no comércio internacional.
A simpatia socialista que liga integrantes do governo a nações que se dizem vitima dos “poderosos” terminou dificultando as negociações.
O Celso Amorim ministro das relações exteriores, de vez em quando sai com idéias mirabolantes que não terminam em nada concreto. É só ver o que já foi feito com o acordo assinado para demarcação de territórios indígenas, e o que a Petrobrás perdeu com a tolerância exagerada a Evo Moraes.
Agora só falta falhar na renegociação do preço da energia de Itaipu com o Paraguai.
Enquanto a China, Colômbia e o Chile fazem o dever de casa, tentando oferecer mais emprego e melhores condições de vida ao seu povo, nós temos que rezar para não ver mais desastres da diplomacia brasileira.
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quinta-feira, 31 de julho de 2008
O próximo ministro da cultura
(Texto postado no dia 18 de Julho de 2007)
Comenta-se que Gilberto Gil quer deixar o ministério da Cultura.
Quando entrevistados, Gil se vale de palavras difíceis para compor as frases, sem que elas sirvam para absolutamente nada, e o palhaço Tiririca responde repetindo a pergunta na forma inversa.
O ouvinte pensa que entendeu alguma coisa do que é dito, porém, quando reflete sobre o que ouviu, não aproveita nada! Observem que não me refiro às composições de Gil que, na sua maioria, são de excelente qualidade, tampouco, a vivacidade de Tiririca.
Vejamos;
Gil, ao ser perguntado sobre qualquer tema, provavelmente, diria:
- É uma estratégia dimensional sistemática (...), ou
- Provavelmente se trata de flexibilidade funcional integrada (...), ou
- Sem dúvida, é mobilidade opcional balanceada (...), ou ainda
- Trata-se da planificação transacional equilibrada..., etc...
Tiririca, ao ser perguntado, responderá na forma inversa:
- Pergunta: Você já jogou muito dinheiro fora?
- Resposta: Fora dinheiro muito já joguei.
- Pergunta: Há muito tempo que você trabalha em circo?
- Resposta: No circo eu trabalho há muito tempo.
- Pergunta: Você quer ser Ministro da Cultura?
- Resposta: Cultura sim! Cultura sim! Sim!
Tanto um quanto o outro, se sai bem com a imprensa. Não dizem o que ela quer saber!
Estando ministro, Tiririca poderá cantar “Madalena” de Gil, ou a sua própria composição, “Florentina.”
Enquanto isso, as Madalenas choram e suas mães consolam e as Florentinas, sem amar, continuarão seduzindo..
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terça-feira, 29 de julho de 2008
Gabriel
Três coisas podem transformar a vida. Uma é o nascimento.
Ele modifica paradigmas, rotinas, atenções, focos, interesses, relações, derruba preconceitos e barreiras, além de renovar a fé.
Não se trata de uma coisa simples, mas uma vida que um dia também será transformada por outros nascimentos.
Há uma missão sabe-se lá qual, porém é uma importante missão...
Não veio por nada, veio predestinado a proceder mudanças!
É sempre assim quando ocorre um nascimento. A esperança se renova, as forças se concentram em objetivos comuns, os laços afetivos se enchem de energia e de amor.
Agora, é só aguardar para ver.
Bem-Vindo meu mais novo e amado amigo!
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segunda-feira, 28 de julho de 2008
A chave
Investimos em um terreno e construímos uma casa. Colocamos a fechadura na porta, fechamos e saímos para comprar produtos para abastecê-la.
Ao retornarmos observamos que a chave não cabia na fechadura. Havia sido trocada.
Sem entender o que estava acontecendo, fomos abordados ao telefone pelo sujeito que fez a troca disposto a entregar a nova chave que permitia o acesso a casa, desde que lhe fosse pago um determinado valor.
Questionado sobre o direito à propriedade o sujeito contra-argumentou que estava cobrando pelo trabalho que teve de estudar o processo e proceder à mudança. Acrescentou; após o recebimento do dinheiro, informarei as falhas de segurança para que possam corrigi-las.
Deparamos-nos com a seguinte questão: Optar por uma solução legal, moral, ou ética?
Apesar das Leis, serem formadas com base em princípios éticos, as Leis e a Ética são coisas diferentes.
A Moral por sua vez não passa de um conjunto de princípios, costumes, valores e normas que orientam o comportamento das pessoas.
Enquanto a Ética, são deveres teóricos, que terminam por determinar o modo de ser do indivíduo.
O que você faria para ter a casa de volta:
Acreditava nas leis e procurava a justiça?
Optava pela moral e ia à delegacia de polícia?
Ou, decidia pela Ética do trocador de fechadura e pagava o preço solicitado?
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segunda-feira, 21 de julho de 2008
Petrobras no Chile
A Copec, maior distribuidora de petróleo do Chile poderá ganhar uma concorrente nos próximos dias.
A brasileira Petrobras ofertou quinhentos milhões de dólares pela rede ESSO daquele país.
Os que viajam pelas estradas chilenas percebem grande preferência do consumidor pela rede Copec, já que esta oferece infra-estrutura parecida com a de países europeus.
A cada cem quilômetros encontra-se na rede Copec, além de combustível, loja de conveniência, serviço rápido de restaurante e lanchonete, sanitários limpos e bem cuidados, e parque infantil.
Caso haja aceitação da proposta da empresa brasileira, ela terá que se esforçar para se ajustar às condições oferecidas pela sua futura maior concorrente, se quiser crescer. Do contrário, manter a filosofia de Postos de Gasolina existente nas estradas brasileiras amargará o desconfortável terceiro lugar hoje ocupado pela ESSO chilena, a qual detém apenas dezesseis por cento daquele mercado.
O consumidor brasileiro poderá se beneficiar do negócio se a Petrobras aprender a receita da Copec e trouxer a experiência para o Brasil.
Foto: Loja de conveniência da rede COPEC.
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sábado, 19 de julho de 2008
Semáforos
As crianças dos semáforos ganharam concorrentes.
Estes são mais organizados, com aparência mais cuidada e orientação precisa.
Estou falando dos panfletistas políticos!
A imagem do distribuidor de panfletos, adesivos, e segurador de bandeiras reflete a cara do candidato.
Há os que não abrem os vidros dos veículos para ouvirem uma criança dizer -“dê uma moeda aí tio!”-, até porque já presumem a demanda.
Há os simpáticos aos candidatos das propagandas que abrem os vidros dos carros, falam mensagens de estímulo ao divulgador, e recebem o adesivo e/ou folder.
Há também os que se opõem às candidaturas e aproveitam para afrontarem o divulgador.
É certo que quem divulga, necessariamente votará no candidato.
É certo que se a maioria dos candidatos usa esta ferramenta de marketing os demais não querem correr o risco.
É também certo que as crianças das sinaleiras ficam sem espaço para se debruçarem nas janelas dos veículos com caras de sofrimento, enquanto os adultos exploradores da infância e da adolescência os aguardam imitando o que fazem os políticos com o povo.
Enquanto isso, a esperança fica mais distante já que são os mesmos procurando o mesmo...
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terça-feira, 15 de julho de 2008
Incoerente ingenuidade
Enquanto preparava o meu currículo para enviá-lo a alguns senadores objetivando concorrer a um dos noventa e sete cargos de assessores criados na calada da noite no senado, li a notícia que houve reversão da absurda decisão.
É tão grande a enxurrada de medidas descabidas tomadas nos últimos anos no legislativo que fiquei sem saber se o absurdo foi a criação dos cargos ou a reversão da medida.
Tem hora que me pego pensando que errado sou eu e não eles.
Decidi encarar a realidade do país e iniciei a preparação de um currículo que pudesse despertar interesse de algum senador.
Afinal, não precisaria encontrar-me em Brasília, daqui de minha casa eu pesquisaria o que eles dizem ter por necessidade a ser suprida por assessores.
Ao imaginar possível, na minha incoerente ingenuidade, enviar um currículo para apreciação de alguns senadores e concorrer a um salário de R$ 9.979,24, me deparei com depoimentos de alguns que assinaram a proposta do Efraim Moraes, do Partido Democrata.
Na hora que eles estão dispostos a dar pancadas nos adversários políticos convocam a imprensa e fazem pose para parecerem defensores dos pobres mortais, contudo na realidade eles são adversários do povo. Agora, que aprovaram a proposta escandalosa e ridícula, se refugia nos gabinetes, declaram desconhecimento do teor do que assinam e negam participação nas falcatruas legislativa.
Ainda bem que não deu tempo preparar o meu currículo e existe a serenidade do presidente da casa Garibaldi Alves...
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sexta-feira, 4 de julho de 2008
Muito longe de casa
O personagem Saidu do livro “Muito longe de casa” escrito por Ishmael Beah, disse aos amigos, em um dos vários momentos que fugiam da perseguição dos rebeldes durante a guerra civil em Serra Leoa: “Quantas vezes mais vamos ter que enfrentar a morte até encontrarmos segurança? (...) Toda vez que somos perseguidos por gente que quer nos matar, fecho os olhos e espero pela morte. Apesar de ainda estar vivo, sinto como se, a cada vez que aceito a morte, parte de mim morresse. Muito em breve eu vou morrer completamente e tudo que sobrar de mim será meu corpo vazio, andando com vocês. Ele será mais silencioso do que eu”.
Ou seja, Saidu imaginou-se um “morto vivo” andando pelas matas e aldeias de Serra Leoa.
O relato de Ishmael Beah a respeito do sentimento do amigo Saidu a respeito das perseguições políticas em Serra Leoa deve ser lembrado no momento em que a ex-senadora colombiana Ingrid Betancourt é resgatada do cativeiro onde permaneceu nas mãos das Farc.
Ainda não foi dito, porém quantas vezes Ingrid Betancourt pensou igual à Saidu nos longos anos que passou no cativeiro?
A maturidade política da ex-senadora não pode ser comparada à juventude do personagem Saidu, contudo por mais que as experiências pessoais possam contribuir para suportar situações inesperadas e desconfortáveis, o ser humano possui a capacidade de expulsar pensamentos indesejáveis com exercícios da mente a exemplo da “Meditação Transacional”, porém não pode evitar que eles aflorem nos momentos de solidão e desespero.
Tomara que Ingrid recupere-se rapidamente e volte à vida política do seu país.
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Fazer o que?
A proximidade das eleições deixa o governo de “saia justa” sem saber as ações a serem postas em prática para o controle da inflação, que mostra a sua cara toda vez que algum fator muda de posição.
A inflação hiberna, se faz de morta, está sempre latente.
Ao menor descuido de políticas econômicas inadequadas ela vem e surpreende até o país que já sofreu conseqüências maléficas com a implantação de políticas heterodoxias, a exemplo de confisco de poupança, tabelamento de preços, etc.
O mercado sempre se ajusta, contudo em determinados momentos precisa ajuda do governo para evitar estragos maiores nas economias familiares. Caso contrário, desavisados podem remar contra a maré e prejudicar não só a si próprios como a grande parte da sociedade.
A restrição ao crédito, a contenção de reajustes salariais, e a redução das despesas públicas, trazem conseqüências antipáticas, porém eficazes e ajudam a contenção da alta dos preços.
As reservas internacionais no fim do governo FHC que eram de dezessete bilhões de dólares são atualmente duzentos bilhões de dólares.
Esta cifra nunca foi vista por nenhum brasileiro, porém não basta para conter danos provocados por uma avalancha eventual do mercado externo.
É só ver o que está acontecendo com o preço do petróleo que já interferiu nos custos de produção, e na crise bancária americana que ao descuidar da qualidade na concessão de financiamentos para aquisição de imóveis balançou o resto do mundo.
Ao manter as reservas cambiais elevadas o governo acumula, em contrapartida, dívida interna elevadíssima, já que toma dinheiro no mercado interno a taxas superiores às que estão sendo remuneradas as reservas cambiais, sem considerar a valorização do “real” comparado ao “dólar”.
A má notícia de elevação dos preços fez o Banco Central sinalizar sobre a disposição para aumento da taxa de juros SELIC suficiente para ajudar no combate à inflação.
Esta medida implica em mais custos para o governo ao remunerar os títulos públicos adquiridos pelos investidores.
Apesar das notícias e dos métodos de combate à inflação que começou a sair da hibernação, o governo promoveu aumento dos salários dos militares, reajustou o “Bolsa Família” e beneficiou os trabalhadores rurais diaristas com aposentadorias sem que precisem recolher para a Previdência.
Enquanto isto estuda o “Veto Presidencial” na Lei aprovada no Senado que acaba com o larápio “Fator Previdenciário” inventado por FHC, que penaliza os contribuintes que se candidatam a aposentadoria, por terem os seus rendimentos reduzidos em mais de 30% dos valores para os quais contribuíram integralmente.
“Dois pesos e Duas medidas”, "Dois pesos e Uma medida", ou "Um peso e Duas medidas"?
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sexta-feira, 20 de junho de 2008
Ainda bem que o dólar está depreciado
Os preços dos produtos e serviços no Brasil e em outras partes do mundo estão em ascensão.
Alguns políticos que apóiam o governo de vez em quando reclamavam de ações do Banco Central quanto à manutenção dos juros elevados com forma de política monetária no controle da inflação. Atualmente estes mesmos políticos, apesar da proximidade das eleições, estão caladinhos e escondidos por detrás das câmeras nos canais de TV.
Enquanto os políticos defendiam juros baixos para agradar os eleitores, nada fizeram para exigir do governo a contenção dos gastos públicos.
Agora que a coisa começou a ficar feia já que a inflação está voltando a mostrar as suas garras de forma generalizada, o governo tenta sair pela tangente com a ampliação da concessão de créditos para a agricultura, imaginado possível conter a alta dos preços.
Oferta e Demanda são leis que norteiam o consumo quando atreladas a outras ações de política econômica, contudo falta ao governo lembrar-se da musica “Comida” do Titãs.
O governo se esqueceu de perguntar ao povo: ”Você tem fome de que“?
Ou seja, a inflação não está só nos alimentos. Estão nos serviços e nos demais insumos da produção. A nossa sorte é que o real está valorizado perante o dólar, e os componentes importados utilizados pelas indústrias no Brasil terminam ficando mais baratos ajudando a conter a inflação.
Os rendimentos das Cadernetas de Poupanças e de muitos Fundos de Investimentos começam a dar sinais negativos. Isto quer dizer que os rendimentos recebidos pelos investidores são menores que o índice da inflação. Neste caso, sem perceber, a cada dia a população vai ficando mais pobres.
O governo nada fala sobre este tema...
A população precisa tomar consciência que é necessário reeducar-se, comprando apenas o necessário, mesmo dispondo de recursos em sobra, para não se arrepender nos próximos meses. Ter muito cuidado com o cartão de crédito e os créditos consignados. A inflação subindo ainda mais o descontrole será geral. Os salários continuarão congelados e o custo do dinheiro aumentará mensalmente, com base na elevação do risco de crédito e do custo de captação.
Enquanto isso o governo está preocupado em restabelecer o poder de compra dos usuários do “Bolsa Família”. Assim ele não perderá votos nas próximas eleições de outubro, que tudo indica o PT vai nadar de braçada.
E você tem fome de que? De um país sem corrupção? De país sem demagogia eleitoreira? De políticas sociais bem estruturadas? De hospitais que funcionem? De uso das Forças Armadas em ações de segurança nacional? De polícia que se respeite? De política indigenista correta? De crianças nas escolas? De estradas sem buracos? De justiça ágil e eficaz? De prisões dígnas? De bandidos nas cadeias?
Ou só bebida, carnaval, praia, forró, e balé nos bastam?
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sábado, 14 de junho de 2008
Entre o Céu e a Terra
O que modifica a visão individual e divergente sobre o mesmo tema são as experiências particulares que contradizem as formas de ver coletivamente.
Enquanto as coletivas tendem serem superficiais, as individuais, certamente, são mais sofridas, e por isto melhores analisadas pelos indivíduos nos seus detalhes. Terminam sendo mais enriquecedoras.
Soluções para temas coletivos tomadas por administradores, em sua maioria, com visão cartesiana, racionalista, e dualista tendem desconsiderar as experiências individuais e minoritárias. Move a sensibilidade do administrador para algo que ignora necessidades individuais de minorias as quais sofrem conseqüências, que se atendidas não interfeririam financeiramente, politicamente, ou administrativamente no todo.
Enquanto a visão cartesiana fica dividida entre o “sim” e o “não”, a holística engloba as forças e experiências do coletivo formado pelo individualizado e pelo particular apesar da visão global, como contexto importante para tomada de decisões.
Neste caso, entre o “sim” e o “não” cartesiano as decisões são enriquecidas na tentativa de descobrir o que Hamlet, personagem de Shakespeare disse: "Existe mais coisas entre o céu e a terra do que pode supor nossa vã filosofia..."
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quinta-feira, 12 de junho de 2008
O chinês é magro, e o americano é gordo.
Os que irão visitar a China durante a próxima olimpíada poderão analisar os hábitos dos chineses e chegarem a algumas conclusões.
Na China se come de tudo.
Come-se gafanhotos, besouros, escorpiões, ratos selvagens, gatos, cachorros, estrelas-do-mar, cobras, ovos podres cozidos, casulos de bicho-da-seda, e até ninhos de andorinhas. Também se come frango, hambúrguer, carne de boi, e até churrasco gaucho.
A expectativa de crescimento da população mundial nos próximos cinqüenta anos indica que chegaremos à casa de dez bilhões de pessoas habitando o planeta.
No passado a agropecuária trabalhava com produtividades inferiores às atuais, hoje, o uso intensivo de fertilizantes e defensivos, correção de solo, variedades mais produtivas e resistentes a pragas, engenharia genética, inseminação artificial e transposição de embriões, arrefece um pouco a preocupação com o futuro.
Apesar do desenvolvimento tecnológico no campo, a "inflação de alimentos" preocupa o mundo. Existem motivos, já que há limites para o aumento da produtividade.
Apesar do aumento do poder aquisitivo da população chinesa, certamente ela continuará magra e com muitas alternativas de alimentos. Resta-nos saber se daqui a cinqüenta anos a extravagante população americana ainda será obesa como a de hoje.
Será que o planeta vai agüentar esta rebordosa?
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segunda-feira, 2 de junho de 2008
Que bicho é o teu?
Caso você não fosse humano que animal gostaria ser?
Escolha com toda liberdade que a sua imaginação lhe permitir.
Guarde a escolha para si.
Agora que você já escolheu ser um cavalo, um leão, uma cobra, uma barata, um beija-flor, um peixe, uma girafa, um porco, uma galinha, um macaco, um tatu, um elefante, um tigre, um javali, ou sei lá mais o que, responda a seguinte questão:
“Por que, não sendo humano, eu gostaria de ser o animal... “?
Provavelmente, você escolheu o animal que possui características que você não as tem, e gostaria de adquiri-las.
Agora que você entendeu o motivo da pergunta, podemos dar continuidade ao tema.
Cada um de nós deseja possuir características que apreciamos em outras pessoas, contudo se lhe perguntarem se você gostaria de ser outra pessoa, certamente você dirá que gostaria de ser você mesmo. É uma questão de auto-estima.
Há algumas exceções. Por exemplo, se perguntasse a algumas mulheres se gostariam de ser a Gisele Bündchen, muitas irão responder que sim. E não se importariam em trazer a reboque o Leonardo de Di Caprio ou o Ton Brady.
Caso se questione os homens se gostariam de ser o Reynaldo Gianecchini, alguns responderiam que sim, outros retornariam a pergunta questionando se tinham que morar com a Marília Gabriela. Eis aí um problema! A maioria dos homens não gosta de mulheres que demonstram inteligência. Sentem-se inseguros. Preferem as que se passam por “burras”, mesmo quando não as são.
Voltando à questão do animal escolhido, certa vez fizeram-me esta pergunta. Não demorei a responder: Leão!
Veio em seguida: “Por que Leão”?
Respondi: Porque ele é majestoso, respeitado, faz várias cópulas por dia, determina que cacem quando tem fome, e não tem ansiedade que a vida moderna nos exige.
Viver relaxadamente sob uma árvore frondosa, ter minha juba ao vento, ter contato com a natureza, ter um harém à disposição, comer quando tem fome, e beber quando tem sede, é simplesmente um desbunde. Tenho a impressão que eu estava em um momento da vida querendo tranqüilidade...
Atualmente, sou quase um leão. Porém, não faço sexo várias vezes ao dia por não ter disposição, não tenho um harém por questões de fidelidade conjugal, não como animais silvestres porque defendo a natureza, não como quando tenho vontade para não engordar, e a minha juba cai mais do que cresce.
Restou para ser um “leão” apenas beber água a hora que tenho vontade.
Enfim, “leão” que nada!
Tenho que me acostumar com a famosa “Lei da Gravidade”...
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Eduardo Andrade
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sexta-feira, 30 de maio de 2008
Entre o físico e o energético.
Sem sucesso sacudi a minha cabeça, com o intuito de chamar a atenção de alguém, já que não consegui acordar e me livrar daquele molesto.
Percebi um cordão leitoso sair no sentido horizontal do meu umbigo em direção ao lado esquerdo, apoiando-se na parede do quarto que dista um metro da minha cama.
À medida que tomava o sentido vertical da parede se ramificava como se fosse um caule leitoso de uma trepadeira, até alcançar o teto. Ali, o cordão leitoso tomou a forma desajeitada, desarrumada, e indefinida do meu corpo e se prendeu pelas costas ao teto, com se fosse uma nuvem branca.
No teto, sobre a minha cama, eu assumi a consciência daquela nuvem e vi o meu corpo físico deitado e inerte. Era como se o domínio das minhas atitudes tivesse sido invertido. A minha consciência estava junto ao meu "eu físico", e ao mesmo tempo no meu “eu nuvem”. Eu podia ver do "eu nuvem" o "eu físico", e o do "eu físico" o "eu nuvem".
O meu "eu físico" deitado na cama via o “eu nuvem” preso no teto, porém não exercia ação sobre ele. Enquanto isso o "eu nuvem" apenas observava como aguardasse um autorização para não sei o que.
A situação gerou momentos de insegurança, eu continuei aflito e pedi ajuda, até que fui acordado e “eu nuvem” penetrei no teto do quarto sobre a cama.
"Eu nuvem" desapareci!
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
A Cara do Meio Ambiente
Ao dar posse ao ministro Carlos Minc do Meio Ambiente, Lula deu mais importância à ex-ministra Marina do que ao recém empossado.
Ao tentar minimizar o desgaste do governo devido o pedido de demissão da senadora Marina, o presidente chegou a comparar a “cara da Marina" com a “cara do meio ambiente”.
Ora, a fisionomia da simpática ex-ministra, no momento que foi feita a comparação, era de total reflexão.
Segundo Pierre Weil no livro O Corpo Fala as emoções da mente são refletidas no corpo. Neste caso, a curvatura do corpo para o lado esquerdo da ex-ministra e a própria fisionomia revelavam o seu desânimo.
Caso houvesse prudência por parte do presidente, ele jamais deveria comparar a “cara da Marina" com a “cara do meio ambiente”.
Por mais que Marina tenha sido elegante e verbalizado o contrário, ela saiu decepcionada por ter acreditado em um governo que lhe parecia dar importância ao meio ambiente.
Por recomendação, o Lula reagiu às notas dos jornais internacionais a respeito da propriedade da Amazônia. Ele fez, e recebeu aplausos.
Observe, se Lula estivesse falando a verdade não estaria criando um Fundo Internacional, a ser administrado pelo BNDES, para proteger a Floresta Amazônica. Repito, o fundo será Internacional, e o primeiro depósito de cem milhões de dólares será feito pela Noruega.
Não há ingenuidade, quem paga a conta exige participação nas decisões. Neste caso, como a Amazônia já esta habitada por ONG´s internacionais, certamente, o governo brasileiro tenta cobrar, de alguma forma, o que tem sido retirado daquele bioma.
A índia caiapó Tuíra - a mesma que esfregou em 1989 o facão no rosto do então presidente da Eletronorte, Muniz Lopes - não aceita qualquer política governamental voltada para a Amazônia.
Mais recentemente, ela foi a responsável por dar a “senha” aos demais índios para atacarem o engenheiro Paulo Rezende, ao sair dançando com um facão mais novo, orientada pela igreja e outras instituições internacionais.
O que ocorreria se resolvêssemos dançar com facões, no Congresso Nacional, no momento da discussão para a criação da nova CPMF? O presidente criaria um Fundo Internacional para custeio da Saúde Pública?
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segunda-feira, 26 de maio de 2008
A Equação
A senadora Marina Silva ex-ministra do Meio Ambiente deixou um macaco grande nas mãos do atual ministro Carlos Minc.
Enquanto a Marina com voz linear procurou - sem sucesso - o caminho da objetividade e da cautela, o exuberante Carlos Minc procura a irreverência, a quebra da hierarquia, a falação desmedida (beirando a imprudência) para colocar rumo na política do Meio Ambiente.
Sabe-se que incomodar as oligarquias econômicas em um país que escolheu não se excluir da globalizada neoliberal, corre o risco de em pouco tempo falar ao vento. Ou seja: os ouvidos das classes produtoras que sustentam o poder e o PIB podem ignorar a doutrina ambientalista e exigir uma rasteira nas pernas do Minc, levando-o ao chão.
A opção que dispõem a ministra Dilma da Casa Civil e o ministro Mangabeira que em substituição ao ministro do Planejamento planeja o futuro, é deixar o Minc cavar a própria sepultura.
Ao se dar conta que é o responsável pela gestão da Amazônia - que representa mais de sessenta por cento do território brasileiro - e que o mundo quer tê-la como Patrimônio da Humanidade, Minc poderá mudar a performance, ao perceber que o “buraco é mais embaixo”...
É certo que alguns dos desejos revelados pelo novo ministro já caíram por terra. Agora, resta-nos aguardar para saber se ele vai beijar o chão com fez o papa, ou recolher os facões dos índios que lutam pela interdição da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu.
Tudo sairá a contento se o Minc resolver rapidamente a seguinte equação: Na região Amazônica só existe vinte e cinco milhões de brasileiros. Mais de cento e setenta milhões habita o resto do país e querem oportunidades de emprego e renda, sem destruição ambiental.
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
A Chanceler e o Negócio da China.
A república parlamentarista socialista chinesa governada pelo Partido Comunista proíbe que casais tenham mais de um filho.
Mesmo assim alguns conseguem driblar a determinação e usam como alternativa não registrar o nascimento do segundo filho, mantendo-o na clandestinidade.
Por isso, diz-se que a população chinesa poderá ser maior do que a divulgada oficialmente.
Dos quase um bilhão e trezentos milhões de habitantes, um Brasil e meio vivem com renda equivalente a quarenta e cinco reais por mês, e a grande maioria da população recebe salário de cento e sessenta reais.
A reserva, aparentemente, inesgotável de mão-de-obra oferecida ao mundo capitalista pelo governo chinês, poderá estar chegando ao fim.
Com a melhoria da economia, a população começou a exigir maiores salários e melhores condições de trabalho, e o regime resolveu modificar as leis trabalhistas para melhor proteger a saúde, a segurança do trabalhador, e o meio ambiente.
Quem não está gostando das mudanças são as empresas multinacionais que usam a mão-de-obra chinesa para baratear os seus custos de produção.
O governo sabe que o caminho a ser trilhado no futuro será o parecido com o da Coréia do Sul e o do Japão: Treinar a mão-de-obra para as indústrias de alta tecnologia.
Esta semana, no Brasil, a chanceler alemã Angela Merkel, de passagem para Lima no Peru, concedeu entrevista dizendo que a Alemanha apoiava o etanol brasileiro, mas que estavam vigilantes para que o aumento da produção de cana não fosse sem o devido cuidado ao meio ambiente, e que os preços competitivos não fossem fruto do pagamento de baixos salários a trabalhadores rurais.
Não defendo baixos salários, condições inadequadas de trabalho, ou degradação do meio ambiente, contudo, ao ouvir os comentários da chanceler me perguntei: Por que as empresas alemãs possuem inúmeras fábricas em território chinês?
Certamente, não é porque gostam dos olhos puxados dos orientais, mas, pelos baixos salários pagos e as péssimas condições de trabalho oferecidas naquele país.
Agora que os chineses começaram a fazer cirurgias plásticas nas pálpebras para tornar os olhos mais “abertos”, e na língua para facilitar a pronuncia do idioma inglês, os compatriotas da chanceler estão planejando mudar suas fábricas para a Índia, Indonésia, e Vietnã, países que ainda oferecem mão-de-obra barata.
O certo é que o chamado “Negócio da China” está para acabar.
Caso os alemães achassem que no Brasil a mão-de-obra realmente é barata, não anunciava, vez por outra, que desejam tirar a fábrica da Volksvagen do país por falta de competitividade.
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quinta-feira, 15 de maio de 2008
No Meio dos Ambientes
A história não se repete, caso contrário, a manchete seria: “Caiu mais um ministro do governo Lula.”
Não foi assim. Marina Silva não caiu, levantou-se!
Insatisfeita com o baixo prestígio no governo, atropelada pela pressa e pelos berros desenvolvimentistas, aliados aos interesses políticos instigados pela proximidade das eleições, a ex-ministra foi sendo lentamente esvaziada. Primeiro, com a divisão do ministério, e mais recentemente a transferência da gestão do “Programa Amazônia Sustentável”, para o Secretário Especial de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, velho crítico de Lula e indicado pelo Vice-Presidente da República.
Queriam a Marina embaixo dos pés, mas se esqueceram que ela é senadora da república e como tal não precisava submeter-se ao poder, porque ela já o tem, neste caso delegado não por Lula, mas pelo voto do povo.
Em entrevista coletiva hoje ela disse que no senado não será nem estilo Eduardo Suplicy tampouco Ideli Salvatti, será Marina Silva.
Nas entrelinhas quis dizer que terá independência de idéias para buscar o melhor para o meio ambiente.
Em algumas situações o ser humano faz o cargo, em outras o cargo faz o ser humano.
Na primeira condição, pessoa importante assume cargo de pouca significância e o torna, por prestígio pessoal, mais importante do que realmente é.
Na segunda condição, pessoa sem importância assume um cargo importante e torna-se também importante até permanecer nele.
Com Marina Silva foi atípico. Apesar de desconhecida ao assumir o desprestigiado Ministério do Meio Ambiente o fez mundialmente notado.
Agora, pela seriedade da gestão ela sai maior do que quando entrou.
Na democracia é assim! O governo é do povo para o povo. As idéias divergentes são respeitadas, os inimigos convergem quando há interesse público.
Não adianta ficar nervoso tampouco inventar desculpas, o governo terá que corre rapidamente para preencher o vazio.
O cargo poderá ser preenchido administrativamente por qualquer um, até por Carlos Minc que disse desconhecer o Brasil, mas o vazio, este, precisa de decisão política para ser ocupado.
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sexta-feira, 9 de maio de 2008
Dia das Mães
Há os que acreditam na psicologia, os que a ignoram, e os que a detestam.
A realidade é simples e a mente complexa.
O corpo fala e a mente navega, enquanto a filosofia desliza nas entranhas do inabitado, do inacabado, e do espaço infinito.
Os sentimentos refletem as sensações no físico e tangenciam a percepção.
Há sempre um arcano imperceptível, mesmo verbalizado, não compartilhado.
Há a inquietação que o pensamento abrolha no momento seguinte à expressão mais chegada e sincera, que não é dito ou percebido. Basta o desvio para fora do contexto.
É assim a mente, ela manda em nós. Rege as dores no coração, nos olhos, nos ombros. Governa o caminhar, a imobilidade, e a inércia. Ela trai sem percebermos.
Qual das mentes não deixou ser quando se quis e não se pôde?
Sabe-se por quê?
Foto - Quadro de Salvador Dali
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terça-feira, 6 de maio de 2008
O presente da mamãe.
Pediram-me opinião a respeito do que uma mãe gostaria receber no seu comemorado dia.
Pensei, por que não um perfume para deixá-la mais segura ao participar de reuniões sociais? Conclui que poderia não agradar e derivei para uma jóia.
Imaginei que a jóia escolhida pelo filho poderia não combinar com o gosto da mãe.
Veio a idéia de um DVD. Pairou a dúvida se de um filme premiado ou uma banda famosa. O filme, raramente se assiste mais de uma vez, ao show do tipo Pink Floid poderia parecer coisa do passado e a mãe em questão me pareceu voltada para coisas mais atuais.
Pronto, um celular! Depois percebi que as operadoras estão entregando celular pelo preço de até dez reais. Pensei: E um presente muito barato! Ela merece algo melhor, acho!
Bem, veio em mente um CD. Pensei: Será que ela vai imaginar que se trata de uma versão pirata, ou mesmo genérico como diz o pessoal nas sinaleiras? Não, CD não dá!
Uma roupa! Quem não gosta de roupa nova? Só o meu amigo João, que de tão discreto que é, quando compra roupa nova pede à esposa para lavar antes de usá-la para não parecer nova e chamar a atenção das pessoas.
Um almoço em um bom restaurante! Pareceu-me uma solução prática, porque a própria mãe poderia escolher o local e o prato a ser degustado. Neste caso existiria uma vantagem, não teria que se preocupar em organizar o almoço em sua própria casa. Porém, não seria justo sugerir, porque além do cunhado desempregado (que a mãe adora) seria agregado ao presente da mãe o filho teria ainda que pagar o próprio almoço.
Eu já estava ficando agoniado quando me veio a última idéia: Um livro. Porque não pensei nisso antes? Tão fácil! Um livro. Pronto! Este presente, certamente, será o que ela mais se lembrará, não só pela história como pelo tempo a ser dedicado à leitura.
Ao falar para o filho sobre as sugestões que eu havia imaginado ele me disse:
- Bem, o governo cobra 79% de imposto sobre perfume; 50% sobre a jóia; 44% sobre o DVD; 40% sobre celular; 38% no CD; nas roupas 34%; nas refeições 32%; e nos livros 15%. Isto quer dizer que na hora que eu escolher o presente da minha mãe eu estarei presenteando o governo que nem é minha avó!
Pensei: Cobra-se imposto sobre os livros? É um absurdo!
Sem alternativas resolvi sugerir: - O “dia das mães” é um dia “imposto” pelo comércio para estimular as vendas. Logo, como forma a não contribuir com o aumento da demanda e conseqüente inflação, sugeri que o reconhecido filho dê à sua dedicada mãe um simples e afetuoso abraço.
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sexta-feira, 2 de maio de 2008
Bomba!
Os preços dos combustíveis estão congelados desde o ano de dois mil e cinco, época em que o país divulgou para o mundo ter se tornado auto-suficiente em petróleo. Ou seja, passou a produzir o que consumia.
Apesar das comemorações, o país não deixou de importar o produto, o que prova que auto-suficiência foi uma balela.
O preço do petróleo chegou a dobrar no ano passado devido o aumento da demanda internacional, em particular na China; a queda da produção na Nigéria, diante de ações de rebeldes provenientes de movimentos políticos; além da queda internacional da depreciação da moeda americana.
Não se pode deixar de considerar que a Petrobrás tem quase cinqüenta por cento do seu patrimônio nas mãos de investidores privados, através das aquisições de ações nas Bolsas de Valores, e, a eles, ela tem que remunerá-los para continuar atrativo o investimento. Sem o dinheiro do investidor privado a prospecção, exploração e distribuição ficarão prejudicadas.
Ora, qual o investidor que aplica em ações da Petrobrás que está preocupado com o aumento da inflação no Brasil? Nenhum. Todos querem abrir diariamente as suas posições e ver sua “carteira de ações” em alta.
Logo, não se justifica o congelamento dos preços do petróleo no Brasil para atender à meta de inflação definida pelo governo, por se tratar de um produto cujo preço é determinado pelo mercado internacional.
Não estamos falando de tomates, pepinos, quiabos, ou batatas, e sim do óleo preto que move o mundo, provoca conflitos e guerras, e transforma qualquer “pé de chinelo” um ditadorzinho como é o caso da Venezuela.
Os últimos sinais de aumento da inflação no país, provocado não só pelo aumento dos preços do petróleo no mercado internacional; mas, também pelo aumento da demanda de alimentos em países em desenvolvimento como a China, Índia e Brasil; expansão do crédito consignado para funcionários públicos e velinhos aposentados no Brasil; queda da produção de alimentos essenciais (trigo) na Austrália devido às secas prolongadas; e da produção de etanol nos Estados Unidos que tem o milho como matéria prima, fez com que o Banco Central do Brasil aumentasse a SELIC (taxa de juros que remunera os títulos públicos), como forma de sinalizar o mercado que a política monetária está sob controle.
O governo não tem interesse em aumentar o custo do serviço da dívida pública com a retomada do crescimento da SELIC, já que apesar de provocar redução na demanda de crédito aumenta a dívida pública. A Petrobrás, preocupada com a remuneração dos seus investidores, pressionou o governo para reajustar o preço dos combustíveis.
Na história, virtualmente, entrou em campo a oposição ao governo. De que forma?
Apesar de já ter passado mais de um trimestre do ano o Orçamento anual encaminhado pelo Governo ao Legislativo, encontra-se em análise. Isto forçou o governo conter os gastos públicos e em contrapartida diminuir a demanda por recursos arrecadados de impostos.
O contingenciamento das despesas nos quatro primeiros meses do ano e do outro lado o incremento da arrecadação de tributos com o aumento da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), definido no inicio do ano quando foi retirada a cobrança da CPMF, teve com resultado a sobra de dinheiro no caixa do governo.
Conclusão: O Lula decidiu atender à Petrobrás reajustando a gasolina em 10%; compensar o reajuste com a redução proporcional da CID (Contribuição paga pelo consumidor ao abastecer o carro no posto) para não impactar na inflação; evitar o aumento do custo da dívida com novos reajustes da SELIC; e “tapar a aboca” da oposição. Em suma foi uma jogada de mestre!
Só existe um senão a ser resolvido em breve: o investidor da Petrobrás não vai ficar satisfeito com reajuste de 10% quando o petróleo foi reajustado nos últimos doze meses em mais de 110%.
Enquanto isso o reajuste do salário dos aposentados com base no critério de reajuste do salário mínimo e a queda do fator previdenciário que tramita no Congresso, tem tudo para ser barrado por orientação do próprio presidente aos deputados que estão sem saber o que fazer.
O leão estava dormindo até que o Lula em discurso de improviso disse que a gasolina não tinha aumentado desde 2005. Agora o leão acordou...
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Piaf - Um Hino ao Amor
A vida de Édith Giovanna Gassion teve tudo para dar errado. E deu.
Antes de tornar-se cantora famosa em Paris teve de suportar a infância vivida durante a primeira guerra mundial.
A falta de cuidado da mãe, o crescimento dentro de um bordel explorado pela avó, o desemprego e o alcoolismo do pai que era artista de circo, não lhe tirou o que tinha de melhor: a voz.
Temporariamente cega, a avó a levou à cidade de Lisieux para visitar o túmulo de Santa Tereza acompanhada de meretrizes que ajudam a criá-la. Ao retornarem, surpreendentemente, a garota voltou a enxergar.
Jovem, resolveu jogar tudo para trás e começar a cantar nas ruas de Montmartre, bairro boêmio de Paris, quando, alcoolizada foi descoberta por um empresário do ramo que lhe batizou com o nome artístico de Edith Piaf (pardal).
Daí em diante, quanto mais sucesso mais boemia, mais droga, mais conflito, até conhecer e apaixonar-se pelo boxeador Marcel Cerdan, que veio a morrer quando, a seu pedido, se deslocava para um encontro.
Daí em diante, mais músicas apaixonadas próprias para a época, mais morfina, mais champagne, até desmaiar no palco do Olympia. Morreu infeliz aos quarenta e sete anos, sem condições de se pôr sozinha de pé, curvada pelo reumatismo e corroída pelo câncer.
O filme estrelado por Marion Cotillard no papel de Piaf, Gérard Depardieu no papel do empresário Louis Lepée, e Jean-Perre Martins interpretando o amante Marcel, prende o telespectador pela história, interpretação e fotografia.
Não bastasse a envolvente história, ouvir Non, Je Ne Regrette Rien (Não, Não Me Arrependo de Nada), e poder imaginar-se nas ruas estreitas e movimentadas de Montmartre - bairro boêmio mais famoso de Paris – ouvindo Edith Piaf , é, sem dúvida, um presente da roteirista Isabelle Sobelman e do diretor Olivier Dahan.
Para quem ainda não assistiu, pode ver algumas cenas aqui.
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sexta-feira, 25 de abril de 2008
Que país é este?
As empresas exportadoras e importadoras já convivem com aproximadamente 500 dias de greve de funcionários públicos. Eles resolveram agir em operações chamadas “padrão”, além de outras formas de paralisações grevistas.
A greve dos auditores que retarda os movimentos portuários e ajuda a prejudicar a defasada logística do comércio exterior, é de suma importância para a Balança de Pagamentos. Tem o objetivo principal à equiparação salarial aos delegados da Polícia Federal.
Ou seja, buscam salários mensais de até R$ 19.000,00, superiores, inclusive, ao de um presidente da república.
Ora, para justificar salários equivalentes, deveriam eles pegar em armas e receber treinamento na Academia da Polícia Federal. Pelo que me consta isto não ocorre, tampouco não me venham dizer que trabalham mais que um presidente da república, cujo salário é R$ 11.420,00.
Em um país cujo salário mínimo é de R$ 415,00, fazer greve para ganhar R$ 19.000,00 soa um absurdo. Não estou dizendo que não mereçam, até porque, se o disser posso entrar na malha fina do Leão. Apesar de não ter nada a esconder não é agradável visitar uma repartição pública e ser ignorado por seus altivos servidores pagos com impostos que contribuo em tudo que consumo e também no que não consumo.
Tomando por analogia o relato do escritor português José Saramago em seu livro “As Intermitências da Morte” no qual mostra o prejuízo para a sociedade quando ela, a MORTE, resolve fazer greve, abarrotando os hospitais de doentes, causando prejuízos incalculáveis às funerárias que não vendiam caixões, e desencadeando uma crise no ministério da saúde naquele país fictício, neste outro país que conhecemos, para sair da crise há de chegar o momento de necessitar compor com a máfia, a exemplo do caso relatado no livro.
Da mesma forma que se descobriu na ficção de Saramago que transportando os doentes para o país vizinho eles morriam, driblando a MORTE em greve, pergunto se não será o caso de aproveitar o momento político para além de reajustar o preço da energia pago ao Paraguai, renegociar o Tratado de Itaipu incluindo a condição para que os empresários brasileiros possam usar a frágil infra-estrutura daquele país, para suas exportações e importações. Afinal, aquele país exporta até o que nunca produziu.
A diferença entre a situação real e a fictícia é que no primeiro caso sou eu que faço a sugestão, e não quero participar do processo, enquanto na situação fictícia – relatada por Saramago - a logística foi proposta ao ministro da saúde por um representante da máfia.
- Que país era o relatado por Saramago?
- Ele não cita nas suas histórias.
- E o país onde se faz greve para ganhar salário de R$ 19.000,00?
- É o seu, chama-se Brasil. Prepare-se para pagar mais impostos.
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
A Posse e o Rei
Na posse do presidente Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal - STF ocorrida ontem estiveram presentes Lula, Collor, Sarney e FHC.
Todos tiveram que ouvir caladinhos os discursos e ainda apertar a mão do ministro.
Ouviram de tudo: Alerta quanto à agressão aos direitos de terceiros e da comunidade sem uso legal e sem leniência dos instrumentos constitucionais; A depreciação e menosprezo da atividade política como forma de enfraquecer o regime democrático; e a lembrança que a Suprema Corte ficará atenta e guardiã da nossa já remendada Constituição.
Ou seja, o recado foi dado não só pelo presidente da Corte Suprema como, também, por outros palestrantes defensores do estado de direito.
O presidente ao ver os ex-presidentes citados anteriormente, que lá estiveram certamente deve ter pensado: dois deles transgrediram e/ou manipularam a Constituição para ampliar a permanência no poder, e um enquadrilhou-se na busca de proveitos pessoais que terminou com o impeachment. O que estão imaginando da minha leniência com o MST e da tolerância com os ministros corruptos e transgressores?
Na dúvida - que é só dele - resolveu conceder reajuste de até 137,8% aos militares e orientar o presidente do Congresso Arlindo Chinaglia (PT-SP) para segurar a aprovação da lei de resjuste das aposentadorias dos velhinhos. Estes não têm histórico revolucionário, tampouco existe qualquer corporativismo!
O único à vontade foi o soberano Pelé que também compareceu, para agradecer, com humildade, a ajuda que havia recebido do Gilmar quando o rei era ministro dos esportes e ele advogado da união. Ao rei pediram que deixasse ser fotografado e concedesse autógrafos.
Viva o rei!
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quarta-feira, 23 de abril de 2008
Temblor
Visitei o Chile em três oportunidades.
Luto para que aquele país não se torne uma coisa natural aos meus olhos, apesar de já me parecer familiar.
Na primeira vez, conheci Santiago, Viña del Mar, e Valparaiso. Estas três ciudades, abrigam praticamente cinqüenta por cento da população chilena que é de aproximadamente dezessete milhões de habitantes. As duas últimas distam de Santiago cento e vinte quilômetros e são banhadas pelo Pacífico.
Na segunda oportunidade que estive no Chile, além das localidades citadas, fiz base ao sul da capital na ciudade de Pucon, que dista aproximadamente seiscentos quilômetros de Santiago.
Lá tive a oportunidade me hospedar em uma cabana junto ao lago Villarica, ao pé das Cordilheiras dos Andes, com direito à acordar mirando o vulcão Villarica.
O amanhecer é deslumbrante!
Na última vez que vistei o Chile, optei por uma aventura maior.
Além de repetir as visitas a Santiago, Viña del Mar, e Valparaiso, me instalei a mil e cem quilômetros ao sul de Santiago na ciudade de Puerto Varas. Esta, possui aproximadamente trinta e cinco mil habitantes.
Aliás, as cidades ao sul do Chile, na sua maioria são pouco populosas.
De Puerto Varas tem-se a vista do vulcão Osorno, o mais famoso do Chile. No raio de cem quilômetros pode-se visitar as ciudades de Puerto Montt, Frutillar e Osorno.
Puerto Montt é, praticamente, a última localidade do continente chileno. Mais ao sul o deslocamento precisa ser feito de barco, já que só existem ilhas, até a Antártida.
De Puerto Varas pode-se atravessar de carro as Cordilheiras dos Andes e conhecer Bariloche, na Argentina, ou optar pela travessia de barco pelos lagos andinos.
Estando em Puerto Varas ou Bariloche, ao retornar para Santiago recomendo visitar a ciudade de Valdívia, que possui uma população de aproximadamente cento e quarenta mil habitantes, e é cortada por três rios.
Apesar de Valdívia ter sofrido, em maio de mil novecentos e sessenta, um dos maiores terremotos da história, registrando na escala Richter 9.5 pontos, com aproximadamente três mil vítimas fatais, e mais de dois milhões de pessoas terem sofrido conseqüências, ela é abençoada pela suas belezas naturais.
A diferença de um temblor no Chile e um tremor no Brasil é simples: as construções de edifícios, após o terremoto em Valdívia, é feita com tecnologia desenvolvida para resistirem os rotineiros temblores, enquanto no Rio de Janeiro os edifícios desabam, mesmo sem tremores, devido às péssima qualidades dos materiais, principalmente quando edificados por deputados eleitos pelo próprio povo.
Fotos: Sismógrafo antigo instaldo em uma caverna do Vulcão Villarica e do próprio vulcão.
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quinta-feira, 10 de abril de 2008
A Fé.
Ter “fé” é uma decisão de vontade.
Não se pode desejar ter “fé”. Tem-se ou não!
Sempre que se quer algo a mais, é porque a felicidade não existe. Logo, pode-se concluir que a busca da felicidade é uma armadilha.
Ora, sedo as afirmações verdadeiras, há um erro tosco no momento em que um deputado do PT corrupia em Brasília, defendendo um terceiro mandado para o presidente Lula.
Por que será que o PT não é feliz?
Apesar das pesquisas mostrarem a popularidade de Lula, o partido amarga o inverso, devido às falcatruas, os desvios, e as posições contrário à opinião pública.
Estes certamente são os motivos que orientou o PT a lutar pelo terceiro mandado consecutivo de Lula.
Por que não indicar a Dilma, o Dirceu, o Palotti, o Genuino, o Silvinho, o João Paulo, ou até mesmo o Renan ou o Severino Cavalcante?
Será que no partido não existe nomes que a opinião pública respeita, ou será que Lula precisa ser mantido para continuar ignorando as falcatruas?
A Emenda Constitucional n° 16, de junho de 1997, elaborada para reeleger o ex-presidente Fernando Henrique, diz que a reeleição para cargos executivos só poderá ocorrer por mais um período subseqüente de quatro anos.
De volta às afirmações citadas no início do texto, pode-se facilmente concluir que o PT não tem “fé”. Tudo não passa de um “desejo” de busca da “felicidade”.
O movimento em torno do terceiro mandado de Lula é uma armadilha. É bom lembrar que na Universidade de Brasília, não precisou de milhões de pessoas para derrubar o privilegiado reitor que usou mais de quatrocentos mil reais na reforma do apartamento funcional.
No campo das conjecturas e incerteza posso afirmar: caso os bens adquiridos pelo reitor forem colocados à venda em um bazar, como fizeram com os do traficante Juan Carlos Abadia, serei candidato a comprar o “abridor de garrafa”, que parece ter custado um mil reais, pelo preço equivalente ao de uma cueca do Abadia (R$ 1,00). Em seguida vou inaugurar o abridor em uma garrafa de syrah, relaxarei, e acatarei a sugestão da Marta, aquela que é ministra do turismo...
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quinta-feira, 3 de abril de 2008
Uma Cidade Mundial

Esta semana a Câmara dos Lordes reunida no Palácio de Westminster que abriga a torre do relógio mais famoso do mundo, o Big Ben, sugeriu ao primeiro ministro inglês maior rigor no controle das autorizações para migrações de estrangeiros para o Reino Unido.
Sabiamente, o primeiro ministro reconheceu que os imigrantes têm muito a contribuírem com o Reino Unido, desde que possuam formação profissional compatível com as necessidades do país.
Em Londres a diversidade cultural pode ser percebida em todo lugar.
Ao circular em um “bus” percebe-se que a maioria dos motoristas é indiano, nos “Pub´s”, nos shoppings, e hotéis os trabalhadores são de inúmeras nacionalidades, inclusive brasileira.
Há alguns anos, em um vôo de Salvador para São Paulo falou-me um empresário espanhol:
-São Paulo é uma cidade mundial.
Eu acrescentei:
-Assim como a Cidade do México que possui a maior população.
Ele respondeu:
-Não, a Cidade do México não é uma cidade mundial, apesar de ser a mais populosa. Cidades mundiais são as que agregam culturas e diversidades de todo o mundo.
Foi aí que eu entendi o que é uma cidade mundial, e falei:
-Você quer dizer que cidades mundiais são como New York e Paris.
Ele respondeu:
-Isto mesmo, porém não nos esqueçamos de Londres!
Certamente, tanto o meu companheiro de viagem como o primeiro ministro Inglês estão corretos: Londres não pode se privar dos seus imigrantes. Ela deixa de ser a “Londres” que conhecemos.
Ao circular nas calçadas do centro londrino é confortável ouvir-se não só o inglês, mas o árabe, o português, o francês, o italiano, e outros tantos idiomas mais. Esta e outras diferênças tornam aquela cidade uma "Cidade Mundial".
Aliás, Caetano Veloso, quando exilado escreveu a música London, London, e disse:
"Estou vagando, dando umas voltas, sem direção
Estou solitário em Londres,
Londres é gostosa assim
Cruzo as ruas sem medos
Todo mundo deixa o caminho livre
Sei que não conheço ninguém aqui prá dizer alô
Sei que eles deixam o caminho livre
Estou solitário em Londres, sem medos
Estou vagando, dando umas voltas, sem direção”.
(Continua...)
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terça-feira, 1 de abril de 2008
Minha Geladeira Velha
Ao consultar um técnico para consertar a minha geladeira recebi a seguinte informação: “Para transportar, pintar, e colocar uma resistência o senhor me paga quatrocentos reais”.
Apesar do carinho que tenho por ela, ponderei. Financeiramente é mais recomendável a compra de uma nova do que promover a reforma. Optando pela reforma, certamente, oferecê-la-ia a uma pessoa que necessitasse e cuidasse bem até o fim da sua útil vida. Digo "útil vida" porque a "vida útil" há muito já se foi...
Depois do diálogo citado, me deparei com a notícia que o governo federal vai criar a “Bolsa Fria”.
Logo, pensei em me candidatar ao benefício, já que o objetivo da “Bolsa Fria” é promover a troca do precioso eletrodoméstico por modelos que consomem menos energia.
Até aí tudo bem! Depois percebi que o meu perfil está fora do estrato considerado pela “política governamental” para receber o benefício.
Ora, se a política não fosse para ganho de votos, seguramente os beneficiários deveriam ser toda população, sem distinção de classe social. Pelo menos os contribuintes que pagam Imposto de Renda deveriam ter a faculdade de deduzir o custo da aquisição como “Despesa não Tributável”.
Como os burocratas do IBAMA que tratam das questões ambientais emperram as autorizações para as construções de, nada menos, quarenta e cinco projetos de usinas hidroelétricas, fica o governo federal sem condições de expandir a oferta de energia e aproveita a crise para usar em seu favor, a “Bolsa Fria”.
São chistosos; os burocratas que emperram as autorizações para as construções das usinas, na maioria, são os mesmos que recebem propinas para liberarem desmatamentos clandestinos, os que jogam na natureza de qualquer jeito e forma os saquinhos plásticos e as latinhas de cervejas, e os que fazem greve para não fissurar as estruturas que lhe oferecem mais poder.
Presidente, talvez seja uma fria, mas eu quero e preciso entrar no estrato da “Bolsa Fria”! Prometo-lhe que optarei em não deixar a minha velha querida geladeira, extravagante consumidora de energia, com alguém que a necessite, para doá-la a uma rica siderúrgica brasileira conforme define o programa.
Por favor, Presidente, manda o ministro Lobão me incluir!
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segunda-feira, 31 de março de 2008
Ano 2011
Começarei a fazer uso do Viagra após 2011.
Pode parecer esquisito esta afirmação, contudo, a decisão não foi baseada em consultas feitas ao meu cardiologista, ao urologista, a uma mãe-de-santo baiana como costuma dizer o senador Romeu Tuma, ou à minha própria e paciente mulher.
A minha decisão se prende à notícia de que o laboratório que fabrica o medicamento que torna a vida mais divertida e feliz perderá a patente da fórmula em 2011.
Ou seja, o medicamento poderá ser fabricado na forma genérica, por preço mais em conta.
Os que fizeram, fazem, e farão uso do produto até lá, certamente, estarão ajudando a pagar os comprimidos que serão consumidos a partir do vencimento do prazo da patente.
O laboratório que detêm a patente já embolsou e continuará embolsando bilhões de dólares até o seu vencimento, com a garantia de tornar "homens mais seguros e mulheres mais felizes".
Algumas prefeituras incluem o Viagra na cesta de medicamentos distribuídos gratuitamente, promovendo a felicidade de muitos velhinhos.
Há críticas a favor e contra que devem ser respeitadas, porém, não devemos nos esquecer que na Grécia Antiga, Felipe da Macedônia pai de Alexandre o Grande, maior conquistador do mundo antigo, contratou pessoas para orientarem o filho a prática da homossexualidade. Não estranhe a informação, o uso da prática era comum à época.
Posteriormente, a igreja católica, no centro dos governos, percebendo a necessidade de povoamento mais acelerado da terra para expandir o poder, orientou os seus fieis a se casarem e procriarem. Por isso, hoje temos a terra superpovoada e sem condições de produzir a quantidade de alimentos necessários ao consumo da população.
Por aqui, há o risco do governo federal, em busca de votos para a eleição de Dilma, criar um programa de distribuição gratuita do medicamento. Será uma incongruência ou uma demonstração democrática, porque com ela na presidência, possivelmente, deixando de lado o preconceito, teríamos que voltar à política da Grécia Antiga.
Quanto à classe média, restará aguardar 2011...
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sábado, 29 de março de 2008
Destilando Ódio
Pisaram, mais uma vez, no calo do presidente Lula.
No discurso, de improviso, proferido ontem pelo mandatário da nação, a emoção tomou conta do palanque ao saber dos índices de popularidade a seu favor.
Lula, como representante da nação, em vez de tratar as oposições com a elegância esperada de qualquer chefe de governo, ultrapassou os limites ao se referir ao PSDB e ao DEM.
Quanto ao DEM chegou a dizer que o partido trocou de nome por vergonha.
Sendo verdadeira esta afirmação, o partido envergonhado tenta desfazer-se da carapuça de extrema direita para tornar-se, pelo menos no nome, democrata.
Pergunta-se: será hora do PT, partido do governo, trocar de nome ou os seus dirigentes e auxiliares não têm a “vergonha” citada pelo presidente face às falcatruas do mensalão, dos cartões corporativos, das falências arrumadas de cooperativa de bancários, e outras tantas coisas mais?
Os partidos citados pelo presidente estão se engalfinhando com o PT na CPMI, tentando abrir o sigilo dos cartões corporativos, inclusive os usados pela família do presidente.
Apesar do sorvete de tapioca que foi mandado servir por um deputado da oposição, houve troca de dedos nas caras entre um senador que se elegeu pelo DEM e trocou de partido e um que nunca recebeu um voto do povo, mas, está lá como substituto do “histórico” ACM.
Descontrolado, o que deixou o partido democrata se intitulou “democrata”, enquanto o outro do partido democrata se esqueceu de dizer que democrata era ele, apesar de nunca ter recebido um voto do povo. Afinal, ele já havia sido desrespeitado, na semana anterior, ao ver a residência de sua progenitora invadida por ordem judicial para contar as obras de arte deixadas pelo pai.
Enquanto as oposições descontentes "bate boca", por ter perdido a mamata do governo FHC, o presidente desfilava em palanque com a sua candidata a presidente Dilma Rousseff. Dilma sem saber sorrir é catucada pelo presidente para flexionar os músculos da face. Afinal, banqueiro em dificuldade e político em campanha precisa sorrir! O banqueiro para que os clientes não saquem o dinheiro do banco e ajudem a quebrar mais rápido a instituição, e o político, este, se for “sério” o povo não vota.
Esta história de abrir as despesas dos cartões corporativos da família do presidente é pura babaquice. Todos sabem que a despesa do botox da primeira dama foi paga com o dinheiro do povo. Quanto à forma de pagamento, se em reais, cheque, ou cartão isto não importa. Certamente, se pago em dólares vindos da Venezuela para todos nós seria uma decepção.
Sobre este assunto Lula tem coerência. Em vez de mandar confeccionar as camisas que usa na Itália, por recomendação do governador baiano, manda confeccioná-las na Bahia.
Falar em Venezuela, o presidente Lula resolveu brincar com o brasileiro, mais do que já brinca. Disse esta semana que o ditadozinho Hugo Chaves foi o responsável pela paz entre a Bolívia e o Equador. O Chaves chegou a rir da asneira que ouviu. O antigo guerrilheiro deve ter recebido o “elogio” como uma piada. Eu também ri quando ouvi! Quase postei no meu blog “Uma Piada”.
Na Venezuela, há sinais de inflação descontrolada, apesar da riqueza petrolífera. Na Argentina a presidente Cristina já ouve, todas as noites, a sonoridade do panelaço devido às medidas erradas de combate a inflação. Em Cuba o Raul já dá sinais de flexibilização do regime autoritário e criminoso, permitindo acesso da população a celulares e aparelhos de televisão. No Brasil Lula está em “alta” porque a economia tem agüentado os trancos da bamba economia americana. Lula declarou no palanque que telefonou para o George Bush e o repreendeu. Disse ele: “Porra Bush vê se você resolve esta merda aí porque o Brasil precisa continuar crescendo!”
Você acredita que ele falou assim para o texano Bush?
Eu, não.
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terça-feira, 25 de março de 2008
O Carro Zero KM
O ministro da fazenda Guido Mantega sinalizou na última semana para uma eventual redução dos prazos de financiamento de veículos, objetivando reduzir a demanda. Posteriormente, recuou após imediata “pressão” das montadoras, da indústria de autopeças, das seguradoras, e principalmente do sistema financeiro.
Todos que formam a cadeia produtiva estão enchendo os bolsos de dinheiro, os únicos que não percebem que perdem são os pobres consumidores.
Ao comprar um veículo novo em longo prazo, ele, o consumidor, está simplesmente se comprometendo a pagar no mínimo mais dois automóveis em juros para os bancos e financeiras, contratação e renovação anual de seguros, revisões semestrais nas concessionárias, emplacamentos anuais para o governo estadual, impostos atrelados à produção e ao financiamento para o governo federal.
Quem leva menos dinheiro são os flanelinhas, porque apesar de prestarem serviços precários, terminam trabalhando sem carteira assinada no sol ou na chuva.
Os paulistanos que não sabem mais onde colocar o carro, lutam sem sucesso para se locomoverem, e terminam cobrando do governo investimento em intra-estrutura, para que possam alternar as máquinas na pista. Ou seja, o veículo com placa policial com terminação “par” roda em um dia e o da placa com terminação “impar” no dia seguinte.
Assim, a falta de decisão governamental termina sendo paga, por uma parte da população submetendo-se às montadoras, seguradoras, bancos, etc., e a outra parte pagando mais impostos para atender à demanda de infra-estrutura para melhorar vias públicas com vistas à fluir ligeiramente o trânsito.
Já passou a hora de acabar com isso!
A população precisa tomar consciência e cobrar seriamente do governo a terceirização/privatização dos serviços de infra-estrutura para que os consumidores dos serviços paguem diretamente pelo uso.
Há muitos anos o Chile já deixou de ficar “correndo atrás do rabo”.
Lá as estradas “las carreteras” são boas e totalmente privatizadas. O contribuinte não tira um peso do bolso para pagar aquilo que não consome. Em contrapartida, o governo privatiza pistas e túneis até na própria capital Santiago.
Lá, o imposto é baixo e recolhido por todos. Ao se usar um sanitário “baños” em uma auto-estrada ou se comer um sanduíche “churipan”, o cliente, ao pagar, recebe imediatamente um cupom que comprova o recolhimento do imposto.
No Brasil, todos se beneficiam do consumidor desinformado. Principalmente o governo que não quer deixar de mamar nas tetas do imposto exorbitante.
Foi com o aumento da venda, financiada, de veículos e eletrodomésticos que o governo compensou a perda do CPMF, sem precisar fazer o enxugamento da emperrada máquina pública.
Afinal, enxugar pra que, se as eleições municipais estão próximas e existe certeza da contribuição dos bancos no processo eleitoral?
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sexta-feira, 14 de março de 2008
O Cego de Nova York
O filósofo Friedrich Nietzsche disse: “É mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má reputação”.
Este pode ter sido o motivo que levou Eliot Spitzer ex-prefeito da mais importante cidade do mundo renunciar o cargo, devido à confirmação do seu envolvimento com prostitutas, cedendo a administração de Nova York para o advogado e historiador cego David Paterson.
Alguém pode se perguntar: Como um cego vai governar uma cidade tão complexa?
Segundo José Saramago em seu livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, há uma diferença entre “ver” e “reparar”. Foi reparando que David Paterson fez as faculdades de história e direito, e conseguiu eleger-se vice-prefeito daquela cidade.
De volta ao “politicamente correto” citado por Nietzsche, poderíamos concluir que um povo não pode ser representado por alguém que não cumpra as obrigações conjugais de forma ortodoxa.
Sendo esta afirmação correta, a candidata a candidata à presidência da república americana Hillary Clinton também não deveria merecer o voto daquele povo.
Ela, não só perdoou Bill Clinton quando enamorou Monica Lewinsky, como, foi mantida financeira e politicamente por um marido “pecador”.
O que é mais “politicamente correto”? Escolher para candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos o senador Obama por ser negro, ou Hillary por ser mulher?
Será que o Brasil deve torcer por um candidato negro ou por uma mulher? Ou estas referências não têm fundamentos quando comparadas aos interesses econômicos?
As minorias que me perdoem, mas no momento não cabe esta história, tampouco discurso ultrapassado e filosófico.
Quem pode está certo é o cantor, compositor, e percussionista Carlinhos Brown. Ao participar de uma recepção oferecida pelo governo da Bahia à Secretária de Estado Americano Condoleezza Rice, ao cumprimentá-la, ele expressou o encantamento pela sua beleza.
Brown não foi “politicamente incorreto”, afinal ele deixou a excentricidade irreverente do artista aflorar. Só faltou o ministro da cultura Gilberto Gil, também presente no evento, beijar na boca e justificar que se trata de uma saudação habitual no gueto...
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segunda-feira, 10 de março de 2008
A Mulher do Médico
Por que José Saramago em seu livro "Ensaio sobre a Cegueira" deixou de fora a “Mulher do Médico” ao resolver cegar os habitantes de uma cidade fictícia?
Quis ele incorporar a personagem, e através dos seus olhos, ajudarem o leitor a analisar as facetas do comportamento humano durante uma crise epidêmica, ou mostrar, desde o início do texto, que vale mais “reparar” do que simplesmente “ver”?
A história da chamada “Cegueira Branca” que se espalhou por uma cidade atemporal, registra as atitudes para a sobrevivência física, da compostura, e da espiritualidade do homem, quando submetido a uma epidemia.
Quem ainda enxergava se comportava com autoridade para decidir o que fazer com os cegos. Logo todos passaram a ficar na idêntica situação, exceto a “Mulher do Médico”, que se manteve, sem explicação, até o fim da história podendo ver.
Segundo o próprio autor, ele sofreu para escrever o texto e quis que o leitor também participasse do sofrimento ao lê-lo.
Sem dúvida, quem teve o prazer de ler o texto passa pela experiência do sofrimento maduro da reflexão sobre a humanidade, ao ver-se favorável e contra comportamentos de sobrevivência, mascarados pela hipocrisia social. Os limites entre a sobrevivência e barbaridade, e os entre o instinto do progresso e o da autodestruição, são ultrapassados a todo o momento.
Saramago acerta em cheio na ferida. Quem ler “Ensaio sobre a Cegueira” não será mais o mesmo. No mínimo, passa a “reparar” tudo o que “ver” tentando humanizar-se.
A sutileza entre o “olhar” e o “ver” permeia a visão física remetendo-a para uma, mais atenciosa, a de "reparar" que pode ser observada mesmo na cegueira.
A exclusão social, a relação com o poder, a crítica às autoridades, as alternativas para a sobrevivência, a experiência adquirida na velhice retratada no personagem do “Velho da Venda Preta”, são observados no texto.
Porém um fato sutilmente relevante não deixou de ser registrado: O personagem “Escritor” que mesmo sem “ver” registrava no papel tudo o que “reparava”, esperando que um dia alguém soubessse o ocorrido, perpetuando a memória para ajudar na formação da consciência coletiva.
Diz Saramago: “Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, esta coisa é o que somos”.
Que bom é saber ler para tentar reparar este importante escritor!
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quinta-feira, 6 de março de 2008
Esdruxularia da Metafísica
Tem sido comum, em rodas de amigos e colegas a seguinte pergunta:
- Você é a favor ou contra o uso de célula-tronco para pesquisas e terapias?
Isto tem mostrado que o interesse maior da sociedade - por falta de conhecimento ou indução proposital ou equivocada da imprensa – não está entendendo o que se encontra sob julgamento no Supremo Tribunal Federal-STF.
Lá, por não ser uma Academia de Ciências, não está em análise a questão ética. Discute-se se a Lei de Biossegurança está ou não ferindo a Carta Magna do país.
Cabe ao STF ser o guardião da Constituição Brasileira, em vez de discutir assuntos voltados para a metafísica, a ética, e o êxtase. O que deve ser discutido é a hermenêutica da Carta Magna e não a esdruxularia da ciência, da filosofia e da ética.
O que se espera do STF não é uma resposta para o que fazer com os embriões a serem descartados, cujos óvulos foram fecundados através de técnicas de reprodução “in vitro”, ou seja, fora do útero materno.
Espera-se um julgamento sobre a constitucionalidade da Lei de Biossegurança.
Ela fere ou não a Constituição Brasileira?
O tema ético, que superou o interesse da legalidade, terminou permeando pela sua importância a discussão do que é ou não legal.
Os menos avisados ou pouco observadores, podem imaginar que cabe ao STF julgar se deve ou não fazer pesquisas e terapias com embriões fecundados “in vitro”.
Não é lá que deve acontecer a discussão.
Esta já aconteceu há tempos no Congresso Nacional e no Senado, como representantes da ética do povo, apesar de que em muitos momentos deixarem a desejar e envergonharam e continuam envergonhando a Nação.
A morte ocorre com a paralisação cerebral, por lógica, a vida só se inicia no momento que o cérebro começa a funcionar.
Para seu conforto ou desconforto os embriões a serem descartados e utilizados em pesquisas e terapias ainda não possuem cérebro...
Agora sou eu que lhe pergunto:
- Você é a favor ou contra o uso de célula-tronco para pesquisas e terapias?
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
As penas
Penso que estou sozinho, ao meu lado estão os que se foram para outros mundos; os que se encontram distantes por necessidades; e os que estão próximos e calados.
Os primeiros na forma dos valores enraizados na consciência, os segundos nas saudades por ausências, os terceiros nas conveniências da preguiça confortável da minha inoperância humana.
Quando estou sozinho fico com a inexplicável convivência astral do pensamento compartilhado; com o compromisso de anos às minhas formas e jeitos; com a visão de um observador energizado, inconveniente e degradante.
Quando sozinho, sou os conflitos que a minha mente extravagante cria, recria, e expulsa. Ainda bem que os expulsa, do contrário ela já teria estrugido como bomba.
Quando estou sozinho as penas eclodem do mar revolto, do vento incontrolável, e da irreverência do amor que nunca envelhece...
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
A Saga da Mordaça Cubana.
Em 1868 Céspedes promoveu um levante contra o governo espanhol e proclamou a independência de Cuba. É lógico que o intento não deu certo. Não se combatia a Espanha com duzentos homens despreparados e escravos libertados de supetão.
As tropas espanholas retomaram o controle, Carlos Céspedes foi deposto, e a Espanha deu continuidade à exploração dos metais preciosos, e ao controle sobre os latifúndios açucareiros.
Depois que um navio americano explodiu no porto cubano, os Estados Unidos tiveram o álibi para declarar guerra, e expulsar os espanhóis, colocando-se como a “tábua de salvação” de Cuba.
A cobrança veio logo a seguir. McKinley, presidente dos Estados Unidos à época, assinou uma Resolução declarando Cuba independente, e nomeou o general americano Johon Brooke governador, que teve a incumbência de implantar medidas econômicas que beneficiaram os Estados Unidos, e os americanos que se instalaram na Ilha. Posteriormente fez incluir na Constituição cubana a ”Emenda Platt” garantindo aos americanos interferirem no país quando seus interesses fossem ameaçados.
Depois de muitas desilusões, os movimentos sociais se proliferaram, e culminou com a ascensão de Fidel Castro ao poder.
Foi então que os americanos raivosos excluíram comercialmente Cuba do mapa, e o açúcar produzido sobrou nas mãos da União Soviética por interesse da guerra fria com os Estados Unidos. O regime de Fidel conseguia sobreviver devido o interesse da Rússia e dos seus parceiros em ter um território próximo à América, para instalarem as suas bases militares.
Agora, fora o ditador Hugo Chaves que fornece petróleo subsidiado a Cuba, interessado em aumentar a influência política contra os americanos, os demais tolerantes e simpáticos ao carismático Fidel trocam, apenas, abraços fraternos.
O exemplo da Espanha, dos Estados Unidos e da União Soviética poderá ser seguido pela Venezuela, para impedir as mudanças esperadas pelo mundo, devido à fenda provocada pela enfermidade do homem que fez o povo cubano calar-se por quase cinqüenta anos.
Dos cubanos não se pode esperar muito, já que não conhecem nada mais do que é convenientemente permitido pelo regime.
Afinal, “Quantos anos devem algumas pessoas existir até que sejam permitidas a serem livres?” - Blowin’in The Wind - Bob Dylan.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
A Estátua
Enquanto o senador americano Barack Obama, filho de um queniano, luta nos palanques para convencer os delegados a ser o candidato do seu partido à presidência dos Estados Unidos, seus compatriotas no Quênia tentam resolver as divergências com facões.
As etnias quenianas estão pouco se lixando para o poder do diálogo.
Apesar do inglês e o suaili serem os idiomas oficiais naquele país, as etnias conhecidas como calenjim, luo, quicuio e luo trocam pauladas entre si, bem diferente das “pauladas” na disputa política na América.
Lá, na América, o que vale é a quantidade de dólares que cada candidato dispõe na algibeira, doados pelas empresas que querem ver-se representadas politicamente.
Até que ponto as 31 toneladas do cobre da Estátua da Liberdade, doada pela França aos Estados Unidos pode ser vista com modelo da democracia?
Recentemente o nosso presidente declarou que a Venezuela de Chaves é um país democrático. Daqui a pouco alguém vai dizer que no Brasil, que tem o Senado e a Câmara dos Deputados com pessoas que nunca receberam um voto do povo, e com um Executivo que concede Cartões de Crédito Corporativo às arapongas do governo pode servir de modelo.
Enquanto for permitido gastar uma fortuna para levar a dona Marisa para conhecer um pingüim na Antártida eu quero continuar a ter o direito de escrever o que pensa a minha mente democrática.
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sábado, 16 de fevereiro de 2008
Freud ou Jung?

Enquanto pensava que estava driblando a dona da biblioteca cujos livros desapareciam pela janela, a depressiva senhora a acolhia com nebulosidade consciente, como forma de compensá-la pelo que não teve mais condições de oferecer.
Certo dia resolveu escrever a Liesel relatando o seu comportamento, e acabou privando a ladra a emoção do jogo.
De segura e habilidosa na arte de roubar livros Liesel viu-se frustrada por imaginar ter ludibriado por muito tempo a quem conhecia as suas aventuras, e as reconhecia por direito.
Até que ponto se pode ser condescendente com atos socialmente inaceitáveis, com o intuito de compensar outros, cuja consciência não deixa esquecer?
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Nauseabundas
Um cão de madame avançou em outro cuja coleira não resistiu à fúria. Formou-se uma baixaria, na praça que costumo fazer caminhadas.
Dizem que baixaria só acontece nas classes menos favorecidas. Enganam-se os que assim pensam. Baixaria é praticada na maioria das vezes por pessoas das classes mais favorecidas, e quando ocorre, por força deste paradigma torna-se ainda mais ridícula.
Ao possuírem acesso a cargos importantes, terem conseguido amealhar recursos, ou até gozarem de prestígio político e social, pessoas agem de forma tão deselegante que, muitas das vezes, os que a cercam preferiam não estar presentes.
Enquanto estas pessoas não percebem o quão ridículas são, os outros às vêem como nauseabundas.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
A Revolução não deu certo
Recentemente, em uma reunião social que participei na cidade de Santiago no Chile, tive a oportunidade de conversar sobre as diferenças de comportamento das classes média brasileira e chilena.
Ao discorrer sobre a minha percepção, a respeito da importância que a classe média de cada país tem na ajuda às menos favorecidas, fui interrompido por um cubano, que reside em Santiago:
- No meu país só existe uma classe social.
Tive a impressão, pela postura corporal e tonalidade da voz, que a informação foi dita para afirmar que em Cuba existe justiça social.
Para não ser indiscreto, agradeci a informação e contive a minha curiosidade sobre os motivos que o levaram a optar por escolher Santiago para morar,
Confirmadas as diferenças de comportamento entre as classes brasileira e chilena, por dois professores de universidades que se encontravam na mesa, mantive a curiosidade sobre os motivos do imigrante cubano.
No dia seguinte, perguntei a um chileno que também participou do evento:
- Por que o cubano mora em Santiago?
A resposta foi rápida e objetiva:
- Porque ele queria ser empresário e lá, em Cuba, isto não poderia acontecer.
Conclusão: Assim caminha a humanidade... Bom Syrah, excelente pisco sauer, saborosas empanadas, suculentos bifes de chouriço, e muitas conversas fiadas...
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
O Rádio do Meu Pai

Lembro-me das “Ave-Marias” cantada às dezoito horas e da minha avó rezando o terço.
Lembro-me das sandálias do meu pai provocando ruído, ao arrastá-las no piso da casa que morávamos.
Depois da Ave-Maria, do banho tomado e na espera do jantar, chegava a hora de ouvir as músicas tocadas por Dilermando Reis, Nelson Gonçalves e outros mais...
Certo dia, o rádio parou de funcionar na hora do programa musical preferido por meu pai. Tentando manter a rotina, e o lazer barato e cômodo, ele aplicou alguns tapas nas laterais da caixa que abrigava o transmissor. Sem sucesso!
Repetiu os movimentos, e nada! O rádio não funcionou. Veio a última chance: meu pai o retirou de cima da cristaleira e o arremessou por entre a janela que dava vista ao quintal da casa.
Para minha surpresa, ao bater no chão, o rádio do meu pai voltou a tocar, e desta vez um sucesso de Carlos Galhardo.
Ele me disse:
- Peque aquele danado ali!
Eu pulei a janela e o trouxe de volta.
Foi assim que o rádio do meu pai, voltou a se acomodar, novamente, sobre a cristaleira.
Aqui pra nós, ele tinha cada uma...
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
O Vento é o Ar em Movimento.

A rede que abriga a globalização financeira ainda não parou de balançar com as notícias vindas da terra do Tio Sam.
A frase “I Want You” usada para recrutar soldados americanos para a Primeira Guerra Mundial ainda é adequada para nortear a economia.
No momento
As Bolsas de Valores desabaram na intensidade das condições dos fundamentos econômicos praticados em cada país, e nos prováveis desempenhos das suas empresas que compõem os índices.
Apesar de o mercado mundial esperar uma redução da taxa básica a ser divulgada pelo FED (Banco Central Americano), na tentativa de evitar a recessão nos Estados Unidos, não se sabe como este mesmo mercado reagirá futuramente, diante do risco de aumento da inflação, provocado por esta medida.
No Brasil, o colchão das reservas em dólares mantidas pelo governo a custo elevado, e os fundamentos da economia, ajudaram a diminuir os efeitos do vento forte. Contudo, não se pode deixar de considerar que um percentual significativo do IBOVESPA (Indice da Bolsa de Valores de São Paulo) é composto por empresas exportadoras, as quais poderão ser prejudicadas com a crise.
Sabe-se que o epicentro do terremoto financeiro mundial está situado na terra do Tio Sam. Como entender que por aqui o dólar está em alta, a Bolsa de Valores está em queda, e os recursos estão sendo retirados da economia brasileira para serem direcionados para aquisições de Títulos do Governo Americano?
A resposta é simples: A economia americana ainda é a maior do mundo. Caso ela venha a quebrar leva consigo as demais economias, inclusive a brasileira.
Por isto o Tio Sam ainda diz: “I Want You” ou “Eu Quero Você” investindo em meu país.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Segundo Tempo

Com a popularidade baixa resolveu “sacudir” os colaboradores, com o intuito de reverter a situação.
É bom lembrar a importância de Bachelet para a América Latina. Ela foi a primeira mulher eleita presidenta no Continente. É verdade que, antes, na Argentina, uma mulher ocupou o cargo de presidenta, contudo havia sido votada para vice do presidente Peron.
É importante para a América Latina que Bachelet recupere o prestígio da época da eleição, afinal um país que saiu não muito longe das mãos de Pinochet, precisa consolidar a democracia e dar exemplo ao aventureiro ditador Venezuelano.
No Brasil, já vimos várias vezes a receita usada por Bachelet. Quando a popularidade do presidente baixa, as forças de apoio precisam ser refeitas.
Agora, precisamos ver uma mulher presidenta.
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Um Bem Finito

O desperdício e a falta de cuidado com os agentes poluentes podem desencadear as próximas guerras, abrindo possibilidades de conflitos bélicos.
Especialistas em segurança mundial comentam que os conflitos baseados em questões religiosas ou ideológicas ficarão em segundo plano, quando comparados com os provocados devido à necessidade por água, alimento, e energia. Fatores de sobrevivência dos povos.
Sendo o país pobre ou rico, a procura de solução por recursos considerados vitais será de interesse global. Todos terão que, em algum momento, fazer a sua parte para preservação da água no planeta.
O Brasil possui aproximadamente quarenta e cinco mil metros cúbicos de água por habitante. É a maior reserva de água doce do planeta, contudo, dos mais de cento e oitenta milhões de brasileiros, quarenta milhões não têm acesso à água potável.
A falta de saneamento contribui para a poluição e contaminação das reservas.
Exigir políticas públicas responsáveis e sustentáveis deve ser prioridade, contudo a população mundial deve se conscientizar para a necessidade de agir de forma ecologicamente responsável.
Assim como os internamentos em hospitais são mais demandados devido à falta de ênfase em saneamento, e em preservação ambiental, futuramente as nações que se consideram privilegiadas - por possuírem reserva de água - poderão ter necessidade de reforçarem o arsenal bélico para se defenderem.
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Eduardo Andrade
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sábado, 5 de janeiro de 2008
Uma Loira na Minha Vida - I
Após o atraso de quase duas horas para o embarque em um avião da Gol Linhas Aéreas Inteligentes no último dia dezenove, saindo de Salvador com destino a São Paulo, fui surpreendidos com uma decisão do comandante: a Polícia Federal foi chamada para retirar uma passageira, por ter se dirigido a uma das comissárias de forma inadequada.
Trinta minutos mais aguardando a retirada da passageira, segui com destino a Guarulhos (SP), para fazer uma conexão para Santiago (Chile).
Ao chegar a São Paulo fui informado, por uma funcionária da Gol, que havia perdido a conexão. Deveria retirar a bagagem na esteira, e posteriormente, me dirigisse ao balcão de check-in para receber novas instruções.
Depois de aguardar por mais de uma hora a retirada da bagagem, sem sucesso, procurei informações a outra funcionára da Gol, momento que fui informado que a bagagem havia sido enviada para Santiago.
Sem aceitar as justificativas, já que a bagagem havia seguido e eu não, me dirigir ao balcão de check-in. Lá me informaram que a próxima conexão seria na noite do dia seguinte.
Recebi um novo bilhete, um vaucher de autorização para pernoite em um hotel de terceira categoria em Guarulhos, e outro para utilização de um Táxi até o hotel.
Já eram três horas da manhã do novo dia do embarque e ainda me encontrava no Aeroporto.
Após exigir informações à supervisora da empresa descobri que ao chegar a
Não precisa ser inteligente para concluir que havia tempo suficiente para o meu embarque, contudo, por falta de competência da Gol Linhas Aéreas Inteligentes ou por prática de overbooking, eu e mais doze passageiros não embarcamos a nossos destinos.
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Eduardo Andrade
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