terça-feira, 21 de outubro de 2008

O fio do bigode

Não bastou a injeção de muito dinheiro no sistema financeiro para amenizar os efeitos da crise mundial. O sistema, desde a época dos nossos tataravôs funciona na base da credibilidade. Naquela época, bastava o fio do bigode do banqueiro ou do devedor para garantir respectivamente o depósito ou o pagamento da dívida. Hoje é diferente, o sistema financeiro não espera fio de bigode crescer, funciona com base em informações divulgadas a cada minuto e com velocidade virtual. Não estamos mais a falar da crise de 1929, época em que até o telefone funcionava com dificuldade.

Para acalmar o mercado foi necessário o primeiro ministro inglês Gordon Brown anunciar a disposição de comprar as ações dos bancos em dificuldades, atitude acompanhada por outros chefes de governos da Europa.
É lógico que se o anuncio tivesse sido feito por Bush o efeito não teria sido o mesmo, porque lhe falta credibilidade, não só nos Estados Unidos, mas, principalmente no resto do mundo envolvido na crise americana.

As velhinhas americanas que pouparam suas economias investindo em ações, diretamente ou através de Fundos de Pensões, estão a ver navios sem saber o que fazer. Enquanto isto a Cristina Kirchner, presidenta da Argentina quer estatizar os Fundos de Pensões, argumentando que a carteira das Administradoras de Recursos de Aposentadorias e Pensões, os maiores investidores institucionais do país, está composta em quase 70 por cento de ações, acarretando perdas de até 45% dos patrimônios. Ou seja; quem possuía R$100.000,00 aplicados em um Fundo de Pensão antes da crise hoje só possui R$68.500,00. Aproximadamente R$31.500,00 viraram éter.
Há oposição à presidenta Cristina com relação à intenção de estatizar os recursos, não só pela ex-candidata à presidência Elisa Carrió, mas, também pelo próprio sistema financeiro que deixará de ganhar a “taxa de administração” sobre aproximadamente trinta bilhões de dólares destes fundos.

O que está em discussão no caso argentino é se a opção pela estatização foi colocada como parte da preocupação do governo em relação às aposentadorias ou se trata de uma oportunidade para gerir recursos com o objetivo de tapar o buraco das contas do governo.
Esperamos que o governo brasileiro não proponha medida parecida com a da Argentina, apesar de alguns fundos de pensões ligados a empresas estatais terem sido pegos, pela crise, de calças curtas. No caso brasileiro o problema não é diferente da Argentina, tem fundo de pensão de empresa estatal com patrimônio atolado em ações.

Vale lembrar que se alguma medida for tomada neste sentido quem vai sofrer as conseqüências serão os contribuintes, muitos dos quais sequer são segurados do INSS.
Não custa lembrar que aproximadamente dois terços do patrimônio destes fundos foram recursos retirados dos contribuintes. Não é justo que estes mesmos contribuintes venham a ser chamados a tapar o rombo da má gestão e das concessões especiais feitas pela Secretaria de Previdência Privada.

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