Desde que Napoleão Bonaparte botou Dom João VI e sua corte para correrem de Portugal, resultando em uma viagem apressada e desastrosa até Salvador, e logo em seguida ao Rio de Janeiro, os que aqui viviam passaram a conhecer uma forma de fazer as coisas acontecerem até hoje usada no país.
O próprio Dom João ao chegar a Salvador divulgou a abertura dos portos para as “nações amigas”, ato eminentemente político, que teve o objetivo de iludir os que aqui habitavam, já que o efeito prático da medida foi diminuto.
É só lembrar que à época, Portugal só tinha de aliado (país amigo) a Inglaterra. Conclui-se facilmente que os navios que poderiam aportar no Brasil eram os calhambeques portugueses e a rica e imponente frota inglesa, que inclusive ajudou à corte portuguesa na fuga.
O único jornal que circulava no país era impresso na Inglaterra, já que no Brasil era proibida a impressão de documentos, para evitar conspirações contra Portugal.
Ao chegar ao Rio de Janeiro o monarca se preocupou em corromper o jornalista Hipólito da Costa proprietário do Jornal Correio Braziliense, impresso na Inglaterra, pagando-lhe um salário mensal, com o compromisso de não ser divulgada nenhuma notícia que desmerecesse a corte.
A impressora que havia sido importada da Inglaterra pelos portugueses foi abandonada no cais do porto de Lisboa, devido a apressada fuga que dificultou o planejamento da viagem da corte para o Brasil.
Quando a geringonça chegou ao Rio de Janeiro, ainda embalada com havia saído da Inglaterra para Portugal, depois de passados mais de seis meses da vinda da corte portuguesa para o Brasil, foi que a Gazeta do Rio de Janeiro começou a ser impresso no país. Tornou-se o primeiro jornal genuinamente brasileiro.
Já naquela época, há duzentos anos, o brasileiro não tinha liberdade de expressão. E quando tinha, era corrompido por interesses políticos e comerciais.
Tenho a impressão que até hoje pessoas menos avisados ainda se privam de expressar opiniões com liberdade intelectual. É uma tristeza, que o provincianismo ainda esteja incrustado na mente de alguns desavisados, não só em relação aos portugueses, mas também às "Americanas"...
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2 comentários:
Mas que dúvida , Eduardo. Só mudaram os tempos. A propósito do seu post, quando li 1808, pensava encontar em D João um homem muito inteligente, a frente de seu tempo, etc. Mas me decepcionei. Coisas da terrinha. Uma araço
Eduardo,
O limite da mente é delimitado pela liberdade do pensamento. São ricos ou diminutos de acordo as experiências pessoais, o entendimento das relações humanas, o conhecimento global, as alienações religiosas, e porque não dizer do arcabouço provinciano, conforme você cita.
Valeu o texto!
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