Junto a um balcão de carnes em um supermercado, uma senhora reclamava da demora no atendimento. Dizia ela a um funcionário com características de supervisor: “ Estou aqui há quase vinte minutos e a fila não andou. O senhor precisa colocar mais funcionários no atendimento.”
A observação chamou a minha atenção, e comentei: “Quem sabe uma maquininha de senhas possa resolver o problema? O cliente retira sua senha, vai escolher outros produtos enquanto será anunciada a sua vez de atendimento... assim ninguém fica esperando na fila.”
Ela retrucou: “Nada disso, eles precisam é colocar mais funcionários no atendimento.”
Pensei em falar: Se o supermercado proceder desta forma, o filé que está sendo vendido por R$17,99, certamente, será majorado, contudo, percebi que a impaciência pela demora no atendimento não a deixaria entender o que eu tentaria explicar. Afinal, todo aumento de custo é repassado ao consumidor e as pessoas só ouvem quando querem.
Em casa, continuei pensando no que tinha presenciado e me veio algumas questões:
1- A senhora reclamante possui quantos empregados em casa?
2- Se for uma funcionária pública, ela tem a mesma presteza exigida no supermercado, ao atender o cidadão brasileiro?
3- Ela sabe que, no Brasil, um funcionário custa para a empresa mais do dobro do seu salário bruto?
4- Quando ela pede favor a um filho, o faz com a mesma exigência de prontidão?
O Jogador – Fiódor Mikhailovich Dostoiévski
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